Adoção de cães

A professora de Língua Portuguesa aposentada, Maria Angélica Paiva, e seus “cãopanheiros”.

Ainda bem que existem pessoas como Maria Angélica Paiva. Aos 57 anos, a carioca vive em Muriqui, uma cidadezinha interiorana super charmosa do Rio de Janeiro, junto com sua irmã Maria Cristina Paiva, 56, e seus “cãopanheiros”. As irmãs foram professoras de Língua Portuguesa da Prefeitura do Rio de Janeiro, cheias de estima pelos seus alunos. Além de seus artesanatos, as Marias se dispõem a cuidar de vários cãezinhos que, sem dúvida, hoje, completam uma família.

Boa Vida Online registra a beleza de corações bondosos, que se importam, muito mais do que podemos imaginar, com esses animais. Muitas vezes maltratados pelos seus próprios donos, os cães se sentem extremamente gratos ao serem acolhidos. A seguir, Maria Angélica nos conta um pouco dessa trajetória canina, vivida junto à sua irmã, Maria Cristina.

Boa Vida Online – Há quanto tempo vocês cuidam de cães?

Mel e Lua foram abandonadas na porta da casa das Marias numa noite chuvosa, ainda filhotes, com cerca de dois meses de idade

Maria Angélica – Aos oito anos de idade, ganhamos nosso primeiro cachorro, da raça pequinês, o Pixote, que viveu até os dezoito anos. Logo depois, chegou a Susi, que morreu com treze. Depois que eles se foram, ficamos um tempo sem querer cachorro, a gente se apega e, depois quando eles morrem, é muito sofrimento. Mas a paixão por esses animais não nos deixou resistir. Houve um tempo em que trabalhávamos em uma escola, onde “jogavam” ninhadas de gatos e de cachorros. Três deles, moravam lá e viviam nos rodeando. Mais tarde, vieram morar conosco e, quando nos demos conta, já estávamos com 11 cães.

Boa Vida Online – Vocês os acolhem na rua?

Maria Angélica – Alguns eu peguei na rua, outros foram resgatados por amigos sem condições de cuidar e, que nos foram doados. Outros, foram abandonados por parentes, alguns maltratados pelos vizinhos… Na própria escola, onde eu trabalhava, vivia procurando lar para os cachorros que apareciam por lá e, todos foram adotados. Quando saí da escola, os três cachorrinhos vieram conosco. É engraçado, pois não queríamos mais cachorros, mas eles se aproximaram de nós e nos adotaram. Cuidamos deles com imenso amor.

Boa Vida Online – Geralmente, você os encontra machucados e maltratados?

Esse é o vovô, espertão.

Maria Angélica – Sim, infelizmente, alguns são abandonados velhos, doentes, maltratados e com muitas pulgas, carrapatos.

Boa Vida Online – Quantos cães você abriga hoje em casa?

Maria Angélica – Hoje são 11 cães, mas foram foram 16. Hoje em dia, não adotamos mais. Estamos envelhecendo e não temos quem cuide deles, na nossa falta. Pedimos a Deus, todos os dias, que só nos leve quando o último se for.

Boa Vida Online – Como você supre todas as necessidades desses bichinhos? Há alguma ajuda financeira?

Maria Angélica – Eles têm tudo. São todos vacinados, vermifugados e castrados. Tem um bem velhinho com epilepsia e dores reumáticas. Alguns passaram por cirurgia. Não é nada fácil e isso só é possível, graças a uma veterinária muito solidária, a doutora Valente, que nos cobra um preço bem acessível. Mas é um caso à parte, geralmente costumam cobrar uma fortuna. Não estou desmerecendo o trabalho dos veterinários, mas como tirar os cachorros da rua com esses preços? É o nosso salário de aposentadas que paga a conta e muitas vezes, até deixamos de comprar algo, em benefício dos cães.

Maria Cristina e seu maior xodó, Pedrita.

Boa Vida Online – Vocês já foram julgadas por recolher cachorros das ruas?

Maria Angélica – Já fomos julgadas e muito! Meu filho mesmo, inclusive pelo meu próprio filho. Os parentes então, dizem que não me visitam por ter muito cachorro (e olha que a minha casa é bem limpa). Mas como eu não me importo com os julgamentos do outros, continuo a ser “cachorreira” com muito gosto.

Boa Vida Online – Os cães demonstram gratidão por vocês?

Maria Angélica – Todos os cães são agradecidos, eles jamais se esquecem de quem os acolhe. São eternamente fiéis.

Boa Vida Online – Vocês acreditam na personalidade dos cães?

Maria Angélica – Claro. Já tive vários cães e cada um tem sua personalidade. Uns são mais dóceis, outros muito tímidos e medrosos, outros brincalhões e, temos ainda os ranzinzas e os “líderes”. Para mim, são eles que escolhem os seus donos. Não adianta dizer que aquele cachorro é ‘seu’, ele pode escolher seu irmão ou sua mãe, por exemplo. Não cabe a você decidir.

 

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