Blog da Aurélia Guilherme | Pé Diabético

Em uma entrevista com o Endocrinologista Paulo Prata, nosso consultor em Diabetes para o Novembro Azul, perguntei sobre uma das temidas consequências do descontrole da doença que é o pé diabético:

Dr. Paulo Prata - Nota Pé Diabético

Dr. Paulo Prata, Endocrinologista, CRM – GO 3446.

“O pé do diabético é um desafio a nós, endocrinologistas, principalmente quando a doença se encontra em estágio avançado. As alterações chegam com graves danos à região de transição da perna ao tornozelo e do pé A neuropatia diabética e suas alterações da sensibilidade dos pés têm sido as maiores responsáveis pelo aparecimento destas lesões de difícil tratamento e de prognóstico reservado. Normalmente, o diabético só se dá conta da lesão quando esta se encontra em estágio avançado e quase sempre com uma infecção secundária, o que torna o tratamento extremamente difícil, devido à insuficiência circulatória. Mas o que pode acontecer com o paciente diabético que se encontra com uma lesão de difícil cicatrização? A seguir você fica sabendo como prevenir o pé diabético e como evitar a necrose e a amputação do membro:

calos-rachadura-pes-vida-e-saude-640x360Boa Vida – Como é a sensibilidade de um paciente pé diabético?
Dr. Paulo Prata – Quando o diabetes está fora do controle as infecções ou problemas na circulação nas pernas e nos pés, como úlceras, isquemias ou trombose são frequentes. Se tratam de Neuropatias que surgem quando o nível de glicose no sangue se mantém alto. Há riscos de amputação, portanto todo cuidado é pouco; é preciso manter taxa glicêmica sob controle e fazer exames regulares. Dormência, perda da sensibilidade local, dores, queimação nos pés e nas pernas, sensação de agulhadas, fraqueza nas pernas. Essas são as queixas mais frequentes. Os pacientes dizem ainda que durante a noite os sintomas se tornam ainda mais evidentes. O problema é que o Diabetes interfere demais na circulação, como o paciente tem pouca sensibilidade, pode não sentir um ferimento qualquer ou mesmo acidental. Mesmo pequenininho, quando surge um ferimento, a dificuldade de cicatrização pode agravar a situação, inclusive exalando mau cheiro extremamente desagradável devido à necrose úmida da gangrena diabética. Os riscos de amputação do membro são potencializados.

Boa Vida – Como o paciente deve se comportar com os pés?
Dr. Paulo Prata – A prevenção é a palavra de ordem. Além de manter os níveis da glicemia controlados; pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 devem passar regularmente por uma avaliação médica dos pés. O próprio paciente deve fazer diariamente um exame dos pés para verificar a existência de frieiras, cortes, calos, rachaduras. feridas ou alterações de cor. Qualquer alteração deve ser imediatamente examinada por um especialista. Deve-se ter uma rotina: pés sempre limpos; lavados com delicadeza, com água em temperatura ambiente para evitar queimaduras; secos por toalhas macias; hidratação constante, inclusive nas cutículas em redor das unhas. Por falar em unhas, ao corta-las, prefira as tesouras de ponta redonda; faça um corte reto, arredondando as laterais e deixe as cutículas intactas. O profissional pedicure precisa saber da doença e redobrar os cuidados para que não surja ferimento algum.

Boa Vida – E quanto aos caçados?
Dr. Paulo Prata – Os calçados devem ser macios e anatômicos, mais fechados para uma proteção mais segura. Devem ser firmes, sem qualquer deformação. Para as mulheres, os saltos devem ser mais firmes e mais baixos. Nada de saltos agulha ou muito altos; apertados, duros, desconfortáveis, pontiagudos ou abertos. As meias devem ser macias, sem costura e de algodão para que haja uma transpiração mais adequada. Evite as de nylon. Cuidado redobrado ao estar descalço, melhor evitar. Isso vale na praia e na piscina. “

Comentários