Desgaste cerebral, com a neurologista Marcela Agostinho

Não é exagero dizer que o cérebro humano é uma supermáquina, responsável por controlar funções vitais, diretamente ligadas à nossa sobrevivência. Apesar de todo esse valor, há quem ainda negligencie os cuidados com esse órgão. Em muitos casos, isso acontece de uma maneira inconsciente, quando se adota postura de vida protagonizada pelo estresse, tabagismo, sedentarismo, obesidade e uma série de outros hábitos negativos, velhos conhecidos de tanta gente. Para esses, o desgaste cerebral vem mais rápido.

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Desgaste cerebral

Maus hábitos interferem diretamente nos neurônios e na formação de novas conexões. Consequentemente, há aceleração do desgaste cerebral. E por falar em desgaste cerebral, fomos até o consultório da Neurologista Marcela Agostinho para compreender melhor o assunto. Confira:

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Dra. Marcela Agostinho – Neurologista – CRM – GO 15.200

Aurélia Guilherme – Como ocorre o desgaste cerebral?

Dra. Marcela Agostinho – O desgaste cerebral ocorre de várias formas, sendo que com o avançar da idade, acelera-se este processo. As alterações neurobiológicas podem ocorrer em diferentes níveis: perdas em sistemas (complexo hipocampal, gânglios da base, sistema colinérgico), perdas neuronais (sinapses diminuídas, alentecimento do fluxo axono-plasmático, decréscimo na plasticidade) e nos mecanismos moleculares e celulares (apoptose, danos secundários aos radicais livres, mudanças proteicas).

Para termos uma noção, diariamente são produzidos radicais livres no nosso cérebro. Quando há o desequilíbrio entre a formação de espécies reativas de oxigênio e sua eliminação, com predomínio de produção, diz-se que existe o estresse oxidativo, que pode levar a morte de neurônios.

Diversas doenças neurodegenerativas, como alzheimer, esclerose lateral amiotrófica (ela), parkinson, huntington e outras doenças degenerativas dos gânglios da base, atrofia de múltiplos sistemas e degeneração supranuclear progressiva, são teorizadas, tendo a atividade dos radicais livres como mediadores.

Aurélia Guilherme – Perdemos milhares de neurônios todos os dias, há como recuperar isso?

Dra. Marcela Agostinho – O processo de neurogênese (processo de formação de novos neurônios) é complexo e limitado. Acreditava-se que ocorria apenas no desenvolvimento do cérebro. Porém, recentemente, estudos concluíram que a neurogênese ocorre continuamente, inclusive na idade adulta.

O estilo de vida levado pelas pessoas influencia na formação de novos neurônios durante a vida adulta. Alimentação saudável, prática regular de atividade física, não fumar, não beber e controlar o nível de estresse, são fatores que favorecem o processo. Por outro lado, experiências estressantes aumentam os níveis de glicocorticoides, que são prejudiciais às células cerebrais.

Uma pessoa alcoólatra, de 50 anos de idade, por exemplo, pode ter o cérebro mais atrofiado do que uma pessoa de 70 anos ou mais, que sempre teve hábitos saudáveis. O álcool causa a morte de neurônios e atrofia o cérebro, se usado em exagero. Outro exemplo, um idoso de alto nível intelectual, que fala outras línguas, aprecia a leitura, assiste filmes e noticiários, com certeza tem uma reserva cognitiva grande e uma rede de sinapses muito maiores que um jovem que não teve a oportunidade de se desenvolver intelectualmente. A neurodegeneração deste jovem, por incrível que pareça, será mais rápida, pois suas sinapses já são diminuídas.”

 Aurélia Guilherme – O que é preciso fazer para nutrir o cérebro?

Dra. Marcela Agostinho – Basicamente, é preciso adotar um estilo de vida saudável:

Manter uma dieta rica em alimentos com propriedades antioxidantes (azeite de oliva, abacate, tomate, chá verde), alimentos ricos em ômega 3 (peixes e sementes de chia), vitamina E (cereais integrais, óleos vegetais, castanha do pará), vitaminas do complexo B (carne, leite, ovos, espinafre) e vitamina C (morango, laranja, limão, acerola);

Atividade física regular é imprescindível, assim como noites de sono de qualidade. A melatonina (hormônio do sono que regula o ciclo circadiano), vem sendo cada vez mais estudada. Além de induzir o sono, já se sabe que ela tem ações antioxidantes, antiinflamatórias, antitumorais, imunomodulatórias e cronobióticas, atuando na regeneração celular.

Evitar o estresse, com atividades de lazer e horários de descanso, também são hábitos necessários;

E claro, nutrir o cérebro com ricas leituras, viagens, estudos e boas conversas!

Veja também: Neuróbica, exercícios para o cérebro

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