Autoconhecimento: Nascimento, morte e transcendência

Passamos a maior parte do tempo agindo de forma automática. Mal sentimos a nossa respiração e quase sequer utilizamos a consciência que nos diz qual o sentido da vida. Nascimento, morte e transcendência, uma jornada de auto transformação para quem deseja o autoconhecimento e dar sentido à vida.

Nascimento, morte e transcendência, uma jornada de auto transformação

Nesse mundo agitado e competitivo, a maioria de nós sequer sente o sabor da vida. Os sentidos são mal explorados. Enxergamos sem ver o que de fato importa. Mal ouvimos a voz interna. Quanto perfume há nas flores e nem percebemos. E quanto ao toque… a maioria de nós permanece no terreno das sensações rasas. Nascimento, morte e transcendência, uma jornada de auto transformação. Foco no presente. Consciência e entrega. Para pessoas interessadas em autoconhecimento o tema é bem intrigante.

O psicólogo transpessoal Nilton Ferreira promove esse encontro que pode ser um divisor de águas na forma de encarar a vida. Pedi detalhes ao grande mestre:

Aurélia Guilherme –  Professor, em 6 dias de trabalho é possível mudar uma realidade pessoal, através do autoconhecimento?

Porfessor Nílton Ferreira – São mais de 20 anos promovendo encontros que falam sobre Nascimento, morte e transcendência, uma jornada de auto transformação. Posso dizer que não há um roteiro fixo a ser seguido. O trabalho flui espontaneamente. De acordo com o grupo, vamos aplicando técnicas específicas e que servem de base para nossa metodologia de trabalho.

O que nos interessa é provocar o corpo, a mente, os sentimentos, o desejo e a espiritualidade nas pessoas. Isso é o início de uma grande mudança na realidade pessoal. São os 5 níveis da existência humana capazes de mudar todo o sentido da vida.

Nesse encontro de autoconhecimento e de transformação, o grupo passa por um mergulho profundo às avessas. E, nesse processo, vamos tirando as máscaras daquilo que não nos serve mais. Nos libertamos de nossa negatividade e resgatamos o riso. A diversão está no âmago desse trabalho. Saímos em busca da nossa essência original.

Toda a nossa equipe mantém o olhar atento no grupo, sem tirar o olho do indivíduo.

Aurélia Guilherme – A jornada dessa nossa vida de expiações é uma grande e complexa travessia. É preciso estar empenhado nesse processo de autoconhecimento. Concorda?

Professor Nilton Ferreira – Sim, é preciso se tornar consciente do próprio corpo, dos nossos sentimentos e assumir a responsabilidade plena por tudo o que nos acontece. Por outro lado, é sempre bom lembrar que estamos em um caminho que não leva à lugar algum.

Se nesse caminho escolhido, o coração está incluído, vá em frente. Caso contrário, é preciso mudar a direção.

psicologia-transpessoal-Nilton-Ferreira

Autoconhecimento – Quantas pessoas não conseguem se libertar dos conflitos internos? Vivemos em um mundo em que o individualismo e superficialidade dos relacionamentos abrem feridas difíceis de cicatrizar. O psicólogo Nílton Ferreira promove encontros que refrigeram a alma

Aurélia Guilherme – Respirar é um ato tão natural que é difícil entender que seja necessário reaprender a utilizar os pulmões corretamente. Por que desaprendemos a respirar e quais as consequências disso?

Professor Nilton Ferreira – É preciso deixar sair o ar para que a inspiração nos traga vida nova. Temos dificuldade de vivenciar cada momento de expiração. Vivemos num contexto de dualidade  e separamos o inseparável, como a vida e a morte.

Desde pequenos somos treinados para esquecer que vamos morrer. Creio que, distanciados da presença da morte, perdemos o sentido da vida.

Em outras culturas, principalmente em culturas orientais e aborígines, a consciência da morte é um dos valores básicos que regem a vida. Tanto na dimensão individual quando na dimensão social. Tais culturas sempre se utilizaram de rituais de morte e de renascimento psicológico do ego. Assim, o indivíduo é preparado para sua morte. Em tais culturas aprender a morrer é considerado um aspecto essencial para uma vida plena e significativa.

Na nossa visão do mundo essencialmente dualista nos opomos à vida e à morte. Daí a morte se torna algo distante. Isso faz com que evitemos olhar de frente para os aspectos essenciais da vida. Li recentemente uma frase de Woody Allen, citada por Philip Kapleau, que diz:

“Não me importo de morrer. Só não quero estar presente, quando isso acontecer”.

Além de engraçada, essa citação traz uma verdade:

Se você não quer estar “presente”, aprenda a fundir-se com a morte para que você possa transcender o corpo e a mente. Em outras palavras, é como libertar-se do pensamento que estabelece distinções entre a morte e o ato de morrer. Assim, não há como pensar: eu estou morrendo.

Sabemos que nascimento e morte são simultâneos.  Criação e destruição ocorrem a cada milionésimo de segundo. Em nível biológico, por exemplo, no mesmo lugar em que as células velhas morrem, as novas tomam forma. Nascemos e morremos a cada inspiração e expiração.

É este o ritmo do Universo. Só que nossa mente não está preparada para aceitar esse ritmo.

Daí, o medo da morte ser uma constante fonte de ansiedade para o homem.

Questões como depressão, sentimentos de perda, insônia, diversos transtornos psicossomáticos, todos já demonstraram a relação com preocupações ligadas ao medo da morte.

Na prática clínica, é bastante comum a presença de pacientes vivenciando diferentes fobias. Síndrome do pânico, ou pessoas em situações de borderline, a emergência de experiências relacionadas ao medo da morte ou ao desejo inconsciente de morrer, vividos na situação de nascimento ou relacionadas  à experiência de morte em vidas passadas.

A identidade do processo do nascimento biológico com o tema da morte foi bastante pesquisada por Stanislav Grof., Isso ocorreu, quando ele fazia pesquisas com o LSD, e posteriormente com a técnica da respiração holotrópica, onde o sofrimento e a agonia da passagem do feto pelo canal vaginal culmina com a experiência de total aniquilamento em todos os níveis, físico, emocional, intelectual e espiritual. Perda de todos os controles.

Ver mais sobre respiração holotrópica aqui!

O Ego que morre nesta experiência é o ego identificado com a necessidade de ter controle sobre tudo. Somado à isso, há uma compulsão de ser sempre forte, preparado para enfrentar todos os perigos.

A experiência de total rendição pessoal é um pré-requisito para a conexão com a fonte transpessoal.

A experiência da morte do ego vivida em situações em que se revive o nascimento biológico. Isso pode nos levar a experienciar grandes temas mitológicos, como o sacrifício à Deusa Indiana Kali. Ou, o reviver da morte e ressurreição de Cristo. Ou, a união simbólica com o deus Egípcio Osíris. Ou, mesmo, vivenciarmos a união com o eu divino primário, o Eu Universal, (Brahman), a fonte cósmica de toda a existência.

A experiência da morte do ego pode ter consequências duradouras. E ainda mais. Pode nos livrar de atitudes paranóicas em relação ao mundo, que podem advir de nossa dolorosa estreia no mundo pelo processo do nascimento. Sim, o doloroso e traumático processo do nascimento, nossa “inauguração para a vida”,  pode nos ocasionar uma visão paranóide da vida. O mundo é visto como algo ameaçador, gerando-nos atitudes de controle e insegurança.

O Processo de nascimento é o nosso primeiro rito de passagem. Nossa iniciação para a vida.

É um processo de morte porque deixamos a vida intra-uterina.  Naquele universo de água vivemos como peixes e tomamos posse do ato de respirar. É nosso primeiro rito de passagem. Sabemos que rituais de passagens são essencialmente ritos de morte em que transcendemos de um estado de ser para alcançarmos um outro mais amplo e inclusivo.

Quanto mais nos apegamos às coisas, às pessoas, à nossa autoimagem, mais tememos as mudanças, vividas como perdas e mortes.

Como você se vê?  Clique aqui 

Investimos muito na criação de uma autoimagem que nos dê aceitação pública e segurança de quem nós somos.

Nos identificamos a tal ponto com nossa autoimagem, que qualquer situação que coloque em risco a nossa auto-importância é vivida, como risco de vida.

Daí, por outro lado, a maioria das pessoas que busca o suicídio, está na realidade buscando uma transformação psicológica, uma morte psicológica. Quando buscamos uma morte psicológica é sinal que alguma coisa não vai bem com a autoimagem. Portanto, esse é o ponto de referência da identidade social.

Eu aceito minha autoimagem enquanto ela é fator de proteção e aceitação social. Quando ela se torna negativa, eu me perco. Penso em eliminar esta autoimagem. Mas identifico-a com meu corpo e acabo matando a mim mesmo.

Com essa perspectiva, podemos ver o desejo de cometer suicídio como algo muito genuíno. É um desejo real de mudança e transformação.

Veja também:

Risco de suicídio na adolescência

Suicídio de uma filha

Suicídio entre os jovens

Suicídio infantojuvenil

Creio ser muito importante trazermos o tema da morte para nossa vida diária. Há um texto muito bonito de Victor Sanchez, um discípulo de Carlos Castaneda  chamado A Morte como Conselheira.  O texto diz  que sempre que nos desgastarmos em uma situação emocional, seja quando nos sentimos ofendidos, ou quando sentimos rancor ou desejos de vingança,  ou quando somos mesquinhos e nos recusamos ao amor… sempre que nossa importância pessoal se apossar de nós, nestes momentos devemos tirar uns instantes para confrontarmos essa situação com nossa morte iminente. Tirarmos uns instantes para olharmos nos olhos escuros da morte e pedir-lhe conselhos. Até que a morte elimine a mesquinharia e o medo. Até que a morte coloque tudo no devido lugar, na dimensão justa. Poderemos ver então que perto da morte, mesmo as situações mais tremendas do mundo cotidiano na verdade são significantes. Estamos vivos.

Kubler Ross diz que devemos ver a morte como um amigo invisível. Ele diz que a morte é uma companheira  de jornada da vida. E, gentilmente ele nos lembra para não deixar para amanhã o que se pretende fazer.

Então você poderá viver a sua vida, ao invés de simplesmente reagir a ela – tornando-se um reacionário.

As pessoas que mais temem a morte são aquelas que deixaram os sonhos irrealizados. Deixaram projetos para fazer amanhã. E, deixaram para trás questões que realmente importam.

Amar e ser amado. Contribuir de maneira significativa com o crescimento dos outros. Precisamos descobrir qual o sentido da vida.

Não se trata de perguntar qual o sentido da vida, mas qual o sentido que eu dou à minha vida. Daí a importância do autoconhecimento.

Kubler Ross diz que, talvez, a maior lição que aprendeu com seus pacientes foi:

Viva de tal forma que, quando você olhar para trás, não tenha que dizer:

“DEUS, COMO EU DESPERDICEI A MINHA VIDA”.

Aurélia Guilherme – Obrigada professor, o autoconhecimento é base para o renascimento!

Visite o site www.serradaportaria.com.br e se inscreva no workshop “Nascimento, morte e transcendência”, com início em 12 de Janeiro. Depois de tudo o que o mestre da transpessoal nos disse, nada mais tenho a dizer, senão…

O autoconhecimento é a base de tudo!

#AMortecomoConselheira #AuréliaGuilherme #autoconhecimento #autoimagem #autodescoberta #borderline #Brahman #CarlosCastaneda #coração #corpo #depressão # desejo #deusEgípcioOsíris #DeusaIndianaKali #ego #espiritualidade #existência humana #insonia #LSD #morteeressurreiçãodeCristo #psicologiatranspessoalNiltonFerreira #RespiraçãoHolotrópica #síndromedopânico #vidaspassadas #suicídio #WoodyAllen

Comentários