Espondilite Anquilosante, com o Reumatologista Glaydson Jerônimo da Silva

As doenças reumáticas são terríveis. Começam ali, timidamente, com uma dorzinha, algum inchaço. Em boa parte dos casos, negligencia-se esse sinais, até que a pessoa se torne inválida e saia de circulação. É o que eu chamo de aposentadoria precoce. O diagnóstico é fundamental, mesmo com todo arsenal terapêutico que estabiliza e até atenua os males reumáticos, quando o problema ainda está em um estágio inicial.

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E, por falar em doenças  reumáticas,  Espondilite Anquilosante ou Espondiloartrite é o assunto dessa entrevista que fiz com o Reumatologista Glaydson Jerônimo da Silva, para o portal Boa Vida Online. Pense na dor e na agonia dos ossos se fundindo e se tornando menos flexíveis? Você precisa ler essa entrevista:

Aurélia Guilherme – Que doença é essa, doutor?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Hoje, os conceitos atuais consideram a Espondilite Anquilosante dentro de um grupo maior de doenças, chamado Espondiloartrites. Essas doenças têm em comum a característica de uma lombalgia inflamatória, ou seja uma dor lombar, que piora com o repouso, além de outros aspectos fisiopatológicos e genéticos.

Aurélia Guilherme – Estava lendo sobre o assunto, a hereditariedade é um fator importante no aparecimento da Espondilite Anquilosante. Quais são os riscos dos filhos herdarem essa patologia?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – A Espondilite Anquilosante caracteristicamente tem um marcador genético, conhecido como HLA B27,  que confere maior susceptibilidade, o que não quer dizer que a presença deste, seja diagnóstico de doença, apenas maior risco, e que se transmite de pais para filhos.

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Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Reumatologista, CRM-GO 8790

Aurélia Guilherme – Como se chega ao diagnóstico?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Para esta doença, utilizamos alguns critérios classificatórios, sendo o sintoma mais importante, a dor lombar maior que três meses, que piora com o repouso e que melhora com exercícios. A presença de inflamações oculares, como uveítes, também são importantes, bem como artrites de articulações periféricas, ou seja, nos braços e nas pernas.

Aurélia Guilherme – As primeiras manifestações da doença podem ocorrer na infância?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Sim, mas neste caso damos o nome de Artrites Crônicas da Infância.

Aurélia Guilherme – A coluna, o quadril, os joelhos, os ombros são as articulações mais frequentemente atingidas?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Caracteristicamente, a Espondilite Anquilosante acomete a articulação sacroiliaca (uma articulação do quadril), e progressivamente acomete toda a coluna. Também pode acometer quadril, ombros, joelhos e outras articulações.

Aurélia Guilherme – Quando li sobre os ossos se fundindo, imaginei a dor e desconforto de um paciente. É possível descrever esse quadro de desconforto sobre como se sente um paciente com Espondilite anquilosante?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Como dito, é uma dor constante na região lombar e quadril, que perdura por meses e até anos, sem diagnóstico e tratamento adequados. O paciente começa a dormir mal, pois a dor piora no repouso. Como no Brasil temos o hábito da auto-medicação, este paciente começa a usar anti-inflamatórios cronicamente, pois estes melhoram parcialmente a dor. Uma vez feito o diagnóstico correto, deve-se instituir prontamente o tratamento que visa a remissão completa da doença, ou seja, acabar com a dor e a rigidez características desta.

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Aurélia Guilherme – Além dos riscos das doses excessivas de anti-inflamatórios, sabemos que quando se exagera nos analgésicos, há riscos da pessoa se intoxicar. Qual a dose limite de paracetamol e o tramadol, frequentemente ingeridos durante os estados de dor?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – A dose máxima segura de paracetamol a ser ingerida por dia, é de 4 gramas, considerando um comprimido comum de 750 mg, poderíamos ingerir com segurança até 5 comprimidos por dia. No caso do tramadol, recomenda-se dose máxima diária de até 200 mg por dia. Aqui, cabe mais uma vez ressaltar o risco comum de uso abusivo de analgésicos e sobretudo de anti-inflamatórios.

Aurélia Guilherme – Há algum medicamento capaz de modificar a história natural da doença?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – A medicina evoluiu muito nas últimas décadas e hoje falamos em tratamentos que propõem a remissão completa da doença, ou seja, a interrupção da doença.

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Coluna saudável X coluna com Espondilite Anquilosante

Aurélia Guilherme – Esses medicamentos danificam o estômago? Há necessidade de algum protetor gástrico?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Inicialmente, utilizamos anti-inflamatórios e outras drogas, que modificam a doença, por via oral. Neste caso, recomendamos o uso de protetores gástricos. Caso estes não funcionem, optamos por drogas desenvolvidas por engenharia genética que alteram os mecanismos imunológicos envolvidos na gênese da doença e que têm ação bastante eficaz.

Aurélia Guilherme – Há como reverter os danos da função articular?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Os danos articulares precisam ser bem avaliados. Muitas vezes, o paciente apresenta um quadro inicial de intensa rigidez articular, mas ainda não tem um dano estrutural evidente.

Aurélia Guilherme – A partir de que estágio começam a surgir as deformações e como elas se apresentam? É possível evitá-las?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – A doença usualmente tem um curso lento, destruindo o paciente lentamente. Em outros casos, vemos uma doença bastante agressiva e rápida. Então, o correto é buscar ajuda médica, tão logo observe os sintomas. Assim, com tratamento adequado e precoce, evita-se as deformidades típicas da doença.

Aurélia Guilherme – Há algum tratamento cirúrgico e de reabilitação das articulações lesadas?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Para todos, em especial nos pacientes espondilíticos, se recomenda atividades físicas. A reabilitação específica ou tratamento cirúrgicos vão depender do grau de acometimento da doença.

Aurélia Guilherme – É verdade que a atividade física exagerada, traumatismos pré-existentes ou o tipo de dieta  têm qualquer influência em quem tem predisposição ao problema?

Dr. Glaydson Jerônimo da Silva – Usualmente não. Mas sempre que exageramos vamos colher os frutos, muitas vezes indesejáveis deste abuso.


O mais importante para esta doença é o conhecimento. Então, sempre que encontrarmos alguém com dor nas costas que perdure por mais que três meses, deve-se buscar assistência médica. Uma vez bem diagnosticado e com o tratamento instituído, o paciente poderá ter uma vida praticamente normal.


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