Arma de fogo, com o empresário armeiro Sérgio Schoenacher Martins

arma de fogo goiania

Armas de Fogo, com toda a violência escancarada, disseminando tanta insegurança, passei a rever meus conceitos sobre o desarmamento e o quanto estamos vulneráveis e sob a mira dos bandidos. Ao abrir as portas para essa discussão, quis ouvir o empresário e armeiro Sérgio Schoenacher Martins, proprietário da SSM, Special Services e Maintenance, uma empresa de consultoria em armamento e revendedora autorizada das principais marcas do mercado. Sérgio é um expert no assunto, com ampla experiência como praticante de tiro esportivo, oficial de segurança no esporte do tiro  e no manuseio seguro de armas de fogo, comerciante de armas e acessórios, especializado em preparação de equipamentos para uso esportivo, responsável administrativo e operacional da Assistência Técnica Autorizada das marcas CBC e TAURUS no Centro-Oeste. Ele faz uma leitura pontual sobre questões fundamentais, embora saibamos que não exista uma resposta exata, quando o assunto é a violência:

Aurélia Guilherme – Portar uma  arma de fogo torna uma pessoa mais segura?

Sérgio Schoenacher Martins – Portar arma, não dá segurança a  ninguém; a segurança, é fruto de ação preventiva.Temos que evitar as condições favoráveis a ação de delinquentes. Portar arma, para quem tem treinamento para tal, permite a ação eficaz, em repelir as ações criminosas, às quais, por muitas vezes, ceifam a vida de pessoas,  que estão na sua rotina de trabalho, estudo ou lazer com a família.

Aurélia Guilherme – Tem gente que morre porque reage; tem gente que sobrevive pelo mesmo motivo, como deve ser o comportamento de uma vítima, quando ela está armada?

Sérgio Schoenacher –  Como disse, o porte de arma de fogo deve ser considerado apenas por quem tem condições técnicas e emocionais. A condição para reagir, parte do princípio de ação preventiva, ou seja, apenas se houver condição favorável deve-se reagir. O ideal é antecipar a possibilidade da ação criminosa, seja por notar atitudes suspeitas ou por observação de procedimentos característicos de quem tem a intenção de praticar o crime.

gisele saraiva competidora tiro esportivo

Gisele Saraiva Braga, a representante brasileira manteve muito foco e concentração, durante a final emocionante da Copa Mercosul 2016, quando sagrou-se campeã

Aurélia Guilherme – Qual é o perfil do cidadão que vai até sua loja comprar uma arma?

Sérgio Schoenacher Martins – É bem diversificado. Temos os desportistas, que procuram o equipamento para lazer e competição; os proprietários de áreas rurais, procurando instrumentos de proteção contra animais perigosos; os profissionais da área de segurança, que precisam, como parte do conjunto de itens para o trabalho; e, o cidadão “comum”, que busca uma opção de resistência à criminalidade e à falta de segurança, dentro de sua residência.

Aurélia Guilherme – Qual a diferença entre posse e porte de arma?

Sérgio Schoenacher Martins – Na comparação mais fácil, é como um automóvel; quando se compra um carro, passa-se a ter o direito de leva-lo para casa e coloca-lo na garagem. Para sair à rua, é obrigatório ter a CNH. Da mesma forma, tem-se a diferença entre posse e porte. A posse é garantida, quando a arma é adquirida legalmente, para mantê-la na residência ou no estabelecimento comercial, se for de sua propriedade. Para o porte, que é o direito de leva-la consigo, fora de casa e pronta para o uso, é necessária a liberação de licença da autoridade competente, específica para cada situação.

Aurélia Guilherme – Uma arma, confere poder.  Assistimos constantemente às cenas de discussões com finais trágicos no trânsito, nos bares, ou , mesmo em casa. Alguém, sem equilíbrio emocional, pode se tornar perigoso, com um revólver em punho. Quais são os critérios de autorização de venda de uma arma?

Sérgio Schoenacher Martins – Primeiro, precisamos desvincular a arma de fogo, como causadora da violência. As armas de fogo não são violentas, são objetos, utensílios que pessoas violentas usam para causar mal a outrem, assim como usam facas, barras de ferro, pedaços de madeira, fogo, agressão física, etc. Qualquer pessoa que não tiver equilíbrio emocional é perigosa, com ou sem, arma de fogo. Qualquer cidadão, para adquirir uma arma legalmente, precisa preencher vários pré-requisitos de idoneidade, ficha criminal limpa, trabalho e teste de capacidade técnica e psicológica, aplicados por profissionais credenciados pela Polícia Federal.

Aurélia Guilherme –  Há mais de uma década, em uma tentativa de conter a violência no país, aprovaram o estatuto do desarmamento e o Estado tirou do cidadão comum, o direito de comprar e de portar uma arma de fogo, salvo algumas exceções. Parece que desarmar a população não surtiu o efeito esperado, nem mesmo em longo prazo. Os bandidos estão armados até os dentes, e a população, sem suporte de proteção suficiente do Estado, que não consegue conter a alta taxa de violência. O Brasil é o país onde mais se mata a tiros no mundo. Na sua opinião, a liberdade individual reforçaria a segurança pública?

estatuto do desarmamento arma de fogo

Bene Barbosa, Presidente do Conselho de Administração do Movimento Viva Brasil e um dos autores do livro “Mentiram para mim sobre o Desarmamento”. Bene é um feroz crítico e defensor da revogação do Estatuto do Desarmamento

Sérgio Schoenacher Martins – Há um grande equívoco, proposital ao meu ver, em dizer que houve aprovação do “Estatuto do Desarmamento”, através do plebiscito. No referendo, a população não aceitou o desarmamento em geral como proposto, mas o governo o impôs,  mesmo sem respaldo da maioria, confirmado pelo voto direto. O cidadão “comum”não perdeu o direito de comprar armas, mas o porte da arma ficou como ato discricionário da Polícia Federal, o que confere ao marginal a certeza de agir, sem qualquer ato de defesa da vítima ou de repressão.

Em questão aos números absolutos, relativos às mortes por armas de fogo, não separam os  inocentes que morreram pelas armas ilegais que estão nas mãos dos marginais, dos que as usaram em defesa própria ou de terceiros e das mortes entre bandidos. Esse é um grande saco, no qual se colocam todos os índices. Não podemos passar ao largo, sem comparar o uso do automóvel, seja o carro, a motocicleta, o transporte coletivo ou, qualquer outro; esses matam mais do que as armas? NÃO! Assim como as armas, eles são instrumentos nas mãos de irresponsáveis que dirigem alcoolizados, em velocidades incompatíveis com a legislação, com veículos sem manutenção adequada, ou condutores sem experiência, drogados e coisas do gênero. Nem por isso, se cogita a proibição em dirigir, por ser o automóvel um veículo que pode levar à morte, uma vez, que o seu uso também tem a finalidade esportiva, ou de lazer, ou até como objeto de algum colecionador.

Não são as armas de fogo que matam, a violência parte de quem está com a arma em punho”, Sérgio Schoenacher. 

Aurélia Guilherme – Se o Estado não garante a segurança, ele pode privar o cidadão em fazê-la?

Sérgio Schoenacher Martins – Jamais! O cidadão ordeiro, que se conduz dentro  dos padrões da lei, tem direito à vida e, de se defender de quem atenta contra ela, caso o Estado não garanta a sua segurança, como previsto na Constituição. O Estado deveria prover a segurança de todos, de modo igualitário; assim, com faz aos políticos, aos magistrados, aos ministros, etc, uma vez, que eles nos representam e, perante a lei, somos todos iguais e temos os mesmo direitos.

modelo de arma de fogo goiania

TR 85S Inox, calibre 38SPL, 5 tiros, um modelo TAURUS, com vários tipos de munição CBC

Aurélia Guilherme – Quais seriam os modelos de armas mais apropriados  para o cidadão comum?

Sérgio Schoenacher Martins –  Para quem não tem condições de treinamento ou prática constante, o ideal é o revolver, de manuseio mais simples. As armas de fogo semi-automáticas, como as pistolas, têm vantagens, mas demandam maior experiência por parte do usuário.

Aurélia Guilherme – Com relação à munição,  há algum controle de venda desse produto?
Sérgio Schoenacher Martins – Sim, a fiscalização é feita pelo Exército. Acredito que esse controle seja um dos motivos que, às vezes, causa o mal uso da arma de fogo, já que, o limite imposto pela atual legislação, estabelece que, cada proprietário, possa adquirir o máximo de 50 unidades a cada ano, de munição nos calibres normalmente utilizados para segurança. Pode parecer muito, mas essa quantidade não permite que seja feito um treinamento ou prática, para manter a condição técnica de uso correto do equipamento.

Aurélia Guilherme – A maioria dos brasileiros tem índole é pacífica, sem qualquer preparo para, sequer, manusear uma arma de fogo. Como consultor do assunto, qual a sua orientação para quem deseja ter uma pistola, porém tem esse perfil?

Sérgio Schoenacher Martins –  O principal ponto a ser observado por quem  procura  por segurança  e vê na posse de uma arma de fogo a solução, passa justamente pela falência do Estado, em atender a demanda e, por isso, estamos “todos”passíveis de sofrer grande violência, por parte dos criminosos. Essa situação, nos faz repensar a “índole pacífica”do brasileiro e, não só do brasileiro, mas, de qualquer ser humano, que respeita os direitos de seus semelhantes. Chegamos ao fundo do poço, as leis não atendem as necessidades, os presídios não ressocializam, a educação não prepara, e outros pontos mais.  O que nos resta?  A lei da sobrevivência: procure um bom profissional da área com prática, com longa experiência, conhecimento técnico e adquira a orientação correta sobre o que pode e deve ser feito, para a melhor escolha em equipamento, insumos e acessórios. Sendo assim, ter a posse e fazer o uso consciente deste tipo de instrumento, vai lhe dar condições de garantir a chance de manter a sua segurança e a segurança de seus familiares, principalmente em casa, no seu domicílio, inviolável por lei e onde não imaginávamos que estaríamos reféns da criminalidade, como hoje acontece todos os dias.

Aurélia Guilherme – Eventualmente, os noticiários relatam acidentes com armas, nas brincadeiras de crianças. Quais são as medidas de segurança doméstica, quando se possui uma arma em casa?

Sérgio Schoenacher – Essa é uma questão cultural, quanto mais proibido e difícil o acesso, maior a curiosidade. Se o proprietário não tem orientação adequada e permite o acesso não autorizado de crianças ao local onde se guarda a arma, isso pode mesmo, se transformar em algum desses problemas apresentados. A melhor opção, nos casos onde há essa possibilidade, é mante-la em um local, onde as crianças não tenham acesso e, mais importante, onde elas não saibam que lá está o motivo da curiosidade. Não devemos manusear ou pegar a arma nesse local de guarda na presença das crianças e, até mesmo de adultos não habilitados no manuseio.

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