Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril mataram nossa mãe

Eram cerca de 5 horas da manhã do dia 18 de Abril de 2018… e, seus olhos se fecharam para sempre. Um mês depois de uma queda estúpida em um degrau com menos de 1 centímetro, na varanda de nossa casa. Um mês de sofrimento e de comorbidades da cirurgia de prótese de quadril  absolutamente evitáveis. Só hoje, 1 semana depois, compartilho com todos, a nossa dor e a crueldade da morte física de nossa mãe. 

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril mataram nossa mãe

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril mataram nossa mãe – Fica difícil acreditar que uma senhorinha cheia de saúde e disposição seja vencida por uma sequência de atropelos do destino

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril

Uma queda foi o início das fatalidades. A partir daí, nossa mamãe iniciou seu calvário. Com a cabeça do fêmur estilhaçada, foi necessária um prótese de quadril. A cirurgia foi feita no dia seguinte e, parecia ter sido bem sucedida. Não fossem as comorbidades da cirurgia de prótese de quadril. Uma obstipação intestinal de poucos dias que não foi cessada e, muito menos, tratada em tempo hábil. Pelo contrário.

A quantidade de medicamentos pós operatórios diminuíam de forma importante todo o movimento do intestino. Estava tudo parado em seu trato digestivo. O abdome se distendia visivelmente. As comorbidades da cirurgia de prótese de quadril já estavam à galope. Diante do quadro, que nos preocupava, com a gravidade que se fazia, chamamos o proctologista Jaime José, médico de mamãe.

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril mataram nossa mãe

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril mataram nossa mãe – O proctologista Jaime José fez a colostomia em minha mãe. Foi um alívio naquele abdome distendido.

Início da luta

Começam a tentar reverter a obstipação com lavagens, injeção de óleo mineral e, depois, sonda retal. Mamãe já sofria de cólicas terríveis. O intestino não se movia, nada acontecia, a não ser a dor e o distendimento progressivo. Ao final da primeira semana, o hospital prefere se eximir de responsabilidades e nos propõe leva-la para um lugar mais preparado.

O dr. Jaime nos encaminha para o Hospital Neurológico de Goiânia. Minha irmã e eu respiramos aliviadas pelo alcance da assistência encontrada ali. A equipe de enfermagem humanizada fez o que pode para evitar nosso sofrimento. Mas, mesmo assim, entramos na segunda etapa desse calvário.

Cólicas terríveis

Até aqui, já eram 11 dias sem que o intestino funcionasse. Mamãe urrava de dor, analgésicos potentes não podiam ser administrados. Eles tiravam ainda mais a motilidade do intestino. Em um procedimento correto, uma pessoa aos 81 anos, que vai se submeter a uma cirurgia que não tem urgência, deveria ser questionada sobre o funcionamento do intestino. Isso teria salvado nossa mãe. Mas, negligências pré-operatórias acontecem a todo momento. Aqui, deixamos o alerta para a importância de uma medicina integrativa e que não fatie pacientes em pedaços ou em doenças. A anamnese, principalmente em um idoso, deve ser perfeita. Infelizmente as complicações decorrentes das comorbidades da cirurgia de prótese de quadril mataram nossa mãe, exatamente 1 mês após sua queda.

2a etapa do calvário

A ambulância nos conduz até a emergência do Neurológico. Ali estava o cardiologista Alberto Las Casas, que há muito não via nossa mãe. Condoído com sua sorte, ele disse que voltaria para vê-la no dia seguinte. Foi a noite mais longa de nossas vidas. No apartamento, mamãe sofria cólicas terríveis de um abdome inerte e distendido, pleno de fezes. Ao seu lado,  permanentemente, eu tentava, na maior parte do tempo em vão, atenuar sua dor, com massagens no abdome. A horas se passavam e, já no amanhecer, nos desesperamos e saí pelos corredores a pedir socorro. Antes mesmo das 7 da manhã, o doutor Alberto Las Casas leva mamãe para a UTI, uma semana após a cirurgia de prótese de quadril. 

3a etapa do calvário

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril

Comorbidades da cirurgia de prótese de quadril – Os doutores Alberto Las Casas e Las Casas Junior, em congresso de Cardiologia. Talvez o maior legado aos filhos sejam valores morais e humanos. O dr. Alberto “pai” foi incrível na passagem de minha mãe pelo Hospital Neurológico

Mamãe deu entrada na UTI do Hospital Neurológico de Goiânia em estado gravíssimo. Com 15 dias de obstipação intestinal, houve extravasamento de toxinas e de fezes no abdome. Ela entrou em processo de luta contra bactérias resistentes. Mamãe já estava ligada a tantos aparelhos que mal podíamos contar. Ela tinha sondas por todos os lados, ânus, uretra, intestino, nariz… Inerte, impotente, incapaz de qualquer tipo de autonomia física. Porém, ela se mantinha lúcida.

Veio a primeira parada cardiorrespiratória. Cinco longos minutos sem respirar e com o coração parado. Aos poucos, sua pulsação respondia aos estímulos daquela maravilhosa equipe intensivista. Ela voltou dessa experiência quase morte com sonda respiratória. Tudo o que ela não queria e sempre nos alertou: -“Não me deixem em uma UTI sozinha e não permitam que me enfiem uma sonda respiratória”!

Uma pausa, para a minha respiração ofegante…

Voltar a este assunto é trazer toda a agonia que ela sofreu. Esta é a nossa maior dor. Do ponto de vista físico, ela lutou bravamente por todas as intercorrências. 

Uma das características mais evidentes de nossa mãe era sua determinação. Quando ela queria algo, ela buscava. E ela queria viver. Ela acreditava que sairia daquela situação. Nós havíamos combinado que eu escreveria sua história nessa passagem por quase morte. Estava tudo combinado. 

Colostomia

O doutor Jaime decidiu pela colostomia. Foi um alívio deixar sair tantas fezes envelhecidas. Uma abertura no abdome externalizou uma alça do intestino, com bolsa coletora de fezes. Assustador de ver, mas o alívio se fez nos dias seguintes. Mamãe respondia aos antibióticos e conseguia baixar sua noradrenalina altíssima. A pressão baixava a zero e precisava ser controlada. A queda de potássio intensa desequilibrava ainda mais todo o quadro de saúde, mas ela era boa de briga.

Novo mal súbito

Tiraram novamente o tubo de oxigênio na esperança de ela ter autonomia respiratória. Mas ela sofreu novo mal súbito um tempo depois e voltaram com o tubo de oxigênio. Decidiram traqueostomiza-la. Uma decisão difícil, porém a traqueostomia traria maior conforto para ela. Agora ela poderia pelo menos falar pelos lábios. Em uma de nossas visitas, era muito duro quando ela nos suplicava para voltar para casa, ou por um pedaço de manga ou por um pouco d’água linguagem labial. Tudo o que ela pedia, recebia não, como resposta. Não podia comer, não podia beber, não podia levantar, não… não… não… Seu olhar de descontentamento nos cortava o coração.

Os netos chegavam, traziam alento. Nosso suporte integral deixava claro à ela, nosso desejo de te-la entre nós novamente. Fazíamos planos de logística, de revesamento de cuidados. Estávamos selecionando cuidadoras. Mamãe, a medicina, a competência daqueles especialistas e a nossa fé estavam vencendo as comorbidades da cirurgia de prótese de quadril. Ela voltaria. 

No dia 16 de Março, mamãe saía da UTI. Seu estado era muito grave, mas o doutor Alberto Las Casas felizmente optou por tira-la de lá. Mamãe pode estar com Nívia e eu nos seus 2 últimos dias de vida. Pode sentir nossa presença física constante. Mas estar fora da UTI nos preocupou ainda mais. Mamãe mostrava sinais estranhos, como os pés amolecidos, sem resposta muscular. Já havia algum comprometimento neurológico, talvez.

As horas se passavam, a guerreira estava enfraquecida. Mas todos a parabenizavam por sair da UTI. Em certo momento nos olhamos. Percebi que seus olhos estavam se distanciando. Comentei com minha irmã e com o dr. Alberto que ela parecia estar desistindo. Ele me disse:

-“Não, isso pode ser fatal”. E mandou que todos os exames fossem refeitos ainda naquela noite.

Deu tempo da minha irmã se despedir e dizer o quanto a amava. Ela desistiu. Seus exames não constaram alterações nas taxas verificadas. Ela realmente quis ir. Só foi, quando quis. Exatamente como ela conduziu sua vida. O comando era seu. Sempre foi. 

Veja seu funeral pleno de honras e glórias, AQUI!

Agradecimentos:

A Deus por nos ter permitido uma convivência de tantos anos, com tanta troca de afeto e experiências riquíssimas entre mãe e filhas

Aos amigos que não nos deixaram em momentos de profunda dor e desespero

À medicina que permite prolongar e lutar pela vida, quase em pé de igualdade com a morte

Aos fisioterapeutas, destaco Bruno e Érica, verdadeiros missionários na difícil tarefa de atender pacientes de UTI

Às fonoaudiólogas delicadas e com a difícil tarefa de reaprendizado da deglutição

À todos os profissionais intensivistas da UTI do Hospital Neurológico de Goiânia, capacitados e humanizados, como em um hospital de primeiro mundo

Aos profissionais  das ambulâncias da Unimed, que  prontamente nos atenderam

Aos médicos que prontamente nos atenderam, em especial, ao dr. Antônio Nabi Curi, dr. Jaime José e dr. Alberto Las Casas. Solidários e capazes de abdicar de domingos, feriados e de dinheiro. A verdadeira medicina se fez presente ao final da vida de mamãe. 

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