Bolshoi Pub: rock’n’roll sem fronteiras

Paradoxalmente ao berço da música sertaneja, a capital goiana também é mãe de muito rock’n’roll e suas variadas vertentes. Diversas bandas de qualidade nascem em Goiânia e, depois saem por aí, espalhando qualidade e uma sonoridade aveludada, por onde passam. Felizmente, Rodrigo Carrilho, um dos idealizadores e realizadores do Bolshoi Pub, foi capaz de misturar uma “sonzeira” de peso com um estilo aconchegante, criando uma das casas mais charmosas da cidade.

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Música de qualidade, clima de romance, performances na pista de dança, bebidas requintadíssimas e uma culinária recheada de bom gosto dão o tom do pub mais querido de Goiânia. A seguir, conheça um pouco mais da história desse espaço incrível, que é capaz de agregar uma multiplicidade de significados, em um único contexto.

Rodrigo Carrilho, contribuiu imensamente para a cena de rock’n’roll do Centro-Oeste.

Aurélia Guilherme – Como nasceu o Bolshoi Pub?

Rodrigo Carrilho – O Bolshoi é a minha terceira casa noturna. Comecei no início dos anos 90, com a Suite. Depois veio o Bistrô. Ambas foram bastante inovadoras para a época. O Suite foi a primeira casa genuinamente alternativa. Com uma área de 200 metros quadrados, foi percursora da música eletrônica na capital, além do clássico, rock’n’roll. A casa durou apenas um ano, pois o espaço foi vendido e fomos, praticamente, enxotados do local. A segunda casa foi o Bistrô, que tinha 1.500 metros quadrados e, devido ao tamanho, foi um fracasso, que durou menos de um ano. Depois disso, morei nos Estados Unidos por quatro anos, levantei uma grana e abri o Bolshoi Pub, em agosto de 2004. O Bolshoi foi gerado para suprir uma necessidade. Constatei que as pessoas que tinham o perfil parecido com o meu, isto é, pessoas acima de 30 anos, que gostavam de música de qualidade, estavam carentes de opções. Na época, as alternativas eram, basicamente, barzinhos de cadeiras de plástico. Resolvi então, buscar referências gringas, cervejas importadas, chope Guinness e, imaginei criar em Goiânia, um verdadeiro pub, ao estilo irlandês.

Aurélia Guilherme – O Bolshoi passou por uma grande reforma. Isso se deu por questões burocráticas ou você quis dar uma repaginada na casa?

Rodrigo Carrilho – Já fizemos três grandes reformas. A última e mais complexa, foi quando demos um upgrade nos banheiros, criamos um novo bar de cocktails e anexamos à antiga área de fumantes, que estava sem função. Além da reforma física, adaptamos o conceito de happy hour, com dobradinha e cardápio de petiscos remodelado. Creio que essa reforma chegou na hora certa e os clientes aprovaram as mudanças.

Marina Lima, divando no Bolshoi Pub ao melhor estilo fulgás. 

Aurélia Guilherme – O público do Bolshoi é extremamente específico e fiel. Como você acha que os conquistou?

Rodrigo Carrilho – A casa está fazendo 13 anos e nosso público já mudou bastante. Mas ainda assim, o perfil do cliente continuou o mesmo. Creio que o crédito do sucesso do Bolshoi Pub é o trabalho diário de cada um de nós que trabalha no pub (muitos, destes desde a abertura da casa). Além disso, há todo um cuidado com a escolha das bandas, que se apresentam na casa e com a qualidade dos equipamentos, que os músicos encontram ao seu dispor. Toda essa preocupação com a música, tornou possível a realização de shows que eram realizados apenas em locais bem maiores.

Aurélia Guilherme – Várias bandas incríveis pisaram nos palcos do Bolshoi. Quais você destacaria como shows épicos?

Rodrigo Carrilho – Com muito orgulho, trouxemos ao palco do Bolshoi  Pub ícones como The Doors, Nazareth, The Mission, Mutantes, Robben Ford, Stanley Jordan, Camisa de Vênus, Nenhum de Nós, Arnaldo Antunes, dentre outros. No ano passado, inclusive, tivemos o prazer de receber em nosso palco a Orquestra Filarmônica de Goiás. Provavelmente, somos a única casa deste porte no Brasil, a receber um evento de tamanha importância.

Aurélia Guilherme – Você acredita que ajudou a mudar a cena maçante de sertanejo, quando há alguns anos era só o que existia em Goiânia?

Rodrigo Carrilho – Não mudamos a condição de terra do sertanejo que a cidade carrega. Mas acredito que elevamos o padrão de qualidade dos locais alternativos, além de estabelecer um novo conceito de referência musical. Goiânia é a cidade mais roqueira do Brasil, basta viajar um pouco para constatar isso. Sempre tivemos uma cena de rock muito forte, desde os anos 80, e eu estava lá. Hoje, de acordo com dados da prefeitura, Goiânia conta com 247 pubs em atividade.

Aurélia Guilherme – Como você divide a programação da casa?

Rodrigo Carrilho – A agenda da casa é bem definida, quartas com Karaokê; um domingo ao mês temos o Café Filosófico, que é dirigido pelo professor Will Goya há seis anos; o “Tô nos 30”, sempre no último sábado do mês; quintas, sextas e sábados variamos com bandas de classic rock, blues, rock nacional, Música Popular Brasileira e outras músicas de qualidade.

Aurélia Guilherme – Muitos casais foram formados após se conhecerem no Bolshoi. Alguns constituíram família e, sua casa, mesmo que indiretamente, foi a responsável por isso. Como você se sente propagando o amor?

Rodrigo Carrilho – O Bolshoi Pub é bastante frequentado por casais, pessoas separadas, turma de amigos e turistas. Nós contribuímos de forma natural para aproximação das pessoas, através da música, da cultura e da gastronomia. Nossa preocupação principal é oferecer um ambiente com música de qualidade. Nunca nos preocupamos em atrair as pessoas pelo simples fato da aparência, condição financeira ou qualquer outro motivo. Ademais, se fôssemos reunir todos os casais que se conheceram no pub, casaram e tiveram filhos, certamente iríamos precisar de um local bem maior para acomodá – los, e isso é motivo de orgulho para todos nós.

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Bolshoi Pub depois da reforma, um charme.

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