Cerveja artesanal: se inspire e faça a sua

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Quem gosta de cerveja, não tem meio termo, sente muito prazer com o suco da cevada. No entanto, com o decorrer dos anos, parece que essa bebida milenar vem perdendo a sua qualidade, quando o assunto é produção em massa. O famoso litrão é capaz de englobar uma grande turma de amigos e tem lá o seu valor agregador, mas por ter um teor alcoólico menor, a cerveja acaba por ser mais consumida pela quantidade, deixando a desejar a qualidade da bebida. Nessa conscientização, os apreciadores da gelada decidiram nada mais, nada menos, do que produzir a própria cerveja. Não é um trabalho simples, mas o resultado garante ser muito prazeroso.

Boa Vida Online conversou com dois apreciadores da cerveja artesanal, que compartilharam conosco um pouco de suas experiências de autoprodução. Antônio Neto, advogado de 24 anos, entrou no processo artesanal da cerveja há pouco tempo, porém, já vem colhendo os resultados gratificantes. Victor Faina, publicitário de 27 anos, já repetiu o processo diversas vezes e, embora não seja tão radical em relação às cervejas comerciais, se mostra um grande interessado pelo processo em si, ainda mais por ter descoberto recentemente uma cervejaria que foi criada por seu tio, em 1904, Uberaba. Esses rapazes nos contam um pouco dessa aventura deliciante e bastante consciente:

O motivo de produzir a própria cerveja

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Selo da cervejaria do tio de Victor

“Falar do motivo que me levou a fazer minha própria cerveja é algo incerto, pode ter sido a minha curiosidade de sempre querer aprender algo novo ou  ter sido “vítima” do boom do mercado de cervejas artesanais, ou, até mesmo, posso dizer que essa é uma inclinação que está no meu sangue – para aqueles que acreditam em alguns “dons” e “interesses” ligados aos genes. Sempre que posso, meu pai e eu, pesquisamos sobre a história a família FAINA. Há pouco tempo, descobrimos um “tio” que teve sua cervejaria em Uberaba em 1904, provavelmente, comprada por uma dessas marcas famosas da atualidade!”, Victor Faina.

“Já há algum tempo, eu acompanhava algumas pessoas que faziam sua própria cerveja por sites, ou canais de TV e, por sempre gostar de fazer “minhas coisas”, pensei que não seria diferente com a própria cerveja, já que é um produto que gosto muito e, apesar de não ser nenhum expert, aprecio tomar uma cervinha toda semana”, Antônio Neto.

As vantagens da cerveja artesanal

“E qual a vantagem de se produzir a própria cerveja? Quanto maior a quantidade produzida, mais viável se torna o custo da bebida. O valor da cerveja artesanal sai bem mais em conta, do que comprar essa mesma quantidade em mercado. No entanto, na minha opinião, a maior vantagem mesmo, é ter o controle da produção e no final, ter um produto seu”, Victor Faina.

“Vejo que a primeira vantagem é o prazer em fazer a própria cerveja – como, na realidade, o prazer em fazer qualquer coisa por si mesmo. Coloco também o foco no custo baixíssimo que é fazer uma cerveja artesanal (chegando aí por volta de R$ 4,00 o litro de uma cerveja artesanal). Fazendo uma comparação, é difícil demais (quase impossível) achar 1 litro de cerveja por esse valor, já que as mais baratas são de péssima qualidade em relação às caseiras ou artesanais,” Antônio Neto.

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Produção de Antônio Neto

O aprendizado do processo

“Eu aprendi a produzir em São Paulo, com o Mestre Cervejeiro Jaime Filho. O processo consiste em aquecer um “suco” de malte, sempre controlando sua temperatura e depois adicionar lúpulo à mistura e, por fim, deixar o líquido fermentar. Ainda tenho pouca prática, ainda estou fazendo alguns ajustes na minha receita”, Victor Faina.

“Aprendi em vídeos pelo YouTube, depois comprei meu material junto com alguns amigos e, acompanhando os tutoriais que o próprio material trouxe, consegui fazer duas levas de cerveja, sendo a primeira, uma Belgian Golden Ale e, a segunda, uma IPA ( Indian Pale Ale), que ficou melhorzinha do que a primeira. Eu ainda sou um bebê na produção de cervejas, fiz apenas três vezes, já que, infelizmente, não tenho muito tempo para esse hobby. É sempre um processo muito prazeroso, porém, um tanto trabalhoso e exige a demanda de um tempinho legal”, Antônio Neto.

A qualidade e o teor alcoólico

“No início, o teor alcoólico e o amargor eram um pouco alto. Para desfrutar a minha cerveja artesanal com meu pai, aceitei as críticas e agora as produzo em um nível de amargor e teor alcoólico bem próximo aos das cervejas comuns”, Victor Faina.

“Bom, à respeito do teor alcoólico, depende muito do tipo de cerveja que se produz, variando aí dos seus 4%,  até mais ou menos 8% para mais. No entanto, pela inexperiência, nas primeiras produções não fiz a medição do teor alcoólico, o que resultou numa cerveja suave (sem graça). Já a IPA ficou em torno dos 6% – não sabendo repassar o teor exato dela. Eu gosto de uma cerveja mais encorpada, mas que não tenha um teor alcoólico tão alto,” Antônio Neto.

Produzir a sua é abandonar a comercial?

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Antonio Neto e seu resultado final

“Mesmo produzindo a minha própria cerveja, nunca parei de tomar as comerciais. Acho uma bobeira você se iniciar nas cervejas artesanais e ter que pensar que isso signifique, consequentemente, que você terá que parar e desdenhar as cervejas comuns, você simplesmente pode tomar os dois tipos de cerveja”, Victor Faina.

“Por ser um cara que milita nos Movimentos Sociais, que lutam em prol da Reforma Agrária, esse é um assunto que me persegue muito. Ninguém realmente quer saber o que vai na cerveja “tradicional” – o que, na realidade não tem nada de tradição, já que os verdadeiros ingredientes de uma boa cerveja, não incluem o milho. Ainda por cima, em nosso país, o milho é um grão completamente modificado geneticamente e afogado em agrotóxico, o que com certeza, irá refletir em nosso organismo de forma negativa. Há uns dois anos eu não consumo esse tipo de cerveja, muito embora seja algo difícil, pois todo local que você vai, acaba tendo acesso as cervejas que são feitas com milhos transgênicos, com raras exceções. Um dos motivos que comecei a fazer a minha própria cerveja foi para tentar diminuir o consumo deste tipo de produto”, Antônio Neto.

Eles indicam

“Se você tiver interesse em fazer a sua própria cerveja artesanal, vai em frente. Qualquer um pode produzir a sua, basta ser persistente”, Victor Faina.

“Acredito que todos possam fazer a sua própria cerveja, por ser um processo barato e muito prazeroso de ser feito. O acesso às matérias primas, bem como aos materiais, como: panelas, baldes fermentadores, entre outros utensílios que são utilizados para fazer a cerveja, vem barateando a cada dia que passa, deixando ainda mais acessível para todos que quiserem participar da produção. Realmente, é um grande prazer poder tomar uma cerveja que você mesmo fez, mesmo ela não saindo do jeito que você quer que saia, pois, de fato é um processo que demanda tempo, dedicação e muito estudo. Uma dica que eu posso dar é investir em boas matérias primas e no tempo de estudo (blogs, livros, acervos e trocas de experiências com outros cervejeiros)”, Antônio Neto. 

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Victor Faina checando a produção

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