Anemia, com o Hematologista Adriano de Moraes Arantes

Anemia é um problema que pode indicar uma série de outros problemas. É importante estar atento à nossa “fábrica” de células vermelhas. Um desequilíbrio da produção do sangue, pode diminuir o abastecimento de oxigênio às outras células, com consequências de toda espécie. 

 Anemia - doenças do sangue - tratamento  em Goiânia

Produção reduzida de glóbulos vermelhos leva a crer que exista alguma outra de doença de base, que precisa ser investigada. A anemia é apenas um sinal de que algo está errado

Anemia 

Palidez, falta de força, cansaço e desânimo são sinais frequentes em quem tem alguma deficiência no organismo. Essas características indicam carência de um ou mais nutrientes essenciais ao sangue. Anemia é um grave problema de saúde pública, que atinge 1 em cada 4 pessoas no mundo. Essas são dados da Organização Mundial de Saúde. Convidamos o Hematologista Adriano de Moraes Arantes para falar sobre o assunto:

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Dr. Adriano de Moraes Arantes, Hematologista, CRM – GO 12367

Aurélia Guilherme – A Anemia pode ser considerada uma doença?

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Não, anemia é apenas um sinal de que algum problema no organismo. Trata-se de algo que esteja reduzindo o número e o tamanho de eritrócitos. Estou me referindo às hemácias ou aos glóbulos vermelhos, ou de hemoglobina que é responsável pelo transporte do oxigênio dos pulmões para nutrir as células circulantes no sangue. Isso nos leva a crer que a anemia está ligada a alguma doença de base responsável por essa alteração sanguínea.

Aurélia Guilherme – E como prossegue essa investigação no sangue?

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Depois do diagnóstico, feito com base nos dados de um exame de sangue chamado hemograma, consideramos o histórico do paciente para classificar o problema em agudo ou crônico, adquirido ou hereditário.

A anemia aguda acontece em uma hemorragia súbita. Pode ser a consequência de algum acidente ou cirurgia. Pode ser causada, também, por uma perda gradual de sangue, durante vários meses, como em alguma hemorragia interna, como as hemorragias gastrointestinais, por exemplo.

A anemia crônica pode ser proveniente da talassemia, anemia falciforme, alguns tipos de câncer, doenças hepáticas, insuficiência renal crônica entre outros problemas. Nessas situações, há falhas na produção de células sanguíneas ou na produção do hormônio eritropoetina no sangue.

A anemia adquirida é fruto de uma nutrição pobre em ferro (anemia ferropriva) ou por perdas crônicas. O ferro é um nutriente importantíssimo na produção das células vermelhas do sangue. Além disso, o ferro é importantíssimo no transporte do oxigênio que nutre todas as células do corpo.

Mas a anemia também pode estar ligada à carência de zinco, de vitamina B12 ou de ácido fólico (anemia megaloblástica). No grupo de pessoas mais afetadas estão as crianças, as meninas adolescentes, as mulheres com perdas intensas de sangue no fluxo menstrual, as gestantes que precisam de nutrientes extras, as lactantes (aleitamento materno) e os idosos. Mas os meninos adolescentes e os homens também podem ser afetados.

A anemia hereditária vem de uma dificuldade, transmitida pelos pais, na síntese de alfa-globina, proteína presente na hemoglobina. Essa substância permite o transporte do oxigênio a todo o sistema circulatório. O problema é conhecido por Alfa-talassemia.

Aurélia Guilherme – Quais são as causas?

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Embora existam muitas causas de Anemia com sintomas semelhantes, estas podem ser bem distintas. Alguns exemplos:

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“Crianças com anemia sofrem comprometimento na capacidade física, de aprendizado, de atenção e de afetividade, na coordenação motora e de linguagem”

• Anemia Falciforme:

De origem genética, as células vermelhas do sangue são deformadas e perdem a capacidade plena de transportar oxigênio

• Anemia de Fanconi:

Também de origem genética. A medula óssea é deficiente na produção de células precursoras, podendo evoluir com falência da medula óssea

• Anemia Ferropriva:

Deficiência de ferro por baixa oferta, dificuldade de absorção do mineral ou por perdas crônicas

Anemia Perniciosa:

O organismo possui deficiência de vitamina B12, secundária a doença autoimune. Isso destrói as células aprietais do estômago, o que dificulta a absorção da vitamina B12

• Anemia Hemolítica:

O próprio organismo destrói suas células vermelhas

• Anemia Aplástica:

A medula óssea tem dificuldade de produzir a quantidade suficiente de células da série vermelhas, leucócitos e plaquetas

• Anemia Megaloblástica:

As células vermelhas são maiores e a quantidade de plaquetas e de glóbulos brancos e de plaquetas podem ser menores. Pode ser secundária à deficiência de Vitamina B12 ou ácido fólico

Aurélia Guilherme –  Quais são os sintomas da Anemia?

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Em casos agudos e de sangramentos de grande proporção, a queda da pressão arterial associada a sudorese, mal estar, tontura, taquicardia podem estar presentes. Sequer há período de adaptação do organismo. Os sintomas são imediatos.

Já nas anemias crônicas, a baixa na produção de hemoglobina obriga o organismo a compensar a dificuldade no fornecimento ideal de oxigênio a todas as células do corpo. Lentamente o paciente pode começar a apresentar sintomas de taquicardia ou de palpitação, falta de ar, a pele pálida e mais ressecada. Além disso, as mucosas (parte interna do olho e das gengivas) ficam esbranquiçadas, as unhas ficam descoloridas, há queda de cabelo, a memória falha, ela sente tonturas, fraqueza, dores musculares, dor nas pernas, inchaço dos tornozelos e sonolência.

Pessoas com anemia sentem muito sono, porque o organismo precisa poupar energia para proteger os órgãos vitais, como o coração, os pulmões e o fígado. É a maneira como o corpo se adapta para suportar a baixa de oxigênio nas células.

Por isso, se faz necessária uma minuciosa investigação para saber se o ferro está sendo bem absorvido pelo o organismo. Caso o fígado e o estômago não funcionem bem, a absorção desse mineral fica comprometida. Nem todos estes sintomas precisam estar presentes para o médico desconfiar de anemia.

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Aurélia Guilherme –  Por que a Anemia é tão comum na gravidez?

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Porque, durante a gravidez, o organismo aumenta a sua necessidade de ferro. Por isso, orienta-se que a gestante aumente a sua ingestão de alimentos ricos neste mineral. Essa é uma condição que pode se agravar se, durante o parto houver grande perda sanguínea. Nesses casos, a mulher pode adquirir uma anemia com necessidade, inclusive, de transfusão de sangue. É importante que, durante a gestação, se faça uma suplementação de ferro e de ácido fólico para prevenir ou tratar essa condição.

Aurélia Guilherme – A Anemia pode trazer complicações mais sérias?

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“Durante a gravidez, o organismo aumenta a sua necessidade de ferro. Por isso, orienta-se que a gestante aumente a sua ingestão de alimentos ricos neste mineral. Essa é uma condição que pode se agravar se, durante o parto houver grande perda sanguínea. Nesses casos, a mulher pode adquirir uma anemia com necessidade, inclusive, de transfusão de sangue. É importante que, durante a gestação, se faça uma suplementação de ferro e de ácido fólico para prevenir ou tratar essa condição”

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Sim, a “fábrica” de células vermelhas não pode ser deficiente para que todas as outras células do corpo sejam bem abastecidas de oxigênio. A falta de ferro desequilibra todo esse processo. Quando a anemia é muito acentuada a produtividade no trabalho cai, bem como a capacidade de aprendizado. Também, há perda significativa da habilidade cognitiva, o bebê nasce com peso baixo e com maior risco de morte. A parturiente anêmica também corre riscos, quando a anemia é pronunciada. As crianças sofrem comprometimento na capacidade física, de aprendizado, de atenção e de afetividade, na coordenação motora e de linguagem.

Aurélia Guilherme – Como é o tratamento da Anemia?

Dr. Adriano de Moraes Arantes – Em primeiro lugar é preciso determinar e tratar a doença de base que provocou a falta de produção ou a destruição das hemácias. Assim, é possível direcionar o tratamento. Suplementação de ferro ou de sulfato ferroso por 3 a 6 meses.

A absorção do ferro é melhor, se o medicamento for ingerido com um copo de suco de alguma fruta cítrica, que é rica em ácido ascórbico.

Alimentos de origem animal e vegetal são fontes de ferro, mas dê preferência às de origem animal. Elas são melhor aproveitadas pelo organismo. As carnes vermelhas, principalmente o fígado de qualquer animal e outras vísceras (miúdos), como rim e coração, carnes de aves e de peixes, mariscos crus devem ser consumidos.

Leites enriquecidos com ferro também ajudam no combate da anemia.

Entre entre os alimentos ricos em ferro de origem vegetal estão:

Os folhosos verde-escuros, como: agrião, couve, cheiro-verde (exceto espinafre)

Os leguminosos, como feijões, fava, grão-debico, ervilha, lentilha

 Os grãos integrais ou enriquecidos

As nozes e as castanhas, o melado de cana, a rapadura, o açúcar mascavo.

É importante enfatizar que a presença de frutas cítricas e alimentos ricos em proteínas durante a refeição, também ajudam na absorção de ferro proveniente destes alimentos. O leite materno é considerado fator protetor contra anemia por deficiência de ferro. Já se sabe que a anemia é mais evidente em crianças que tiveram pouco tempo de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. Depois desta fase, é preciso que haja uma alimentação suficiente para abastecer o organismo de ferro. Assim, evita-se consequências neuropsicomotoras, com deficit ao sistema nervoso central, que se desenvolve até os 2 anos de idade. Em casos graves de anemia, recorre-se à transfusão sanguínea.

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