Doença Periodontal Canina, com a Médica Veterinária Fernanda Aquino

Doença Periodontal é a inimiga número um da saúde bucal dos cães. Estima – se que cerca de 80% deles, em idade adulta, padeçam deste mal, que se não for tratado a tempo, pode desencadear várias outras patologias, ao ponto de comprometer órgãos vitais, como o coração, por exemplo.

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Visando promover um maior entendimento sobre o assunto, procuramos a Médica Veterinária Fernanda Aquino, que atua na área da Odontologia Veterinária, para uma entrevista sobre a Doença Periodontal Canina . Confira:

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No clique, a Médica Veterinária Fernanda Aquino está ao lado de Fera Regina, uma de suas pacientes. Visitas regulares ao consultório da doutora Fernanda fazem parte da rotina de cuidados dessa cadelinha e a mamãe, a Advogada Joysa Guimarães não se descuida!

Aurélia Guilherme – Afinal, o que é Doença Periodontal Canina?

Dra. Fernanda Aquino – A Doença Periodontal Canina é o resultado da resposta inflamatória à placa bacteriana limitada ao periodonto. Um conjunto de tecidos que revestem e envolvem os dentes e é composto  pela gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. A gengivite e a periodontite as formas ativas da doença.

Aurélia Guilherme – Quais são os sinais de que o cachorro tem doença periodontal? Do que os donos devem desconfiar?

Dra. Fernanda Aquino – Geralmente, um dos primeiros sinais que o animal apresenta é a halitose (mau cheiro na boca, decorrente da putrefação dos tecidos e da fermentação bacteriana) e a gengivite (inflamação na gengiva, que passa da cor rosada para avermelhada). Os proprietários devem ficar atentos à sinais como a presença de odor bucal, o famoso bafinho. Além disso, também é preciso observar algumas mudanças de comportamento do pet. O fato de apresentar dificuldade para se alimentar, parar de brincar, tornar-se agressivo, não deixar tocar na cabeça ou na boca, esfregar as patas na face, a face no chão, ou apresentar sangramentos na boca são alguns dos sinais de alerta.

Aurélia Guilherme – Quais as raças mais propensas a desenvolverem esse tipo de problema?

Dra. Fernanda Aquino – As raças de pequeno porte são as mais suscetíveis à Doença Periodontal Canina. Yorkshire, Shih-Tzu, Pinscher, Maltês e até mesmo os vira-latas menores são as mais predispostas, em razão da própria anatomia e/ou distribuição dos dentes na arcada dentária. Porém, qualquer outra raça pode desenvolver a Doença  Periodontal Canina se não houver o hábito da profilaxia oral. Nestes casos, recomenda – se visitas periódicas (semestrais) ao dentista veterinário.

A Doença Periodontal não é uma exclusividade dos cães. Nós, seres humanos, também estamos sujeitos a desenvolver esse mal, principalmente na terceira idade. Clique aqui e confira a entrevista em que a Odontogeriatra Maria Letícia Rassi Guimarães fala sobre o assunto

Aurélia Guilherme – Fale dos fatores que desencadeiam a formação de placa e tártaro, levando ao desenvolvimento da doença periodontal:

Dra. Fernanda Aquino – A placa bacteriana é um material pegajoso, que se forma sobre a superfície dentária. Se não for removida, ela evolui para a placa mineralizada (cálculo / tártaro). Portanto, o fator que desencadeia sua formação é a sua não remoção. Especificamente, a ausência da escovação dos dentes. Vale ressaltar que, alguns alimentos (mais úmidos) podem contribuir para o acúmulo de sujidade e, consequentemente, a formação de placas e de cálculo.

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A perda dos dentes é uma das principais consequências da Doença Periodontal

Aurélia Guilherme – Que consequências a Doença Periodontal  Canina pode ocasionar? 

Dra. Fernanda Aquino – Na maioria dos casos, a Doença Periodontal Canina é irreversível. Quanto maior o grau da lesão, mais osso e tecido mole da boca são perdidos. Consequentemente, o ligamento periodontal é separado do osso alveolar. Por fim, o dente também é perdido. Em alguns cães de grande porte, a gengiva responde à placa bacteriana, quando de forma crônica, por meio da hiperplasia gengival inflamatória (crescimento da gengiva “para cima”, cobrindo o dente – coroa).

Além dos danos orais, também podem ocorrer efeitos sistêmicos. Com a mastigação (movimentação dos dentes no alvéolo), as bactérias invadem os vasos sanguíneos e linfáticos, ocasionando lesões e inflamações em determinados órgãos (rins, fígado, coração), que podem levar a insuficiência das funções e, em casos mais graves,  provocar a morte do animal.

Aurélia Guilherme – Como a Doença Periodontal é tratada?

Dra. Fernanda Aquino – Uma vez  diagnosticada, o tratamento consiste na eliminação da causa da Doença Periodontal Canina, através de raspagem da placa e do cálculo (supra e subgengival), aplainamento e polimento da superfície do dente pelo dentista veterinário. Em alguns casos, a administração de antibióticos e a aplicação de anti-sépticos, antes e após o tratamento, também são recomendados. Posteriormente ao tratamento, o proprietário é quem deve garantir que a placa bacteriana não se acumule novamente, através da escovação dos dentes do pet.

Aurélia Guilherme – A prevenção é a maior arma contra a a doença periodontal. Com que frequência os cães devem escovar os dentes?

Dra. Fernanda Aquino – O ideal é que o proprietário faça a escovação diariamente. No entanto, caso não consiga, que faça o mais próximo disso, três ou quatro vezes por semana.

Aurélia Guilherme – Quais as principais características de uma boca saudável?

Dra. Fernanda Aquino – Normalmente, um cão com a boca saudável apresentará a gengiva rosada, sem sangramentos, dentes branquinhos e ausência de mau hálito.

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