Doença do carrapato em cães, com o veterinário Rogério Fortes

Eles estão por toda a parte, nas casas, nas ruas, no mato, nos troncos de árvores, nos muros, telhados… Sim, esses monstros com aparência pré-histórica precisam de sangue para sobreviver. Eles vivem à procura de um hospedeiro, de preferência, o nosso pobre cãozinho e causam a doença do carrapato.

Doença do carrapato em cães

Veja a orelhinha desse cachorrinho? A infestação de carrapatos interfere com gravidade o sistema de defesa dos cães. Caso não haja um tratamento adequado, certamente a doença do carrapato vai matar nosso amiguinho

Um único carrapato é capaz de provocar a doença que vai comprometer diretamente os glóbulos brancos. Quer dizer, atacam justamente as células de defesa do peludo. E não há vacina alguma que possa protegê-los. Apenas medidas de prevenção e de higiene. Mesmo assim, nossos peludos estão vulneráveis e é preciso vigilância constante. Os carrapatos adoram nosso clima tropical e os cães são seus hospedeiros preferidos. Conversei com o veterinário Rogério Fortes (leia-se Clínica Amicão) sobre essa terrível doença. A boa notícia é que seu animalzinho pode ser curado. Mas o tratamento deve ser muito bem orientado e prescrito.

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Doença do carrapato em cães

Aurélia Guilherme – Me fale sobre a doença do carrapato?

Dr. Rogério Fortes –  Primeiramente o carrapato pode transmitir quatro doenças diferentes para o cão. E basta apenas um carrapato infectado para transmitir um dos tipos da doença ao cão. A maioria das pessoas pensa que é necessária  uma infestação. Ledo engano. Os tipos da doença dependem do tipo de carrapato. O Erlichia canis e a E. ewingii (microrgonismo) são causadores da erliquiose.  Babesia burgdorferi é causadora da babesiose. Esses dois tipos são os mais comuns. A Anaplasma platys é causadora da anaplasmose. Falamos em quatro tipos da doença. Isso porque uma delas foi anexada ao grupo das anaplasmoses pelo comitê científico que pesquisa sobre a doença no mundo.

 

 

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Um clique de Rogério Fortes com esse doce cachorrinho, encontrado nas ruas e infestado de carrapatos. Não precisamos nem dizer qual era o quadro sanguíneo do pobrezinho. Ele chegou à clínica anêmico e enfraquecido. A doença do carrapato consumia toda a sua vitalidade. Depois de 3 meses de tratamento intensivo, ele está curado e foi adotado por uma pessoa maravilhosa. Hoje ele tem uma vida de rei, longe dos carrapatos Final feliz para essa fofura!

Aurélia Guilherme – Como o carrapato contamina o cão?

Dr. Rogério Fortes – O carrapato se fixa no animal. Para que o cão seja contaminado é preciso que o carrapato se fixe ao animal por no mínimo quatro horas. Assim ocorre, vamos assim dizer, uma migração do hematozoário (microrganismo) causador da doença. Esse hematozoário sai do trato digestivo do carrapato e penetra na corrente sanguínea do cão.

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Aurélia Guilherme – Como a doença se inicia e o que acontece com o seu agravamento?

Dr. Rogério Fortes – A doença tem um comportamento muito sutil. Alguns proprietários só percebem alteração no animal, em um quadro mais avançado da doença. Mas, de maneira geral, o quadro se inicia com a diminuição ou perda de apetite e a prostração. Esses são sinais não específicos. Porém, quando associados com a presença do carrapato, se tornam uma suspeita para o clínico. Há ainda outros sintomas. A febre, que não deve ser avaliada pelo focinho, e anemia pelas mucosas (gengiva, conjuntiva dos olhos e órgãos genitais). Em casos mais graves, o paciente pode apresentar hemorragias nasal, urinária, ocular e até pontos de sangue na pele. Lembrando que a doença transmitida pelo carrapato pode levar ao óbito.

Aurélia Guilherme – A doença do carrapato pode acontecer com gatos?

Dr. Rogério Fortes – O gato pode se infectar pelo Anaplasma e pela Erlichia. Porém, o transmissor é a pulga. Mas são espécies específicas, ou seja, o gato se contamina pelos do grupo catti.

Aurélia Guilherme – Como evitar que o carrapato se aloje no cão?

Dr.  Rogério Fortes – Hoje existem vários métodos de proteção. Os pour-on, que são aqueles produtos aplicados na nuca e no dorso do animal, e as coleiras. O método mais moderno e eficaz são os “comprimidos” de uso oral. Porém, nenhum método é 100% eficaz. Os comprimidos são apenas para os cães.

Aurélia Guilherme – Como controlar uma infestação no ambiente?

Dr. Rogério Fortes – Dedetização. Porém, ela deve ser feita por três vezes consecutivas. Por exemplo: três finais de semana consecutivos. Escolhe-se um dia da semana e, a cada sete dias, repete-se a dedetização. Deixe passar duas semanas e se repete a dedetização por mais três semanas seguidas. Todo esse processo visa quebrar o ciclo reprodutivo do carrapato. Existem empresas que fazem esse tipo de serviço. Mas, o proprietário da casa também pode fazê-lo. Basta comprar o produto de combate em casas agropecuárias. Porém, todo o cuidado no manuseio do produto. Utilize todos os equipamentos de segurança pessoal e também com os animais e as pessoas do ambiente. Não podemos nos esquecer que estamos lidando com veneno altamente potente.

Aurélia Guilherme – O tratamento da doença do carrapato tem cura?

Dr. Rogério Fortes –  A doença do carrapato, quando diagnosticada precocemente tem uma chance maior de cura. Utiliza-se medicamentos orais em um tratamento que pode chegar a ter 28 dias de duração. Casos mais graves podem se tornar um desafio até mesmo para o médico veterinário. Algum pacientes necessitam até de transfusão sanguínea. O diagnóstico e o tratamento devem ser feitos sempre pelo médico veterinário.

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