Cooperativas financeiras crescem e aparecem

Cooperativas financeiras SICOOB

Em se tratando de Brasil e do nosso suado dinheirinho, entender um pouco mais sobre investimentos é no mínimo prudente. As cooperativas financeiras têm sido uma tendência mundial interessante, porque guardam princípios em que todos colaboram com todos e, por isso, todos ganham. Assim, há vantagens que outras instituições financeiras comuns não oferecem. Trago ao Boa Vida Online, editoria de negócios, um entendimento maior sobre como funciona uma cooperativa financeira com o artigo do diretor presidente do SICOOB Unicentro Brasileira, Raimundo Nonato Leite Pinto.  Talvez essa seja a oportunidade de voltarmos nosso olhar para esse tipo de instituição financeira que mantém o dinheiro na mão do próprio dono.

Raimundo Nonato Leite Pinto SICOOB

Raimundo Nonato Leite Pinto –  diretor presidente do SICOOB  Unicentro Brasileira

“O sistema cooperativo tem modus operandis bem característico e extremamente interessante ao juntar pessoas que desejam aplicar os princípios do cooperativismo, em nosso caso, cooperativismo financeiro, em uma gestão própria das finanças. Portanto, ao invés de ter uma instituição comercial guardando e operando com o dinheiro de terceiros, como normalmente os bancos fazem, no cooperativismo financeiro, as pessoas se reúnem, formam seu grupo e passam, elas mesmas, a gerenciar suas finanças. Esse é mesmo um movimento mundial e é por isso que tantas pessoas, com o mesmo interesse comum, têm optado por essa escolha de investimento financeiro.

Hoje, a representatividade das cooperativas de crédito está na ordem de cerca de 3%. Porém, não faz muito tempo, representávamos apenas 0,5% do mercado e, aos poucos, os números foram crescendo: 1%, 1,5%, 2%, 2,5%, estamos em 3%, com forte tendência de crescimento ainda mais acelerado. Mais e mais pessoas estão descobrindo essa nova forma de gerir o próprio dinheiro, evitando que ele fique em poder de terceiros. Há muitas vantagens em manter esses investimentos nas mãos dos próprios associados.

Antigamente chamadas de cooperativas de crédito, as cooperativas financeiras têm praticamente todos os produtos que uma instituição bancária comercial comum tem. Porém, com o diferencial que chamamos de ‘sobras’, o resultado da aplicação desses recursos em benefício dos próprios investidores ao final de cada exercício. É notório que todos sabem o quanto uma instituição bancária é lucrativa.  Veja o quanto os bancos comerciais lucram, são bilhões por ano que vão para os donos das instituições. Nas cooperativas financeiras, todo esse recurso não vai para um dono e sim para todos os donos. Em nosso caso, são 15 mil e 700 associados. Tivemos 45 milhões de sobras em 2016. Esses montante é dividido entre esses 15 mil e 700 associados, de acordo com o esforço e investimento de cada um, nesse resultado tão positivo.

Quando olho para trás, vejo o início de tudo: a Cooperativa de Crédito dos Médicos de Goiânia. Naquela época, em 1992,  o Banco Central só permitia a existência de cooperativas de crédito por profissão. Tinha que ser bem segmentado; Cooperativa de médicos, dos dentistas, dos engenheiros, dos advogados e, assim por diante. Depois de um certo tempo, houve uma maior abertura por parte do  Banco Central que autorizou que todas as profissões da área da saúde poderiam se unir em uma única cooperativa. Devido a permissão para aumentar nossa área de atuação, deixamos de ser Unicred Goiânia e mudamos o nome para Unicred Centro Brasileira e, mais recentemente, migramos para o Sistema SICOOB, transformando-nos, devido ao nosso tamanho, em uma Cooperativa de Livre Admissão, agora denominada SICOOB UNICENTRO BRASILEIRA.

SICOOB crédito cooperativas financeirasNós somos supervisionados pelo Banco Central do Brasil e seguimos rigorosamente as normas que regulam as instituições financeiras em nosso país, inclusive os grandes bancos do país. Com esse crescimento, nossas operações foram alavancadas. Todos os recursos que transitam na Cooperativa pertencem aos associados. Mais recentemente, com a aquisição de ações do Banco Cooperativo do Brasil – BANCOOB, nos capacitamos para a obtenção de recursos do governo federal, que repassamos aos associados com taxas mais baixas; Administramos nossos próprios recursos, com excelentes resultados ao final de cada exercício, quando fazemos a distribuição das sobras;Com o nosso crescimento e com várias cooperativas fazendo parte de um mesmo sistema, o Sistema SICOOB, aprimoramos nossa qualidade de informação tecnológica. Para se ter uma ideia, o aplicativo  SICOOB, no mobile, já  foi premiado várias vezes, como o melhor, dentre todas as instituições financeiras do país.

Dos depósitos efetivados, cerca de 70% estão aplicados no quadro social, em forma de empréstimo, para que os profissionais possam montar um negócio, uma empresa, um consultório; possam comprar uma casa, um carro, uma fazenda, uma chácara e o que se quiserem. Aplicamos os recursos excedentes em títulos públicos federais, operações seguras, sem risco para os associados. Conseguimos uma boa taxa nessa aplicação por juntarmos os recursos das várias cooperativas que compõem nossa Central SICOOBUNI, formando um montante considerável de recursos, o que nos garante ótima rentabilidade, que é transferida para os associados. O Sistema SICOOB tem mais de 500 cooperativas singulares, que juntam seus recursos nessa aplicação. Nossa Cooperativa que possui mais de 1 bilhão e trezentos milhões de reais de ativos, aplica na centralização financeira aproximadamente R$ 450 milhões mensalmente. Então, dá para se imaginar o que o Sistema como um todo pode conseguir. Grande rentabilidade com bastante segurança”.

Raimundo Nonato Leite Pinto é médico, com 32 anos de formação, especializado em Infectologia, professor universitário da PUC-GOIÁS e da Universidade Estadual de Goiás -UEG. Foi médico do HDT por 33 anos e é um dos fundadores da Unicred Goiânia, em 1992, atual SICOOB UNICENTRO BRASILEIRA. Foi Conselheiro de Administração por vários mandatos e já foi diretor financeiro, diretor administrativo e atualmente é o diretor presidente da instituição.

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