Câncer e o envelhecimento da população, com o oncologista Marcus Sampaio

 

A longevidade é um fator que deve ser considerado, quando o assunto é o surgimento do câncer. Quando a vida reprodutiva humana chega ao fim, o organismo perde gradualmente seus mecanismos de defesa. Isso nos torna mais vulnerável aos fatores externos que podem causar a doença. O Câncer e o envelhecimento da população tem uma estreita relação.

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Câncer e o envelhecimento da população – O aumento da expectativa de vida nos deixa mais vulneráveis aos fatores de risco

Câncer e o envelhecimento da população

O artigo do Oncologista clínico Marcus Sampaio (leia-se Oncovida Oncologia) nos faz refletir nossos atuais hábitos do cotidiano. Segundo o renomado especialista, a idade e a excessiva exposição de nossas células à agentes cancerígenos, são fatores importantes para o surgimento das células do mal.  O Câncer e o envelhecimento da população tem muito a ver com a alta incidência de casos.

Quando a vida reprodutiva humana chega ao fim, o organismo perde gradualmente seus mecanismos de defesa. Isso nos torna mais vulnerável aos fatores externos que podem causar a doença.

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Marcus Magnus Sampaio – Oncologista clínico – CRM-GO 7378

Veja o que o nosso consultor em Oncologia nos diz:

“Um dos textos da conhecida escritora americana, Susan Sontag, classifica as pessoas em 2 tipos distintos. Como se elas fossem de duas cidadanias, ou estivessem em reinos diferentes: o reino dos sãos e o reino dos doentes. Apesar do desejo de todos, se manter apenas em um lado, de vez em quando, temos que visitar o outro reino. Ela mesma veio a falecer por um quadro de leucemia, a partir de uma mielodisplasia, uma doença da medula óssea.

Saiba quais são os 10 principais sinais que indicam a presença de um câncer

O ciclo de vida é realmente curioso

Um indivíduo mais jovem, talvez não tenha tido contato com alguma pessoa enferma na família. Isso pode explicar a dificuldade que eles têm de entender as consequências futuras de seus atos, no presente. Entretanto, à medida em que envelhecemos, passamos a perceber melhor esses aspectos de nossa realidade.

Aparentemente, cada geração elege uma doença. Essa doença acaba adquirindo maior relevância dentro do contexto emocional da sociedade. Foi assim com a peste e com a tuberculose. Esses foram desafios do passado. Embora a tuberculose não esteja erradicada e siga causando problemas pelo mundo, essas doenças não causam o mesmo temor.

O aumento da incidência do Câncer

Nesse contexto, o câncer é seguramente uma das doenças que, hoje, geram maior preocupação. Por conseguinte, há inúmeras especulações sobre as causas e até seus tratamentos. Muitos desses tratamentos, sequer têm uma base científica adequada.

De fato, o câncer vem tendo sua frequência aumentada na população mundial. As causas para esse aumento passam pelos atuais hábitos de vida pouco saudáveis. O indivíduo está exposto a agentes capazes de gerar mutações nas células. Agentes vivos, como bactérias e vírus; produtos químicos presentes na fumaça dos cigarros e na poluição; ou à tanta radiação a que somos expostos de formas diferentes nos coloca em risco.

Envelhecimento da população

Mas, um dos fatores primordiais a ser lembrado, é o envelhecimento da população. E, como o envelhecimento entra nessa equação? Hoje o ser humano tem maior expectativa de vida.Desta forma, novos problemas vão surgindo.

Muitos fatores contribuem para esse incremento na expectativa de vida. São melhores hábitos no cotidiano, passando pelo acesso a alimentos com maior facilidade, disponibilidade de saneamento básico até melhores cuidados com a saúde. Porém, viver mais, traz em si, um desafio novo para a espécie humana.

Como manter a máquina humana funcionando por mais tempo? Como controlar as células normais, mantendo-as ativas e funcionantes, se reproduzindo sem erros?

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Câncer e o envelhecimento da população – A população ganha mais tempo de vida e, dependendo da exposição aos fatores de risco de câncer, mais vulnerabilidade para o desenvolvimento do câncer

Todo ser humano vem da união do espermatozoide e do óvulo na fecundação. Isso resulta em um número imenso de divisões celulares controladas e destinadas a cada uma das funções necessárias para sobrevivermos. O sistema de controle da reprodução celular é complexo e extremamente eficiente.

Mas, o que não estava especificado no projeto da natureza era a necessidade de manter esse mecanismo funcionando por muitos anos. Atualmente, a idade se estende muito além da vida reprodutiva humana. 

A natureza e os processos evolutivos estão relacionados a uma maior probabilidade de sobreviver e de gerar filhos. Daí que, com o tempo, os mecanismos de controle vão se deteriorando.

Viver mais significa estar mais exposto ao surgimento de algum câncer. Isso pode ser facilmente verificado, pelas curvas de incidência de casos novos de alguma doença, em uma determinada população.

No caso do câncer, essa incidência é baixa na infância e na adolescência. Se mantém baixa no período de adultos jovens e sobe acentuadamente, a partir dos 60 anos.

Na maturidade, a capacidade reprodutiva cai. Não há mais pressão evolutiva alguma para selecionar mecanismos de controle de divisão das nossas células, por mais eficientes que elas sejam. Conjugado a isso, há maior tempo de exposição a inúmeros fatores que agridem o código genético, explicando a situação.

Esse comentário vem, a propósito, de um artigo interessante publicado recentemente na revista Science. O artigo avaliou os fatores de risco associados ao câncer. A conclusão é  que, em boa parte dos casos, o fator preponderante é o número de divisões celulares em um determinado tecido e não os fatores externos.

Dessa forma, o câncer aconteceria muitas vezes de forma acidental, ou seja, ao acaso (Tomasetti e Bert Vogelstein, Variation in cancer risk among tissues can be explained by the number of stem cell divisions, Science, 02/01/2015: Vol. 347 n. 6217).

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Câncer e o envelhecimento da população – Os riscos do desenvolvimento do câncer estão muito mais relacionados com a idade e aos fatores de risco, do que com a genética

Houve certa celeuma por conta dessas conclusões. Porém, os autores apontaram que, uma boa parte dos casos de câncer, está relacionada ao tempo de exposição a um risco. No caso, os riscos são as divisões em sequência e o surgimento eventual de mutação gênica.

Evidentemente isso não invalida os cuidados com a prevenção e busca por diagnósticos precoces. Aliás, já está comprovado que essas atitudes realmente aumentam a chance de cura de um câncer e o tempo de vida dos pacientes.

Bons ventos…

A conclusão interessante é que os caminhos a seguir na prevenção do coâncer, podem passar pelo aprimoramento dos sistemas de controle. Nós já sabemos que temos essa ferramenta disponível em nossas células. Descobrir como isso acontece, faz parte de um campo amplo das pesquisas científicas atuais e futuras.

Tomando o câncer de mama, como exemplo. Já sabemos que os fatores de risco considerados clássicos, como não ter filhos ou tê-los em pequeno número, baixa amamentação, início precoce da menstruação ou menopausa tardia, entre outros, explicam menos de 50% dos casos. Já, a hereditariedade responde por apenas 10%. A maioria dos casos entra no grupo em que um fator causal não pode ser isolado.

Estimamos que sejam necessários vários eventos de mutação em uma mesma célula. São necessários aproximadamente 6 eventos dessa natureza, para o desfecho do câncer ser possível. Daí, a importância do tempo, ou melhor dizendo, da idade. O Câncer e o envelhecimento da população têm mesmo forte ligação.

Vale ressaltar que, todo câncer é uma doença genética. Quero dizer que todo câncer está relacionado ao controle genético das células. Mas uma minoria (10% dos casos) é hereditária, como no caso do câncer de mama. A questão da hereditariedade, por si só, é um assunto extenso, muito interessante e será abordado futuramente.

Por fim, sabemos que o câncer tem papel preponderante no imaginário e na realidade das pessoas. Além disso, está, em muito, relacionado com o aumento da expectativa de vida. A busca de um controle definitivo vem se tornando mais e mais factível à medida em que o conhecimento avança. Não é um caminho fácil. Mas é, sem dúvida, muito interessante.”

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