Artrite Reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença crônica, grave e debilitante. Trata-se de uma inflamação das articulações, que envolve a membrana sinovial. Quando o problema se agrava, leva a dor, incômodo e chega a ser incapacitante.

 

Dra. Fábia Mara Prates | Artrite Reumatoide

Comparação entre mão normal e mão com Artrite Reumatoide

Artrite Reumatoide

A membrana sinovial é responsável pela proteção, nutrição e deslizamento da cartilagem. Não se sabe exatamente o que desencadeia esta inflamação, mas este é um exemplo clássico de uma doença autoimune. Isso significa que o sistema imunológico começa a produzir anticorpos que agridem o nosso próprio corpo. Esses anticorpos não deveriam atacar o organismo, mas defende-lo contra doenças virais, bacterianas ou qualquer outra que possa surgir ao longo da vida. Mas é preciso que haja predisposição genética para o funcionamento inadequado do sistema autoimune.

Como se manifesta

Associado a isso, qualquer fator agressivo externo pode ter essa consequência. Estresse, bactérias ou vírus seriam gatilhos para o desenvolvimento da doença. A Artrite reumatoide atinge várias articulações ao mesmo tempo. Os locais de mais prevalência são as mãos e os punhos e, posteriormente, os pés, os joelhos, os tornozelos e os quadris. Normalmente os dois lados são atingidos de forma simétrica e simultânea. Esta doença tem caráter de progressão lenta e crônica, mas a primeira manifestação da artrite já pode ser aguda. Fadiga, febre baixa, fraqueza, dificuldade de movimento acompanham a dor articular. Em alguns pacientes as articulações das mãos ficam tão inchadas que há dificuldade nas tarefas mais simples, como pegar objetos ou escovar os dentes.

Diagnóstico

Essa limitação de movimentos pode acontecer antes mesmo de ocorrer uma erosão. Além disso, a dor é forte e se manifesta rapidamente. O paciente procura o médico porque se sente muito incomodado.

Apenas o exame clínico pode ser suficiente para definir o diagnóstico. O exame de Raios-X mostra o tamanho da erosão e o quanto perdemos tempo no tratamento. O ideal é que se faça um diagnóstico o mais precoce possível. As lesões nas cartilagens e ossos são irreversíveis. Por isso, ao menor sinal de articulação inchada, dolorida, aquecida e avermelhada pelo calor e inflamação do local, procure um reumatologista. Há uma incidência alta da doença em adultos com idade em torno dos 45 anos, mas a incidência mostra também um crescimento do número de casos em pessoas na faixa etária dos 20 anos. Nas crianças, se manifesta como artrite crônica da infância (ou juvenil) e com o tempo a doença pode evoluir para artrite reumatoide ou espondiloartropatia. Algum fator externo, como uma infecção ou um distúrbio emocional, também dispara o gatilho para qualquer uma das doenças autoimunes nas crianças ou adolescentes que têm predisposição genética.

Dra. Fábia Mara Prates | Artrite Reumatoide

Medicações

A artrite reumatoide é uma doença complexa e, por ser progressiva, crônica e incapacitante, deve ter sua evolução bloqueada para evitar sequelas. Ainda não se fala em cura, mas existem bons medicamentos que cumprem a função de bloquear a progressão da doença. O tratamento da artrite reumatoide envolve basicamente o uso de anti-inflamatórios, corticosteroides e as drogas modificadoras da doença.

Os anti-inflamatórios têm a função de melhorar os sintomas até que as drogas modificadoras da doença, que têm ação lenta, estejam agindo. Por isso se faz a medicação associada. É importante lembrar que se esses medicamentos forem usados inadvertidamente, os prejuízos podem ser desde uma gastrite até uma úlcera ou graves problemas renais. Os anti-inflamatórios atuam na dor aguda, mas têm de ser usados na dosagem e no tempo certos.

Os corticosteroides cumprem as duas funções: agem nos sintomas e têm efeito modificador da doença, retardando discretamente a evolução do mal. A dosagem deve ser de acordo com a evolução do tratamento. O paciente deve ter constante acompanhamento médico para que a doença esteja sempre sob avaliação. Ele deve sentir alguns efeitos adversos, como retenção líquida e, consequentemente, a sensação de inchaço, com aumento de peso e surgimento de pêlos, porque corticóides são um anti-inflamatório hormonal. Usados de maneira correta são um excelente medicamento; usados de maneira errada causam muitos efeitos colaterais e danosos, como um potente veneno. Seu uso prolongado merece complemento nutricional, com reposição de cálcio, dieta balanceada e atividade física, dentro das necessidades de cada paciente.

Das drogas consideradas modificadoras da doença, uma outra medicação, o metrotexate, é considerada o padrão ouro no tratamento da artrite reumatoide. De ação imunossupressora, essa droga detém a formação do fator reumatoide, que é o anticorpo que agride a membrana sinovial, mas pode interferir nas células de defesa do corpo, se usado inadequadamente. Por isso, é muito importante que a medicação seja bem indicada, respeitando o grau de evolução da doença e a tolerância do paciente. Existem outras drogas modificadoras da doença, ou seja, que interferem na sua progressão, algumas consideradas imunomoduladoras e outras imunossupressoras.

Existem atualmente medicamentos que atuam em sinais intracelulares, os chamados medicamentos biológicos, com os anti_TNF α, anti CD20 e outros. Eles promovem um bloqueio da doença (do sistema autoimune), agindo mais precocemente e de forma bem ativa, bloqueando o anticorpo antes de ele se transformar em um inimigo. Esses medicamentos são mais potentes (também são modificadores da doença), mas têm efeitos colaterais, assim como todos os outros medicamentos, pois interferem no sistema imune e devem ter acompanhamento constante do médico. O controle e a eficácia da medicação são determinados por exames clínicos e laboratoriais, adequando dose e tempo de uso a cada indivíduo.

A artrite reumatoide precisa ser bloqueada, alguns pacientes tratam apenas os sintomas e, quando percebem, já houve perda de movimento, com erosão. Essa doença está em constante evolução. Se tem dor, é preciso saber o porquê e tratar corretamente, evitando as sequelas, que são, na maioria, irreversíveis na artrite reumatoide.

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