Câncer de Colo do Útero

9609296_xxl - siteO Câncer de colo do útero é o segundo tumor mais frequente nas mulheres, perdendo apenas para o Câncer de Mama. Existe uma relação estreita entre o HPV e o Câncer de Colo do Útero. Esse é o tema da Ginecologista e Obstetra Fabiana Garcia.

“Não podemos dizer que o Papilomavírus humano (HPV) seja sinônimo de câncer, mas alguns dos mais de 100 tipos diferentes desse vírus, têm potencial oncogênico, quando não há tratamento adequado depois de sua contaminação. São as lesões adquiridas através desse vírus que evoluem para um tumor maligno. O fato é que mais de 95% dos casos de Câncer de Colo do Útero têm origem no HPV. Esse vírus está altamente disseminado no mundo. Além da via sexual, seu contágio se dá pelo compartilhamento de roupas íntimas, por meio de objetos e por mãos contaminadas.

Embora muitas pessoas sejam resistentes ao HPV, não sofrendo suas consequências, em outras, a infecção pode persistir e se transformar em lesões pré cancerígenas. Ao longo do tempo, lentamente, essas células vão se desorganizando e sofrendo pequenas mutações até que se tornam malignas. A falta de um tratamento adequado as modifica ao ponto da malignidade invadir células sadias e aprofundar suas raízes em locais, como: colo uterino, vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca. E quanto mais cedo for o início da vida sexual e maior a multiplicidade de parceiros, maior será a exposição ao Papilomavírus humano. A higiene íntima inadequada e um sistema imunológico deficiente também representam pontos de vulnerabilidade ao vírus.

O que impressiona é que com tanta informação ainda existem tantas mulheres vítimas dessa doença. Se a evolução do Câncer de Colo Uterino é lenta; se suas chances de cura ficam próximas a 100%, quando o tumor é descoberto precocemente, ou seja, se há tempo suficiente para interferir no seu processo de desenvolvimento, qual a razão para que ocorram mais de 20 mil mortes todos os anos? Basta um check up anual para as mulheres sexualmente ativas preservarem sua saúde ginecológica. Os exames de diagnóstico são precisos; para se ter uma ideia, um simples exame de Papanicolau identifica as alterações celulares compatíveis com a infecção pelo HPV, antes mesmo que existam alterações visíveis, como coceira, irritação e verrugas genitais, que, eventualmente, sangram. O tratamento vai depender do estágio e da extensão do tumor. Poderá ser necessária a cirurgia para a remoção do útero e dos gânglios próximos, e as terapias com radioterapia e/ou com quimioterapia para eliminar as células malignas e/ou impedir seu desenvolvimento.

No caso de existir infecção, convém esclarecer que o parceiro sexual também precisa ser tratado para garantir a erradicação do vírus e a proteção contra o câncer. A vacinação é outra medida de proteção importantíssima. As mulheres, principalmente as jovens que ainda não iniciaram a vida sexual, devem ser vacinadas. A vacina protege contra subtipos do HPV responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino e por 90% dos casos de verrugas genitais. São três doses, sendo a segunda depois de um mês e a terceira depois de seis meses, com reforço após cinco anos. Porém, a mulher que cumpre todo esse processo de vacinação, não está totalmente imune ao vírus. Os cuidados preventivos e as consultas periódicas ao ginecologista são de extrema importância para a saúde genital.”

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