Diabetes infantojuvenil

Dra. Renata Machado - Diabetes Infantojuvenil - Boavidaonline.com.br

Não tem nada que cause mais sofrimento do que filhos doentes. Mas, embora o impacto do diagnóstico de qualquer doença em nossos pequenos nos faça estremecer, é preciso encarar a realidade e arregaçar as “mangas” para entender tudo sobre o problema e procurar os melhores especialistas e tratamentos. Ainda falando sobre o Dia Mundial da Saúde, que esse ano trouxe como foco principal o Diabetes, justamente porque há um enorme contingente de pessoas que sequer sabem que são portadoras da doença, procuramos uma das mais estudiosas Endocrinologistas do país, que se dedica às crianças e adolescentes, para falar do Diabetes em uma idade em que só deveriam existir o lúdico e as brincadeiras nessa fase tão linda da vida. Cinco perguntas sobre Diabetes infantojuvenil para a doutora Renata Machado:

Dra. Renata Machado

Dra. Renata Machado, Endocrinologista Infantojuvenil, CRM – GO 9070

Boa Vida – Como diferenciar o Diabetes Tipo I do Diabetes do tipo II ?

Dra. Renata Machado – Em pessoas sem Diabetes, as células beta do pâncreas “sentem” os níveis de glicose e produzem a insulina na medida certa e na hora exata para aquele momento. A insulina é um importante hormônio, que faz a glicose, que está circulando no sangue, nutrir as células do corpo; é a insulina que transporta o açúcar para dentro das células. Quando esse processo não acontece, esse açúcar fica circulando junto ao sangue.

No Diabetes Mellitus Tipo I, ocorre uma destruição das células beta pancreáticas pelo próprio sistema imune do paciente; a glicose fica elevada no sangue, enquanto as células literalmente “passam fome”!

Esse é um tipo de Diabetes se inicia, com maior freqüência na infância e na adolescência, mas eventualmente pode ser diagnosticado em adultos. Para a doença acontecer é preciso uma junção dos seguintes fatores: predisposição genética, desencadeares da resposta imune alterada (muitos fatores são estudados: viroses, ausência de aleitamento materno, poluição, deficiência de vitamina D) e fatores desencadeantes (qualquer estresse que leve ao aumento dos hormônios contra -insulina: infecções, trauma, etc).

Diabetes Mellitus Tipo I é um problema que não tem cura, mas pode ser controlado. O uso de Insulina e um estilo saudável de vida deverão ser uma rotina contínua e disciplinada, com acompanhamento médico especializado, conferência dos níveis de açúcar no sangue diversas vezes ao dia e uma alimentação especial associada à prática de exercícios físicos.

Já, o Diabetes Mellitus tipo II, corresponde à grande maioria dos casos da doença, cerca de 90%. As crianças e os adolescentes não estão fora das estatísticas e a principal causa controlável do problema é a obesidade.

No tipo II, o pâncreas produz insulina, mas o excesso de peso cria barreiras levando à resistência que impede a ação do hormônio. Além do acompanhamento médico, o diabetes do tipo II exige uma alimentação especial, exercícios físicos, o uso de medicamentos via oral ou por via subcutânea e, em alguns casos, é necessária aplicação de insulina.

Dra. Renata Machado | Endocrinologista Infantojuvenil | Sintomas do DiabetesBoa Vida – Quais os sinais de alerta que anunciam a doença?

Dra. Renata Machado – Esses são apenas alguns dos sinais que o Diabetes Mellitus pode apresentar. Mas, como podem ser facilmente observados, é fundamental procurar um endocrinologista infantojuvenil:

  • Sede intensa;
  • Fome excessiva, mesmo depois de se alimentar;
  • Perda de peso, mesmo quando a criança se alimenta bem;
  • Visão embaçada;
  • Cansaço e fraqueza;
  • Vontade de urinar com frequência e em grandes quantidades, inclusive durante a noite;
  • Presença de formigas nas fraldas.

Boa Vida – Como deve ser a alimentação de uma criança ou adolescente com Diabetes?

Dra. Renata Machado – A alimentação deve ter equilíbrio. Toda a família deve ajudar incorporando os mesmos hábitos. Assim é mais fácil para a criança não se sentir diferente e aderir à essa rotina. Seria muito difícil uma criança ter consciência de sua saúde e se conectar com um estilo de vida saudável, quando a geladeira de casa tem refrigerantes e guloseimas consumidas pelos pais e pelos irmãos. Os exemplos são fundamentais.

O ideal é que a alimentação seja dividida em seis refeições durante o dia e esteja bem equilibrada em proteínas, carboidratos e gorduras, evitando alimentos ricos em açúcar.

Dra. Renata Machado | Diabetes | InsulinaJá foi dito que a disciplina no tratamento é essencial para um controle adequado da doença. Alguns pacientes não seguem uma tabela glicêmica e o tratamento pode falhar. Portanto, para que a insulina injetada seja bem aproveitada, sugiro que tudo seja anotado, como em uma tabela diária: taxas glicêmicas, doses de insulina, tipo e horário da alimentação, principalmente quando se tratar de carboidratos, tudo o que for relevante deve conter nesse relatório. A saúde dos nossos pequenos diabéticos exige isso, principalmente aqueles que utilizam a bomba infusora. Tudo deve ser feito de forma correta, para que o tratamento seja bem sucedido, evitando as Hipoglicemias despercebidas (disautonomia), ou mesmo as Hipoglicemias graves, com riscos de perda de consciência e crises de convulsão e ainda para evitar o descontrole metabólico, com instabilidade e oscilações glicêmicas. Cuide em dobro da sua criança, caso ela possua Diabetes.

Boa Vida – A senhora pode nos explicar um pouco mais sobre a Hipoglicemia e também sobre a Hiperglicemia?

Dra. Renata Machado – Sim, quando o açúcar, esse potente “combustível” está em falta, ou seja, abaixo de 70 mg/ dl, o organismo passa a emitir sinais de que algo não está indo bem. Nas crianças, os sinais de Hipoglicemia são a irritação, o choro sem motivo aparente e a sonolência. Episódios de Hipoglicemia são comuns quando a criança se exercita sem se alimentar, ou se ela come menos do que deveria. Lembrando que, da mesma maneira que o corpo depende da glicose para funcionar adequadamente, o cérebro também. Por isso, casos severos de hipoglicemia podem fazer a criança desmaiar ou ter uma convulsão. Ao sentir os sintomas da hipoglicemia, a criança pode ingerir um copo de suco ou uma colher de sopa rasa de açúcar ou de mel.

Para que o nosso organismo funcione bem, tudo precisa estar em perfeita sintonia, nem menos, nem mais.

Agora, quando as taxas de açúcar do nosso sangue estão muito elevadas, acontece a Hiperglicemia, uma das condições clínicas características do Diabetes. Sede intensa, perda de peso, cansaço e idas frequentes ao banheiro para fazer xixi, são alguns dos sintomas da Hiperglicemia. Caso as taxas de glicemia não estejam controladas, os pequenos podem sentir náuseas, vomitar e, em casos graves, entrar em coma ou até ir a óbito.
Para tratar o problema basta monitorar rotineiramente os níveis glicêmicos circulantes, se alimentar adequadamente, tomar a medicação ou a insulina corretamente, quando há prescrição médica e beber muita água.

Os pais devem cuidar dos filhos diabético com muita atenção e disciplina. O ideal é ensiná-los a se conectar com seu corpo, medir as taxas glicêmicas e identificar os sinais de descontrole. Isso há de promover maior segurança de que é possível viver de forma ativa e saudável, quando se domina as consequências do Diabetes infantojuvenil.

Dra. Renata Machado | Endocrinologista | Sintomas do Diabetes | Boavidaonline.com.brBoa Vida – Existe alguma relação entre a qualidade do sono e Diabetes?

Dra. Renata Machado – Parece estranho, mas existe sim. Pesquisadores da Universidade de Chicago demonstraram que dormir menos de 5 horas por noite leva à um risco aumentado de desenvolvimento de Pré-Diabetes e Diabetes!

A partir de 3 noites com deficit de sono, já podem ser notadas alterações em diversos exames! Há redução na secreção de GH (hormônio do crescimento), aumento dos ácidos graxos e noradrenalina no sangue, levando a um prejuízo na ação da insulina! No curto prazo, observa-se elevação da glicemia para níveis de pré-diabetes, e em longo prazo, Diabetes. Sono de qualidade e em boa quantidade é essencial tanto para prevenir, quanto para controlar o diabetes!

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