Amor, onde está o meu amor? Encontros amorosos, com a psicóloga Luciana Martins

Nunca foi tão difícil encontrar a “cara metade”. Solteiros à procura. Casados insatisfeitos. O fato é que o mundo faz um movimento em que boa parte das pessoas quer se relacionar. Elas estão carentes. Porém, são pessoas que também não “sabem” se relacionar. Há uma confusão no ar, um misto de medo, superficialidade, carência, tesão. Os encontros fugazes se revezam. Amor, onde está o meu amor?

Amor, onde está o meu amor? Encontros amorosos, com a psicóloga Luciana Martins |

Amor, onde está o meu amor? Tanta gente sozinha e em busca de um amor! Por que tanto medo de amar?

A vida é uma só e são muitos os amores. No mundo contemporâneo então, nem se fala. A diversidade é grande. A fila anda rápido. Será que existe um novo conceito para a arte de se relacionar? Pedimos nossa consultora Luciana Martins para trazer o assunto ao Boa Vida Online. Amor, onde está o meu amor? Nós complicamos demais?

Amor, onde está o meu amor?

Amor, onde está o meu amor? Encontros amorosos, com a psicóloga Luciana Martins

Luciana Martins, psicóloga CRP – GO 09/7968. Amor, onde está o meu amor? Esse tema é mais do que apropriado para a psicóloga Luciana Martins. Ela adora mergulhar nas questões do amor

Aurélia Guilherme – As pessoas buscam o amor, mas se mantêm no raso. Qual a leitura que você faz sobre as dificuldades românticas no mundo atual?

Luciana Martins – No contexto do mundo contemporâneo, percebo que as maiores dificuldades estão relacionadas à individualidade. O ego passou a ter maior importância. As pessoas não se conhecem o bastante. Elas se mantêm na superficialidade física se abstendo do mais importante, que é o mergulho no outro.

Aurélia Guilherme – Sim, compreendo. É como se as pessoas tivessem uma couraça de proteção que as colocasse em um mundo de defesa e solidão. A terapia pode promover um caminho de entendimento mais elaborado de sentimentos e de comportamentos?

Luciana Martins – Pode sim, com certeza. estamos falando de pessoas que desenvolvem um mecanismo que as protege da entrega. Assim, elas desenvolvem comportamentos que dificultam o envolvimento. Por exemplo: experiências de situações traumáticas. As vivências de um relacionamento abusivo durante a infância. Isso estabelece uma espécie de vínculo adoecido com os pais. Em um processo psicoterapêutico a pessoa pode se perceber em qual situação ela se tornou cativa aos seus pensamentos e sentimentos. Ela descobre a causa de se comportar desse modo armado e na defensiva, diante da aproximação de uma pessoa. Na psicoterapia ela descobre novas formas de pensar e de agir, nesse contexto, para a construção de um relacionamento saudável.

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Aurélia Guilherme – Então, por onde começar, qual o caminho para um relacionamento saudável?

Luciana Martins – O caminho para um relacionamento saudável exige paciência e dedicação, pois ele é CONSTRUÍDO. Toda construção exige bases e um alicerce reforçado. Caso contrário, desaba. Podemos comparar o relacionamento com a construção de uma casa. Se um relacionamento não tiver bases e alicerces fortes, ele vai à ruína. Por isso é muito importante investir tempo, conhecendo a pessoa com quem se pretende relacionar. É importante saber quem ela é, como é sua rotina, sua vida, seus gostos, seus valores e suas fragilidades. Claro que ninguém conhece o outro em 100%. Mas é necessário mais conhecimento. Vale considerar também que o autoconhecimento é muito importante. Quando se tem inteligência emocional, não há tantos riscos de nos projetarmos no outro. Portanto, não nos tornamos reféns dos nossos sentimentos.

Amor, onde está o meu amor? Encontros amorosos, com a psicóloga Luciana Martins

Amor, onde está o meu amor? ” Quando se está apaixonado, perde-se o sono, a fome… Tudo, em função da alta quantidade da dopamina, um neurotransmissor que estimula o prazer e o bem estar. Por isso, sentimos a sensação de estar apaixonado”

Aurélia Guilherme – É verdade que a paixão tem data de validade e dura apenas 3 meses?

Luciana Martins – Nunca se pesquisou tanto sobre a paixão.Existem várias pesquisas que apontam datas de validade. A paixão é uma emoção forte, que exerce várias reações sobre o nosso organismo.  Quando se está apaixonado, perde-se o sono, a fome… Tudo, em função da alta quantidade da dopamina, um neurotransmissor que estimula o prazer e o bem estar. Por isso, sentimos a sensação de estar apaixonado.

Vários circuitos cerebrais são acionados nesse momento, o que sugere a ação semelhante de uma pessoa sob efeito de drogas. Algumas pessoas no auge da paixão, têm comportamentos irracionais. Isso pode ser avassalador. Diversas são as especulações, porém não chegam a denominador comum algum. Entendo que a data de validade da paixão pode ser imprevisível. Depende da subjetividade de cada um e do seu modo de lidar com essa emoção.

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Aurélia Guilherme – Qual a sua opinião sobre como passar dessa fase e atravessar a fronteira do amor?

Luciana Martins – A medida que o relacionamento amadurece, o efeito da neuroquímica diminui. Logo, a paixão diminui e o verdadeiro sentimento surge. Pelo menos, é o que se espera. Um amor maduro, forte e consistente. Para isso, é preciso se permitir, entregar-se ao outro e desenvolver intimidade. É onde se chega a outro nível de relacionamento, onde “despir-se” já não é mais vaidade e sim cuidado.

Aurélia Guilherme – É alto o risco de se apaixonar, quando tudo parece ser descartável. Qual a melhor maneira de lidar com as frustrações amorosas?

Luciana Martins – É válido pensar que ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Isso ocorre, como algo natural e não precisa ser forçado. Mas nem todos sabem lidar com essa frustração. Porém é preciso respeitar a vontade do outro, afinal há culpa, se não rolou a correspondência.

Primeiramente, temos que ter uma autoestima calibrada. Perceber que não ser amado pelo outro, não diminui ninguém. Não há razão para se auto desvalorizar. Cada um faz a sua escolha. Nós fazemos as nossas escolhas. Saber lidar de forma positiva com a rejeição é o caminho. Uma vez rejeitado, não significa ser sempre rejeitado. Mas, se a história se repete,  há necessidade de  uma avaliação mais investigativa. Uma ajuda terapêutica é um caminho a ser pensado.

Aurélia Guilherme – Levar um fora não é nada fácil. Há alguma maneira inteligente de reverter a situação?

Luciana Martins – O uso da razão é uma excelente função da nossa mente.  Porém, nos sabotamos pela tendência de agir mais pela emoção. Para isso, o uso da razão é uma forma inteligente de administrar esses sentimentos gerados pela rejeição. Aprendendo a lidar da melhor forma com a emoção. O uso da razão não permite que você seja dominado, mas sim que domine a emoção/situação. Isso é uma forma de desenvolver a inteligência emocional e reverter uma situação desfavorável.

Amor, onde está o meu amor? Encontros amorosos, com a psicóloga Luciana Martins

Amor, onde está o meu amor? A inteligência emocional pode conduzir à relacionamentos duradouros e felizes

Aurélia Guilherme – Por que algumas pessoas têm o “dedinho podre” nas escolhas amorosas?

Luciana Martins – Ao longo da vida desenvolvemos um sistema de crenças, apresentados por nossos pais/responsáveis. Assim, nós construímos a percepção de mundo e de comportamento. Passamos  a ser programados, conforme os modelos apresentados, tanto de forma negativa, quanto, positiva.

Exemplo: Uma pessoa que na vida foi abusada de alguma forma, fisicamente, emocionalmente, moralmente, pode ter vários problemas. Conviver com a rejeição exige racionalidade. Quando isso não acontece, instala-se a crença da culpa. Isso gera um sentimento de desvalorização, co baixa autoestima.

Essas pessoas acreditam que não merecem algo bom, e passam atrair para suas vidas situações e relacionamentos punitivos. Assim, elas fazem as escolhas amorosas erradas.

Aurélia Guilherme – Há como desenvolver potencialidades de forma consciente para atrair a quem se queira?

Luciana Martins – Sim, claro que sim. Mas temos que reprogramar o nosso cérebro. A psicoterapia é o facilitador para isso tudo. É necessário que a pessoa se recolha para o autoconhecimento e reconhecimento dos seus pensamentos, emoções e comportamentos. Ao esvaziar os lixos e toxinas emocionais, abre-se caminhos para a ressignificação do sentido da vida. Coloca-se em ordem o que é necessário para realibrar a autoestima.

Aurélia Guilherme – Encontros românticos tem a ver com a juventude e com a beleza plástica?

Luciana Martins – A mídia dispara a todo instante o mundo ideal. Além disso, há um culto ao amor perfeito, de corpos perfeitos. Há uma busca incessante pelo vigor da juventude. Mas o verdadeiro encontro do amor, está longe disso. O amor não tem a ver com o ideal, mas sim, com o que é real. Aqueles que se gostam, que possuem afinidade, independente de como seja, são os que se amam acima de tudo.

Aurélia Guilherme – Por que algumas pessoas demonstram enorme interesse no relacionamento e, passado algum tempo, esfriam?

Luciana Martins – Alguns fatores estão envolvidos nessa questão. Pode ser que exista uma carga de expectativa muita alta sobre o parceiro, em que o mesmo sente-se sobrecarregado. Isso pode gerar desinteresse. Não se pode responsabilizar o outro pela própria felicidade. Nós somos os autores da própria felicidade.

Aurélia Guilherme – Por que ficou tão difícil amar?

Luciana Martins – Eu fico a pensar, será que ficou difícil amar, ou difícil a quem confiar? Amar demanda, entrega, confiança, cumplicidade. Uma série de comportamentos profundos. Amar exige compromisso do outro. Contudo, nem todos estão prontos a encarar esse nível de relacionamento. Amar é mais do que um sentimento. É decisão e ação. Muitos querem sentir a paixão, mas poucos querem agir com responsabilidade emocional para com o outro. Isso realmente se torna difícil para uma geração de individualistas.

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Amor, onde está o meu amor? “Amar é mais do que um sentimento. É decisão e ação. Muitos querem sentir a paixão, mas poucos querem agir com responsabilidade emocional para com o outro. Isso realmente se torna difícil para uma geração de individualistas”

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