Gordura no fígado, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

Um dado preocupante é a tônica no mundo moderno: a cada ano, mais pessoas sofrem com a obesidade. A entrevista à seguir, fala sobre Gordura no fígado e todas as consequências que vêm, quando se descuida da balança. O gastroenterologista Rômulo Pereira faz um alerta, e é sério:

Gordura no fígado, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

Dr. Rômulo Gustavo Pereira , Gastroentereologista e Nutrólogo, CRM-GO – 8829

Gordura no fígado

Uma péssima notícia para quem está com sobrepeso, uma em cada cinco pessoas desenvolve a Esteatose Hepática não Alcoólica, popularmente conhecida como doença gordurosa do fígado. Portanto, a gordura do fígado é muito frequente, em quem excede à balança e nos diabéticos. Conversei sobre o assunto com o gastroenterologista Rômulo Pereira, uma vez que o assunto é sério. Uma esteatose hepática não controlada tem potencial de evolução para uma cirrose hepática, com danos que poderiam ser irreversíveis. Leia a entrevista:

Gordura no fígado, com o Gastroenterologista Rômulo PereiraAurélia Guilherme – A obesidade é um mal mundial. Boa parte das pessoas no mundo, está com a circunferência abdominal maior do que a recomendável. Podemos dizer que este é um sinal de que há gordura excessiva no fígado?

Dr. Rômulo Pereira – Com o aumento da freqüência de obesidade na população, ocorre um quadro que chamamos de resistência à insulina. A insulina é um hormônio que está diretamente implicado no metabolismo de gordura no fígado.Quando ocorre resistência à sua ação, há o risco de haver acúmulo de gordura no fígado, o que chamamos de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que pode variar de quadros leves (esteatose) até quadros mais graves, com inflamação e fibrose, que vão de esteato-hepatite até cirrose ou câncer de fígado.

Aurélia Guilherme – Como é o processo de acúmulo de gordura no fígado?

Dr. Rômulo Pereira – O fígado é um órgão muito importante no metabolismo das gorduras. Ele capta a gordura proveniente do intestino e do tecido adiposo e a metaboliza para estoque e para queima, como fonte de energia. Nas pessoas com DHGNA, há um desequilíbrio nessa função metabólica, mobilizando mais gordura do tecido adiposo. Além disso, pode-se, também, produzir mais gordura nas células hepáticas, do que seria capaz de transportar. Assim, ocorre o acúmulo de gordura dentro das células do fígado.

Aurélia Guilherme – A obesidade e o diabetes são mesmo as causas mais frequentes da gordura no fígado?

Dr. Rômulo Pereira – Sim. A obesidade e o diabetes estão muito associados à presença de resistência à insulina, como disse anteriormente. Já sabemos que isto está diretamente envolvido no acúmulo de gordura hepática.

Gordura no fígado, com o Gastroenterologista Rômulo PereiraAurélia Guilherme – Pessoas magras podem desenvolver o problema?

Dr. Rômulo Pereira – Podem sim. Importante avaliar essa magreza. Uma pessoa pode ser magra, com IMC (índice de massa corporal) normal, mas apresentar acúmulo de gordura excessiva em região de abdome. Essa gordura em região de abdome é a que mais se associa com a chamada resistência à insulina. Pode também haver outros fatores associados, como os genéticos.

Aurélia Guilherme – Quais são os graus de evolução da esteatose hepática?

Dr. Rômulo Pereira – A esteatose hepática, por si, é o estágio inicial da DHGNA. Esta sim, é graduada:

  • Esteatose, que é o quadro mais leve, passando por
  • Esteato-hepatite (intermediário), podendo chegar a
  • Cirrose, que é o estágio mais avançado,
  • Pode se complicar, ainda mais, para um câncer de fígado.

Aurélia Guilherme – Esse acúmulo de gordura provoca dor no fígado?

Dr. Rômulo Pereira – Não há sintomas específicos pelo simples acúmulo de gordura no fígado. Porém, algumas pessoas podem queixar leve dor ou desconforto na parte alta do abdome ou mesmo fadiga.


Essa gordura em região de abdome é a que mais se associa com a chamada resistência à insulina”


Aurélia Guilherme – Essa é uma doença reversível?

Dr. Rômulo Pereira – Nas fases iniciais são reversíveis sim. À medida que evolui com inflamação e fibrose, pode chegar ao estágio de cirrose. Quando chega a este ponto, deixa de ser reversível. O único tratamento curativo é o transplante de fígado.

Gordura no fígado, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

Gordura no fígado é um fator de risco para a obesidade. Esse pode ser um sério problema. Veja o que pode acontecer, quando se descuida do peso!

 Aurélia Guilherme – Crianças podem apresentar o problema?

Dr. Rômulo Pereira – Com certeza. Assim, como nos adultos, o aumento da prevalência da obesidade infantil também vem acompanhado de aumento de DHGNA.

Aurélia Guilherme – Como se faz o diagnóstico, além da avaliação clínica e laboratorial do paciente?

Dr. Rômulo Pereira – O diagnóstico é feito com o achado de exames de imagem (ultra-som, tomografia ou outros). Pode haver alteração de exames de sangue. É importante descartar outras causas de doenças hepáticas, consequências do álcoolismo, hepatites virais ou auto-imunes, ou uso de medicações que poderiam ser tóxicas ao fígado. Em alguns casos selecionados, recomenda-se a realização de biopsia do fígado.

Aurélia Guilherme – Como é a dieta e o tratamento de reversão da Gordura no fígado?

Dr. Rômulo Pereira – Não existe um tratamento específico, com eficiência comprovada para tratar a DHGNA. O que se recomenda, principalmente, é o controle dos fatores de risco, como o peso, o diabetes e as taxas de colesterol e triglicerídeos.

Em relação à dieta, antes de tudo, se recomenda uma dieta equilibrada, pobre em carboidratos simples e gorduras saturadas e trans. A preferência deve ser por por carboidratos complexos e por gorduras insaturadas. Sempre ter presente diariamente, a ingesta de verduras, frutas  e legumes. Restrição calórica àqueles que estão acima do peso.

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Com o aumento da freqüência de obesidade na população, ocorre um quadro que chamamos de resistência à insulina. A insulina é um hormônio que está diretamente implicado no metabolismo de gordura no fígado”


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