Doença Celíaca – Intolerância ao Glúten, com o gastroenterologista Rômulo Pereira

Imagine o que é não poder comer um pãozinho francês? Pois, há milhões de pessoas com intolerância ao glúten no mundo. O problema é o trigo que, a cada ano, tem seu consumo aumentado. Bons hábitos alimentares não são o forte da maioria das pessoas. A falta de frutas, legumes e verduras, gera desequilíbrio alimentar. Ainda tem os grãos geneticamente modificados, que são um risco à saúde  O alimento é o nosso combustível. Quando não se é seletivo na alimentação com  a comida de péssima qualidade, o corpo padece. A vida moderna favorece o surgimento de doenças crônicas.

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Doença Celíaca

A Intolerância ao Glúten  pode ser entendida como uma reação indesejada do sistema imunológico ao Glúten, um tipo de proteína muito comum na nossa alimentação. O Glúten é encontrado no trigo, na cevada, no centeio, está presente no pãozinho francês nosso de cada dia. 

O resultado dessa reação é uma inflamação na parede interna do intestino delgado, que pode trazer sintomas desagradáveis. Diarreia, anemia e perda de peso são alguns itens de uma lista nada amistosa.

A seguir, nosso consultor em Gastroenterologia e Nutrologia, doutor Rômulo Pereira traz sua leitura sobre a Doença Celíaca. Confira: 

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Dr. Rômulo Gustavo Pereira, Gastroenterologista e Nutrólogo, CRM-GO – 8829

Aurélia Guilherme – O que é a Doença Celíaca?

Dr. Rômulo Pereira – Doença celíaca, ou enteropatia sensível ao glúten, é uma doença intestinal crônica. O intestino desenvolve uma intolerância a uma fração do glúten, chamada de gliadina. Quando o organismo entra em contato com essa substância, o intestino desenvolve uma reação imunológica. Isso ocasiona uma lesão na mucosa do intestino delgado, levando à má digestão e à má absorção de nutrientes.

Aurélia Guilherme – Quais são os sinais mais comuns da Doença Celíaca?

Dr. Rômulo Pereira – Existem manifestações intestinais e extra intestinais decorrentes da Doença Celíaca. Entre as primeiras, ocorre dor abdominal, distensão, flatulência e diarreia, entre outras menos frequentes. Quanto aos extra intestinais, destaca-se a fraqueza, perda de peso, anemia. Além disso, intolerância ao glúten leva a lesões de pele, desordens hormonais, manifestações ósseas, neurológicas, hipotensão postural, deficiências vitamínicas e de minerais. Em crianças pode haver retardo no crescimento.

Aurélia Guilherme – Essa é uma doença difícil de ser detectada? Como a Doença Celíaca é diagnosticada? 

Dr. Rômulo Pereira – As manifestações da doença são bem diversas. Há, desde quadros sutis, até quadros com exacerbações graves. Ao contrário do que se pensa, é mais difícil, quando a Doença Celíaca se manifesta sutilmente. Quanto ao diagnóstico, diante da suspeita, solicita-se o exame sorológico (anti-transglutaminase ou anti-endomísio) inicialmente. Caso seja positivo, é necessário uma biopsia do intestino (colhida por endoscopia), para confirmar o diagnóstico. Em alguns casos, ainda se indica o teste genético.

Há um fundo genético que leva à predisposição da doença, já que é mais frequente em parentes de primeiro grau e portadores. Mas, há a questão imunológica, com a produção de anticorpos e a exposição ao glúten.

Aurélia Guilherme – Em que fase da vida a Doença Celíaca costuma se manifestar?

Dr. Rômulo Pereira – A Doença Celíaca é uma doença que pode surgir em qualquer idade. Porém, mostra-se que há 2 picos de probabilidade. O primeiro, entre 8 e 12 meses de vida e, o segundo, entre a 3a e 4a décadas.

Há casos de evolução crônica sem diagnóstico. Por exemplo: adolescente com baixa estatura, problemas de pele de distúrbios de comportamento. Tem-se mostrado que 20% dos casos estão entre idosos, maiores de 60 anos.


“Não é o excesso que é prejudicial e, sim, qualquer quantidade. No portador da Doença Celíaca, até um grão de trigo pode desencadear a reação imunológica. O consumo de glúten deve ser zero”!


Aurélia Guilherme – De que forma a Doença Celíaca prejudica o organismo? 

Dr. Rômulo Pereira – Inicialmente pelos sintomas, que muitas vezes são limitantes. Em longo prazo, o principal problema da Doença Celíaca se deve às deficiências nutricionais.  A má absorção intestinal leva a doenças ósseas, deficits de crescimento em crianças e adolescentes, má formação congênita, quando em gestantes e alguns tipos de tumores. Lembrando que tudo isso ocorre quando a doença não é adequadamente tratada.

Aurélia Guilherme – Existem outras doenças que podem se associar a Doença Celíaca?

Dr. Rômulo Pereira – Sim. Outras doenças imunológicas, ditas autoimunes merecem uma atenção especial. Elas têm risco aumentado de desenvolvimento da Doença Celíaca. Entre elas, o diabetes tipo I, lúpus, doenças da tireoide, do fígado, etc.

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Aurélia Guilherme – Consumir Glúten em excesso pode desencadear a Doença Celíaca?

Dr. Rômulo Pereira – Somente se o indivíduo for predisposto à doença. Não é o excesso que é prejudicial e, sim, qualquer quantidade. No portador da Doença Celíaca, até um grão de trigo pode desencadear a reação imunológica. O consumo de glúten deve ser zero!

Aurélia Guilherme – A Doença Celíaca tem cura? Como é o tratamento? 

Dr. Rômulo Pereira – A Doença Celíaca é uma doença crônica, com fundo genético e, como tal, não tem cura, mas sim, controle. O tratamento a ser instituído na doença é o de restrição total do glúten da dieta, por toda a vida. Além disso, deve-se corrigir as deficiências nutricionais que estejam presentes. Isto nem sempre é fácil. Inúmeros produtos caseiros são elaborados, com os cereais que deverão ser excluídos, principalmente o trigo. Em se tratando de produtos industrializados isto se agrava mais.

Aurélia Guilherme – Então, Glúten nunca mais?

Dr. Rômulo Pereira – Nunca mais.

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