Depressão de Natal e de Ano Novo, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Mais comum do que se imagina, a depressão de Natal e de Ano Novo mexe com o emocional de forma profunda. É preciso uma leitura mais apurada sobre o que fazer para vencer essa angústia. Procuramos quem entende do assunto!

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Depressão de Natal e de Ano Novo – Sentimentos angustiantes e melancólicos são frequentes nesta época do ano

Depressão de Natal e de Ano Novo

Nada como conversar com pessoas positivas e cheias de vida. A psiquiatra e escritora Valéria Avilla tem muito entendimento sobre nossas conexões nervosas e todos os processos emocionais e neurobiológicos que podem nos levar à melancolia de fim de ano. Em entrevista ao Boa Vida Online, ela direciona àqueles que se sentem solitários, à uma nova leitura natalina:

Aurélia Guilherme – Esta é uma época do ano que simboliza encerramento, conclusão de mais uma etapa da vida. Porém tem gente que se torna melancólica nessa época. Qual a sua opinião sobre esses sentimentos negativos, como Depressão de Natal e de Ano Novo, que afligem tantas pessoas?

Dra. Valéria Avilla – O Natal é uma festividade datada para nos reunirmos com a família.  Algumas pessoas se ressentem da ausência de alguns familiares, seja porque faleceram, seja porque estão longe. Porém, quando se faz um luto saudável, essa saudade poderia parecer, como um momento para lembrar-se, deste que se foi, com alegria  e até com risadas, em uma boa conversa entre pessoas que conviveram com aquele familiar amado. Bem, outro fato é que, nem sempre, é no seio da família que encontramos uma companhia acolhedora e gratificante. E por que não? Porque demandamos e exigimos demais desse laço relacional. Tipo: “se ela é minha mãe, minha irmã, minha filha, ela deveria… ” e, aí, toda amizade vai por água abaixo. Então, com certeza, é mais fácil ser amiga de amigos enquanto não paramos de cobrar atitudes e afeto do outro, por razões consanguíneas. Grandes expectativas e demandas azedam o vinho.

Depressão de Natal e de Ano Novo, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Dra. Valéria Avilla – Psiquiatra, Psicanalista e Escritora, CRM – GO 6174

Aurélia Guilherme – Quem se sente com Depressão de Natal e de Ano Novo tem uma tendência maior para desenvolver a depressão patológica?

Dra. Valéria Avilla – Existem depressões que são sazonais. Tratam-se de pessoas que se deprimem em certas estações do ano. Na Europa e em países temperados, é comum pessoas se deprimirem no inverno. Já, no Brasil, em nosso clima tropical, nos períodos que a luminosidade cai muito. Vale a pena lembrar que Goiás tem alta luminosidade e nessa época de chuvas, a mudança é drástica. Isso explica o aumento no quadro de pacientes com esse perfil, nesse período, são casos orgânicos com tendência à maior gravidade.

Aurélia Guilherme –  Na sua opinião, é melhor deixar essa tristeza fluir e vivencia – la ou combate-la?

Dra. Valéria Avilla – Caso se trate de um luto recente, de até três meses, de fato, é melhor deixar vir à tona os sentimentos de perda. Chorar, explorar essa dor da despedida, da separação é necessário e saudável. Se, após três meses, essa dor não tiver sido atenuada, ou, se piorar, não devemos dar guarita para esse sentimento. Necessário, se faz, voltar-se para outras fontes de interesse,  outros objetos do mundo, experimentar novas ligações. Amigos podem ser maravilhosos nessa hora.

Porque não um Natal entre amigos, se a família não é possível? Convide alguém para sua casa, se convide para a casa de alguém. Garanto que a festa do outro também terá um colorido diferente. Afinal, no Natal as pessoas não ficam mais solidárias? Para que se sentir um ser abandonado? Una-se aos solitários e todos não serão mais solitários. Entre no grupo dos “bem acompanhados”.

Aurélia Guilherme – Quando procurar ajuda médica?

Dra. Valéria Avilla – Procure um psiquiatra, quando esse sentimento perdura, como uma dor que já existe há muito e apenas se agrava nessa época. Eu acrescentaria que, mesmo não se tratando de depressão, se o Natal vem apenas para mostrar que suas relações familiares são conflituosas e causam sofrimento, procure um psicanalista.

Se dê um presente de Natal, olhe para você e cuide-se para ser feliz. Todo mundo merece. Até porque, pessoas felizes não fazem mal a ninguém, não são chatas e só melhoram a humanidade.

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