A arte circense, também como exercício físico

Há, pelo menos, mil anos, diversas civilizações já praticavam alguma vertente da arte circense. Egípcios, indianos, gregos ou chineses já se adentraram nessa expressão, mesmo tendo criado forma durante o Império Romano. Composto por atividades extremamente desafiadoras, e ao mesmo tempo graciosas, o malabarismo, a acrobacia, o monociclo, o contorcionismo, o equilibrismo, o ilusionismo e a graça melancólica do palhaço formam o palco de grandes apresentações.

O ser humano, no decorrer da História, substituiu diversas atividades físicas naturais à sua sobrevivência por facilidades tecnológicas. No entanto, ganhou peso e preguiça. Na procura pela movimentação do corpo, recentemente, muita gente passou a mergulhar na arte circense para tonificar e cuidar do corpo, ao mesmo tempo em que absorvem todo o contexto lúdico e apaixonante do circo.

Raissa Pagalday está inserida nesse contexto há dois anos

Boa Vida Online percorreu um caminho interessante do picadeiro, conversando com jovens que se exercitam, semanalmente, nas aulas de circo. Exercícios de resistência, equilíbrio, força e coordenação motora se misturam em meio ao tempo prazeroso, que se desligam da realidade cotidiana. De que maneira a arte circense é capaz de mudar a vida de alguém?

Warlos Ferreira faz aulas de tecido há apenas cinco meses, mas já sentiu as mudanças positivas

Raissa Pagalday, de 19 anos, está inserida nesse contexto há dois anos, mas de maneira intensa. Um dia, assistindo a aula de um amigo, a goiana diz o tê-lo observado com muito encanto, ao ponto de querer fazer parte daquele outro mundo. Depois que se subiu ao picadeiro, foi só evolução. Segundo ela, o corpo adquire resistência com a intensidade dos exercícios e o manuseio dos aparelhos, que exigem certa força e flexibilidade. A melhora da tonicidade do corpo e da própria mente, que precisa estar sã para realizar os exercícios com maestria, se mostra diariamente, em simples movimentos. Raíssa é apaixonada pelo trapézio e conta que para se manter esguia no equipamento, são necessários alguns calos e queimaduras. “Consciência corporal é o principal, mas vai muito além do físico. Eu pude compreender que a prática circense exige muita responsabilidade, respeito ao próximo e dedicação, tanto do físico, como do mental”.

Warlos Ferreira, de 25 anos, faz aulas de tecido há apenas cinco meses, mas já sentiu efeitos significativos em seu corpo. Após perceber uma melhora na condição física de um amigo, decidiu pelo início das aulas. O tecido, especificamente, trabalha com números artísticos, quedas e performances e, para Warlos, foi rapidamente percebida a evolução de sua resistência física. Segundo ele, para o manuseio do tecido, aos exercícios funcionais é preciso dedicação e muita concentração. “Depois de todo o esforço das aulas, o corpo relaxa e pede, automaticamente, reabastecimento de alimentação. A partir disso, você passa a se comprometer com uma nutrição mais profunda, fundamental para o bem estar. O Circo mudou, significativamente, a minha qualidade de vida”.

Cristine Alencar faz aulas de circo há seis meses.

A estudante de Arquitetura, Cristine Alencar, de 22 anos, faz aulas de circo há seis meses. Depois de praticar sete anos de Ginástica Olímpica, Cris entrou nas aulas de pilates e percebeu muitas semelhanças com a desenvoltura dos aparelhos da prática circense. Por já ter uma certa memória da ginástica, pratica desde exercícios no solo até o uso de equipamentos mais específicos, como trapézio, tecido, trampolim e lira. Segundo ela, as aulas de tecido, por exemplo, apesar do grande envolvimento com a força braçal, também englobam um esforço corporal, como um todo, que só se obtém em exercícios complexos, de condicionamento físico. Cris conta que em todas as aulas, a turma trabalha o lado teórico da arte, com a compreensão do cuidado perante o corpo, que é o equipamento de trabalho de cada um. Ela intensifica que é necessário trabalhar a consciência corporal unida à mente sã, ao fazer coisas que antes nos amedrontavam.

“O circo consegue oferecer um espaço, onde você se sente como parte de uma família. Além de toda a sabedoria circense, temos sempre um lugar para a diversão, ao mesmo tempo, enquanto trabalhamos. Para mim, a maior vantagem é unir essa beleza ao fato de praticar um exercício completamente dinâmico, onde sempre vai te ensinar e a evolução virá, dia após dia”.

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