Gastrite, com o doutor Osmar Terêncio Júnior

A gastrite é uma inflamação da mucosa que reveste as paredes internas do estômago. Ao contrário do que muitos imaginam, não vira úlcera e muito menos câncer, mas pode ter uma relação direta com a obesidade. Prova disso é que a compulsão alimentar é um dos principais sintomas desse mal.

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Além da sensação de queimação, a compulsão alimentar é outro sintoma importante da gastrite. Isso faz doença um problema comum entre os obesos

Além disso, uma dor na parte superior da barriga, popularmente apelidada de “dor na boca do estômago”, náuseas, vômitos e uma sensação de queimação, também estão entre os sintomas mais comuns da Gastrite. Na entrevista a seguir, o Cirurgião do Aparelho Digestivo, doutor Osmar Terêncio Júnior, responde a uma série de questões sobre este mal. Confira:

Aurélia Guilherme  – Fiquei surpresa e curiosa com a informação de que o senhor faz tratamento de gastrite associado ao tratamento da obesidade. Explique como é isso: 

Dr. Osmar Terêncio Júnior – Primeiro vamos definir gastrite de uma forma simples e compreensível. Trata – se de uma inflamação que atinge a camada celular mais superficial do estômago. Pode ser aguda, com duração de três a sete dias, ou crônica, com duração de mais de uma semana, com persistência de sintomas. Entre os vários sintomas da gastrite está a compulsão alimentar. Um mal provocado por uma falsa sensação de fome, devido a produção excessiva de ácido clorídrico, que manda informações ao sistema nervoso, com o objetivo de neutralizar a acidez. Isso faz com que o paciente se alimente sem necessidade, provocando um desequilíbrio entre ingestão e queima de energia. O excesso é acumulado em forma de gordura e resulta em obesidade.

Ao longo dos últimos anos, observando os resultados do tratamento de gastrite em pessoas obesas, percebi uma perda de peso de cerca de quatro quilos ao mês, controlando apenas os sintomas da doença (a técnica não é válida para obesos com patologia associada, como hipotireoidismo, por exemplo). Um tratamento de obesidade pode ser muito mais bem sucedido se houver um estudo do aparelho digestivo. Medicamentos que atuam no sistema nervoso, não inibem o reflexo da fome causado pela hiperacidez gástrica. Dessa forma, o paciente não emagrece ou emagrece pouco, havendo um retorno rápido do estado inicial de obesidade.

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Dr. Osmar Terêncio Júnior – Cirurgião do Aparelho Digestivo, CRM – GO 6200

Aurélia Guilherme – É muito comum obesos terem problemas estomacais como a gastrite? Por que?

Dr. Osmar Terêncio Júnior – É muito comum mesmo. A obesidade pode ser coadjuvante de patologias do trato digestivo associadas ao excesso de peso. Hérnia hiatal, esofagite, gastrite, úlcera péptica, colites, alteração do hábito intestinal, hemorroidas, fissura anal e pedras na vesícula, são alguns exemplos disso. A obesidade é vista na medicina, como uma doença grave, a longo prazo incapacitante e que, em muitos casos, pode abreviar a vida do paciente ou retirá – lo da vida social. Nos casos de obesos graves, é aconselhável a cirurgia para redução do estômago.

Aurélia Guilherme – Existe uma crença bastante disseminada de que uma gastrite pode se desenvolver para uma úlcera ou até mesmo para o câncer. Essa ideia procede?

Dr. Osmar Terêncio Júnior – Qualquer doença ou irritação crônica, a longo prazo (cinco a dez anos), pode sofrer uma degeneração maligna, o câncer. Mas não existe nada cientificamente provado de que a gastrite vira câncer ou úlcera ou que úlcera vira câncer. Gastrite, úlcera e câncer são patologias distintas. Pode acontecer uma confusão de sinais e sintomas gástricos. A úlcera e a gastrite se confundem muito com o câncer gástrico em sua fase inicial. Desta forma, é fundamental que qualquer queixa digestiva, por menor que seja, passe por uma investigação diagnóstica séria. Já tive pacientes que chegaram com tais queixas e, felizmente, pudemos diagnosticar o câncer em sua fase precoce, tratando – o com sucesso.

Aurélia Guilherme – Gastrite tem cura?

Dr. Osmar Terêncio Júnior – Qualquer tipo de gastrite, desde que não seja consequência de outra doença como sífilis, doença auto – imune e tuberculose, por exemplo, é curável. Na maioria das vezes, isso acontece com tratamento clínico e controle da alimentação. O tempo médio de tratamento é de 30 dias, prazo do estômago repor células sadias no local das doentes. Deve – se fazer o controle endoscópico após o tratamento, com manutenção e orientação detalhada ao paciente. A cura é fácil. Porém, o retorno da doença é muito comum. Daí vem o mito de que “gastrite não tem cura”. Tem sim. Porém, é fácil aparecer outra.


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“O estômago é um órgão que produz enzimas, hormônios e, principalmente, ácido clorídrico. Este ácido é altamente corrosivo. Quando as barreiras de proteção da parte mais interna do estômago estão debilitadas, o ácido começa a agredir estas células, queimando – as e estabelecendo assim, um dos sintomas mais comuns da gastrite: a queimação.”


Aurélia Guilherme – O aumento do estresse urbano associado à mudanças de hábitos alimentares da vida moderna, contribuem com o aumento da doença?

Dr. Osmar Terêncio Júnior – Sem dúvida. O estresse e o modo de vida urbano nos levam ao ostracismo e com a má alimentação, desrespeita – se qualidade, quantidade e horário das refeições. A falta de atividade física aeróbica e muscular, o uso de excessivo de drogas socialmente aceitas como o cigarro, bebida alcoólica e medicamentos, levam à gastrite, obesidade, úlcera péptica, síndrome do pânico, depressão, cardiopatias, vasculopatias, diabetes, doenças articulares e muitas outras.

Aurélia Guilherme – Quais alimentos devem ser evitados por quem tem gastrite?

Dr. Osmar Terêncio Júnior – De uma forma geral, os que agridem o estômago e o corpo. A alimentação deve ser natural, saudável, contendo vegetais e frutas, carboidratos e proteínas sem excesso. O ideal é que se faça quatro refeições ao dia, no mesmo horário, priorizando café de manhã e almoço, diminuindo a quantidade após as 14 horas, quando o metabolismo funciona mais para armazenar do que para gastar. Deve – se evitar líquidos de qualquer espécie durante as refeições, excesso de doces, chocolates, refrigerantes, condimentos (principalmente a pimenta em pó), bebidas alcoólicas, cigarros e vida estressante.

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Aurélia Guilherme – Existe alguma maneira de nunca ser vítima da gastrite?

Dr. Osmar Terêncio Júnior –  “Nunca e sempre” são palavras sem fundamento na medicina e no amor. Evitar ter gastrite é procurar uma vida psíquica equilibrada, não ter vícios, alimentar – se bem no sentido qualitativo, praticar atividades físicas e viver seriamente, com alegria e cuca fresca.

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