Empreendedorismo em Aparecida de Goiânia

Dr. Osvaldo Zilli - Empresário e Dr. Márcio Pimentel - Advogado Empresarial e Tributarista

O presidente da ACIAG, Osvaldo Zilli, recebe o Advogado Empresarial e Tributarista, Márcio Pimentel durante a entrevista ao portal boavidaonline.com.br

Existe um lugar no Brasil, em que pode ser comemorado o Dia do Trabalho: Aparecida de Goiânia, Goiás. Essa cidade, com aproximadamente 500 mil habitantes, é um município pujante, com fortíssima vocação para área logística e para a indústria, pela sua localização geográfica, às margens da BR 153, que corta o brasil de sul a norte do país. Enquanto empresários brasileiros mergulham em profunda crise, com milhões de demissões país afora, aparecem milhares de oportunidades em Aparecida de Goiânia, que contrata mão de obra, principalmente em seus quatro Polos Industriais, sendo que o quinto está em fase de implantação. Hoje, essa cidade, que já foi considerada apenas um dormitório de Goiânia, assegura o 3º maior PIB do Estado Goiás, com crescimento de aproximadamente 20% ao ano. Aparecida de Goiânia abriga em seu Parque Industrial, empresas do porte da BRF, Seara, Merck Sharp, Raia Drogasil, Monsanto e distribuidoras como JC, Real Distribuidora, Mega Forte, industrias como Luztol, Leinertex, MPollo, Sallo, Fritz e muitas outras. São milhões em infraestrutura; essas empresas contribuem com cerca de 6% do total das riquezas produzidas no Estado, com extraordinária arrecadação de ICMS. Boa Vida conversou com o presidente da ACIAG, Associação Comercial de Aparecida de Goiânia, Osvaldo Zilli, proprietário da Transzilli Expresso e Logística, um catarinense que há 15 anos chegou a Aparecida de Goiânia. Mas, já estava escrito, antes mesmo de conhecer Goiás, o senhor Zilli pressentia que aqui seria sua morada. E foi assim que aconteceu!

Boa vida – Qual a história dos polos empresarias de Aparecida de Goiânia?

Sala de granulac‹o planetaria  na fabrica da Merck Sharp & Dohme, em Campinas. setembro de 2004 © Marcello Vitorino/Fullpress fullpress@terra.com.br

Trabalhador da Merck Sharp & Dohme

Sr. Osvaldo Zilli – Aparecida de Goiânia despertou para sua vocação industrial no final dos anos 80, com potencial crescente de investimentos em infraestrutura e logística de transportes. O acesso facilitado às rodovias, nossa excelente localização geográfica, estamos bem no centro do país e isso nos conecta às principais regiões brasileiras, um atrativo e tanto para empresas de todos os lugares. Além disso, há todo um conjunto de fatores que favorecem a instalação de empresas em nossos Pólos Industriais. Este é um município em que todos, público e privado, se convergem a um mesmo objetivo: prosperidade. Portanto, com o apoio de todos, fica menos difícil empreender por aqui.

Hoje, temos seis Polos Industriais e outro, em fase final de construção, além de um polo tecnológico que já está concluído, aguardando instalações de empresas do ramo tecnológico: Polo Empresarial Goiás; Parque Industrial de Aparecida de Goiânia vice Presidente José Alencar, Distrito Industrial Municipal de Aparecida de Goiânia – DIMAG, e outro, de jurisdição estadual, Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia – DAIAG, Polo Tecnológico e All Park (privado). Nesses polos, estão instaladas mais de 450 empresas que fabricam produtos de diversos segmentos industriais e mais 150 empresas que estão vindo para o quinto polo que brevemente será instalado. Enquanto as empresas de outras cidades demitem funcionários, Aparecida de Goiânia mantém seu quadro de funcionários, com espaço para novas contratações. Nós temos aproximadamente 300 empresas associadas à ACIAG, que empregam cerca de 21 mil pessoas no Polo Goias; 9.500 pessoas, no Polo Vice Presidente Jose de Alencar; 3.500 trabalhadores, no DIMAG e 5.800 no DAIAG.

Boa Vida – Qual o papel da ACIAG junto aos empresários?

Sr. Osvaldo Zilli – Trabalhamos com o interesse de unir ainda mais os empresários locais para brigar com força pelos nossos objetivos, dissolvendo com maior facilidade os entraves fiscais e operacionais que vão surgindo pelo caminho. Quantas vezes nos deparamos com leis desfavoráveis aos empresários? Nós mantemos esse país e somos, na maior parte do tempo, considerados vilões. Por isso, não perdemos tempo. Estamos sempre nos reunindo, trocando idéias e experiências, além de constantemente trazermos para palestras e bate papo, promotores, juízes, políticos, fornecedores, secretários de governo e representantes de várias autarquias. Fortalecemos o papel da ACIAG junto aos principais canais de decisão empresarial do País, Estado e Município, defendendo nossos legítimos interesses. Outra de nossas atividades vai de encontro ao suporte que os empresários precisam na formação profissional, na educação do trabalhador e de seus dependentes, na orientação sobre gestão eficiente e na certificação de processos e de produtos.

Boavidaonline.com.br | TransZilli

Há 15 anos, o sr. Osvaldo Zilli chegava a Aparecida de Goiânia para abrir a Transzilli. Hoje, essa empresa tem 800 funcionários.

Boa Vida – O senhor foi eleito pela segunda vez para estar à frente da ACIAG. Quais são os desafios dessa sua segunda gestão?

Sr. Osvaldo Zilli – Nessa gestão, precisamos trazer os serviços que Aparecida de Goiânia ainda não possui, como o Detran, a Juceg, o Vapt Vupt dentro da ACIAG e outros, para que os nossos associados não precisem ir até a Capital do Estado para resolver questões que poderiam ser solucionadas por aqui, sem desperdício de tempo com deslocamentos. Gasta-se pelo menos um período do dia para ir até a Capital, resolver questões que em uma, no máximo, duas horas seriam resolvidas por aqui. Também está em nossos planos, a construção de uma nova sede mais confortável para nossos associados.

Mas, no atual momento, nosso maior desafio é nos mantermos vivos e ativos, frente a esse cenário terrível da economia e da política. A quantidade de tributos é um obstáculo para que as empresas prosperem. A ACIAG oferece apoio na organização operacional e tributária dos nossos associados e se une a outras entidades, associações e segmentos organizados da economia para ganharmos força para impor nossas prioridades. Somos constantemente penalizados com mais despesas e tributos e está muito difícil suportar tamanho peso financeiro. No que se refere ao município, temos um relacionamento profissional como Governo do Estado e a Prefeitura Municipal e com os vereadores. Estamos sempre trabalhando no coletivo, lutamos constantemente pela redução dos impostos. Para ser empresário atualmente nesse país, é preciso ter muita perseverança e apostar no próprio negócio, tem que ter muita fé e boa vontade para sobreviver.

Boa Vida – O empresário brasileiro tem pouco conhecimento sobre tributos. Qual a sua opinião sobre o assunto?

Sr. Osvaldo Zilli – Concordo. A maioria dos empresários baixa a cabeça e trabalha sem muito planejamento. Muitas vezes, paga-se impostos sem que sequer houvesse a necessidade disso. Assessoria mal feita da contabilidade, falta de conhecimento e má gestão são sinônimos de prejuízo empresarial. Esse tipo de empresa precisa de uma assessoria tributaria e empresarial que dê o suporte necessário e que apresente alternativas de controle financeiro eficiente e transparente. Nosso empresários são muito fechados e boa parte deles passa pelas dificuldades e vai até as últimas consequências para pedir ajuda. Alguns esperam “quebrar”, antes de procurar conhecimento garantido para sanear o prejuízo e encontrar saídas para continuar com equilíbrio.

Boa Vida – Qual a realidade das empresas de Aparecida de Goiânia?

Sr. Osvaldo Zilli – Nosso país tem 27 Estados com problemas empresariais sérios. Goiás está um pouco melhor do que os demais, uma vez que somos privilegiados pelo agronegócio, pelas indústrias farmacêuticas e por uma questão logística. Estamos localizados no meio do país e isso facilita a conexão com nossos clientes. Felizmente, os nossos associados têm os pés no chão, comparados aos outros Estados, ainda temos mais fôlego do que os demais. Mas, a ACIAG está atenta a todos os problemas de nossos associados, estamos lado a lado com os empresários, nos reunimos com frequência , trocamos idéias, nos ajudamos, nos incentivamos a novas oportunidades que surgem.

Muitos de nós, plantamos bons frutos, previmos a crise e corrigimos nossos erros no tempo certo. Agora, enquanto tantos empresários passam por dificuldades, colhemos o controle da situação. Para quem se planejou e se preparou para enfrentar a crise, essa é uma boa hora de colher os frutos e aproveitar as oportunidades que surgem.


Boa Vida – Como um catarinense veio parar em Aparecida de Goiânia?

Sr. Osvaldo Zilli – Um catarinense desafiador, sempre buscando novos caminhos. Por coincidência ou não, eu já gostava de Goiás sem mesmo nunca ter estado aqui antes. Minha cor preferida sempre foi o verde; minha empresa é pintada de verde. Mas e 1998, diante da primeira oportunidade de conhecer Goiás, me encantei por essas terras, comprei essa área e em Setembro de 2001, me mudei com a família para cá. Fui muito bem recepcionado, a cidade me apoiou e crescemos bastante. Tenho certeza que tem o dedo de Deus nessa história. Vim parar no lugar certo e na hora certa. Me tornei um próspero empresário do transporte, armazenagem e distribuição. Tenho uma empresa sólida, que gera cerca aproximadamente de 800 empregos diretos. Sou feliz em estar aqui e me considero um filho de Goiás.

Aparecida de Goiânia

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