Arquitetura Sustentável, com Luana Lousa

Luana Lousa em meio ao que ama. Foto: O popular

Com o mundo caótico em que estamos inseridos, a grande maioria das pessoas parece se esquecer da seriedade dos impactos ambientais na qual estamos sendo completamente responsáveis. No entanto, esse contexto parece estar sendo modificado à medida em que somos atingidos por tamanhos malefícios. Sem dúvida, a Arquitetura é uma força motriz muito potente nesse enquadramento, já que é totalmente capaz de projetar, criar e enraizar construções inteligentes. Nos últimos anos, muito vem se falando à respeito da Arquitetura Sustentável, aquela em que se constrói de maneira consciente, preservando a longevidade do nosso planeta e o bem estar, de uma forma geral e individual, ao mesmo tempo. Construções belíssimas, unidas à um exponencial de grande força, é que se traça a Arquitetura Viva, capaz de criar, em um contexto muito mais promissor, em todos os sentidos.

Foi nessa energia iluminada, que o Boa Vida Online conversou com a incrível Luana Lousa, arquiteta, criadora da “Arquitetura Viva”, empresa voltada para uma maneira consciente de construir. Luana se importa com todos os conceitos construtivos que sejam revertidos em energias positivas para novos espaços físicos, sejam comerciais ou residenciais. Confira a entrevista completa com essa mulher de força, que se encontra em uma posição de consciência admirável, mas que não guarda tanto conhecimento só em seu benefício, ela quer espalhar todo esse aconchego.

Boa Vida Online – Em que se baseia a Arquitetura Sustentável?

Luana Lousa – A arquitetura sustentável busca estratégias que conduzam ao menor consumo de água, energia e de outros recursos, seja através de conceitos implantados por um projeto, seja em especificação de produtos e materiais. É importante ampliar esta abordagem, sempre que possível, e buscar cada vez mais a qualidade de vida, que uma arquitetura eficaz pode proporcionar. A arquitetura pode ser muito mais do que Sustentável, ela pode ser Saudável, Permacultural, Viva. Ela pode produzir impactos positivos em pessoas e ambientes em que se inserem, e este caminho está sendo, vagarosamente, trilhado.

O Telhado vivo utiliza plantas, geralmente rasteiras, para o fechamento superior da edificação (lajes e coberturas), formando um “jardim suspenso”, que melhora o isolamento acústico e técnico da construção, além de contribuir com o ambiente e dar um pouco mais de cor e vida ao imóvel.

Boa Vida Online – Você, que estudou Arquitetura, sempre quis trabalhar com essa vertente ecológica ou foi uma ideia que veio com o tempo?

Luana Lousa – O tempo nos alimenta de diversas formas, uma delas é pela percepção de podermos fazer algo melhor. Desde que entendi isso, busco o melhor naquilo que amo fazer. Independente de vertentes, buscamos aprimorar a atuação de nossos projetos, no intuito de melhorar a qualidade e a eficácia do ambiente construído.

Boa Vida Online – Como surgiu a empresa “Arquitetura Viva”?

Luana Lousa – Surgiu do meu anseio de utilizar a Arquitetura, como um veículo, para contribuir com a melhoria do mundo. Esse conceito ainda está em formação e tem um alcance muito amplo, pois, como tudo o que é vivo, busca o que pulsa. Repare que, a cada dia, a ciência busca um novo material, mais parecido com a pele, mais próximo da retina, mais semelhante ao osso, mais “biocompatível”, para que então, possa ser inserido, substituído e/ou transplantado, sem causar rejeição alguma. A Arquitetura também precisa estar neste caminho, buscando técnicas e tecnologias que possam existir, sem nos causar estranhezas ou mal estar; sem nos adoecer. Muito pelo contrário, a busca também se direciona ao ponto de também nos beneficiar, fazendo o uso de materiais capazes de melhorar nossa saúde, disposição e energia, enquanto convivermos naquele ambiente.

O Paisagismo funcional baseia-se na utilização de espécies adequadas que beneficiam o ecossistema local, minimiza podas e regas, aumenta a biodiversidade, atrai a fauna local e beneficia os usuários com a produção de alimentos, sombras e microclima.

Boa Vida Online – Quais os principais serviços que a empresa oferece?

Luana Lousa – A Arquitetura Viva desenvolve Projetos Residenciais, Comerciais e Urbanísticos, de forma integral e funcional, tendo como pontos relevantes o usuário e o contexto inserido. A busca é voltada para a adoção de ecotécnicas e estratégias passivas, para o desenvolvimento de cada projeto, tais como iluminação e ventilação natural.

Boa Vida Online – As técnicas oferecidas pelo conceito de sustentabilidade são criadas e idealizadas por seus projetos ou você segue um estudo já desenvolvido ?

Luana Lousa – Procuramos adaptar técnicas e tecnologias existentes e já comprovadas. Desta forma, garantimos a eficácia do projeto, adequando-o ao ambiente onde será inserido e proporcionando uma melhor qualidade de vida aos seus usuários.

A Taipa de pilão consiste em colocar o solo dentro de um sistema de formas (antigamente chamado de “taipal”) e o compactar até atingir a densidade ideal, criando assim uma estrutura resistente e durável. É uma técnica milenar e vem sendo desenvolvida e usada, em larga escala, na Austrália e nos Estados Unidos.

Boa Vida Online – As pessoas estão se conscientizando cada vez mais sobre construções menos invasivas ao meio ambiente e, hoje, essa técnica está em alta. Por qual motivo você acredita que as pessoas estão mais abertas à essa ideia?

Luana Lousa – Acredito na nossa evolução enquanto espécie e essa “conscientização” faz parte deste processo. Mesmo de forma inconsciente, as pessoas estão sensíveis aos apelos dessa mudança, ansiando por espaços que lhe proporcionam bem estar.

Boa Vida Online – A Arquitetura Sustentável ainda não consiste em uma prática financeiramente acessível a todos que queiram construir conscientemente. Dentre todas as técnicas oferecidas pela “Arquitetura Viva”, qual você acredita ser a mais urgente, em termos ambientais, que não podemos ignorar de forma alguma?

Luana Lousa – Na verdade é o contrário, a Arquitetura Sustentável é mais barata, o que muda é o prazo para pagamento. Somos imediatistas, decidimos hoje e queremos um bom projeto, para ontem, mas as coisas não funcionam bem assim. Façamos uma analogia: se estou com uma dor de cabeça e tomo um analgésico, rapidamente esta dor cessa, mas também posso optar por chás, que farão o mesmo efeito após 30 minutos e me fortalecerão, ao longo do tempo, contra outras dores. O mal que o medicamento fará ao organismo ao longo do tempo não é possível computar, mas sua eficácia imediata ao resolver o problema, sim. Assim, é o projeto rápido, como a construção convencional, até parece ser uma boa solução, se adotarmos o curto prazo como referência. No entanto, é necessário entender que uma edificação tem uma vida útil muito longa e o seu custo de operação e manutenção precisam, urgentemente, serem integrados ao custo das edificações. Um bom projeto, com tecnologias adequadas reverte, muito rapidamente, o investimento realizado e ainda mantém a saúde operacional da edificação, o que pode contribuir na saúde de seus ocupantes.

Com urgência, precisamos de legislações e incentivos fiscais para a obrigatoriedade de sistemas de captação de águas pluviais e telhados vivos, pois os benefícios são de grandes proporções para a cidade como um todo, já que podem evitar enchentes e todo o caos decorrente delas. Além disso, melhoram a qualidade do ar, reduzem a ilha de calor e aumentam o microclima. Logo, felizmente, o custo benefício é muito favorável a todos.

Esse é um modelo do uso da energia solar: na produção de energia elétrica, serão utilizados Painéis Fotovoltaicos (que transforma a energia solar em energia elétrica), bem como o aquecimento das águas dos chuveiros e piscinas.

Boa Vida Online – O valor investido nas técnicas sustentáveis, apesar de alto, pode ser rapidamente recuperado ao longo dos anos?

Luana Lousa – A maioria das tecnologias disponíveis hoje tem um “payback”muito rápido e nem sempre são mais caras do que as convencionais. Como dito anteriormente, os custos operacionais e de manutenção são muito inferiores em edificações sustentáveis, resultando em um tempo muito menor para o retorno do investimento realizado.

Boa Vida Online – Se as pessoas se conscientizassem e passassem a reaproveitar os recursos naturais que o planeta nos dá, quais impactos ambientais conseguiríamos impedir?

Luana Lousa – Impedir, exatamente, não sei dizer, mas acredito que somos capazes de criar impactos positivos. Temos exemplos de áreas urbanas degradadas, que foram apropriadas por moradores vizinhos e se transformaram em hortas, praças e até em florestas urbanas, o que gera um impacto muito positivo. É possível ir além, a Arquitetura pode! Há como produzir uma boa arquitetura com menores impactos e ainda, gerar espaços que nos induzam a tornarmos melhores enquanto seres humanos, o que acaba por resgatar nossas relações com o próximo, com o ambiente construído, com as cidades, com a natureza e com o planeta. Precisamos entender que da forma como agimos, o único impacto real é em nossa própria existência. O planeta sempre sobreviveu aos grandes impactos…

Projeto da empresa “Arquitetura Viva”

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