Gravidez tardia, com o Ginecologista e Obstetra João Luiz Tarlé Rosa

 

Os novos tempos anunciam mulheres quarentonas que mais parecem ter 30 anos e é assim mesmo que a maioria delas se sente: jovem, disposta e cheia de saúde. Por isso, hoje em dia tem sido mais freqüente encontrar mulheres dispostas à ter um filho nessa fase da vida.

A carreira está bem definida, há estabilidade financeira e emocional. Mas é preciso deixar claro que, a questão da fertilidade pode ser um problema e a mulher precisa saber que as chances de conseguir engravidar são menores e os cuidados com a gravidez devem ser redobrados com a pressão arterial, com a pré-eclâmpsia, com os riscos de aborto e com as alterações genéticas do feto.

No artigo a seguir, o Ginecologista e Obstetra João Luiz Tarlé Rosa orienta as futuras mamães para que esse tempo seja pleno de alegria e saúde. Confira:

A goiana Carolina Ferraz foi mãe aos 46 anos. A atriz recorreu a uma fertilização in vitro para conceber Anna Izabel. Foto: reprodução

“Essa é uma realidade mundial. O número de partos em mulheres acima dos 35 anos tem aumentado significativamente, independentemente do nível socioeconômico. A evolução da gestação e seus resultados parecem ser influenciados negativamente a partir dessa idade. Portanto, é necessário um acompanhamento mais cuidadoso pelo obstetra, pois uma gravidez em idade avançada está relacionada a maior incidência de complicações de doenças crônicas, como hipertensão arterial, doenças cardíacas, reumáticas, renais, neurológicas, pulmonares e endócrinas (principalmente diabetes e tireoidopatias).

Além disso, a gravidez em idade madura está também associada ao aumento da incidência de complicações obstétricas, tais como: a doença hipertensiva específica da gestação, pré-eclâmpsia, prematuridade, malformações fetais, apresentações fetais anômalas, abortamentos e síndromes hemorrágicas do terceiro trimestre (placenta prévia ou ‘baixa’, rotura uterina e descolamento prematuro de placenta).

O risco fetal pelo risco genético também é uma realidade quando a mulher decide ter um filho nessa fase da vida. Para se ter uma ideia, a incidência de Síndrome de Down em uma gestante com idade entre 15 e 19 anos seria de 1 em 1850 casos; entre 20 e 24 anos, seria de 1 para 1600 casos; entre 25 e 29 anos, seria de 1 em 1350 casos; entre 30 e 35 anos, seria de 1 para 1000 casos; entre 35 e 39 anos, seria de 1 para 800 casos; entre 40 e 44 anos, seria de 1 em 100 casos e entre 45 e 49 anos, seria de 1 caso de Síndrome de Down a cada 50 gestações. Assim, está comprovado que a idade representa um fator de risco na incidência dessa síndrome. Quanto a isso, o especialista deve orientar sua paciente com mais de 35 anos e que deseja ter filhos, para a importância de se cultivar bons hábitos, bem como realizar seus exames de rotina.

Existem exames capazes de avaliar a saúde fetal. Os marcadores bioquímicos (alfafetoproteína, beta HCG), marcadores ecográficos (translucência nucal, fêmur mais curto, avaliação do ducto venoso, avaliação do nariz) e a identificação do cariótipo fetal via biópsia do vilocorial, amniocentese (colher o líquido da cavidade do feto) e cordocentese (colher o sangue fetal no cordão). Logicamente esses últimos exames invasivos somente devem ser realizados caso exista real necessidade, apesar do baixo índice de complicação dos mesmos.

A partir dos 35 anos de idade a taxa de fertilidade da mulher cai gradativamente, devido ao “envelhecimento” das células do sistema reprodutor (óvulos). É como se o estoque preestabelecido de óvulos fosse perdendo a qualidade e se extinguindo com o tempo. Para evitar surpresas e problemas de infertilidade, o caminho é a prevenção.

Como grande parte dos óvulos em mulheres com mais de 40 anos apresentam ‘defeitos’, a possibilidade de colher e congelar os óvulos em idade mais precoce (até 30 anos) para posterior utilização em uma fertilização de gestação programada deve ser considerada. A infertilidade é um fantasma para alguns casais nesse período, sendo a fertilização in vitro (bebê de proveta) uma opção, muitas vezes, necessária. As dificuldades nestas gestações são amenizadas por um pre natal criterioso.

A vantagem de uma gravidez em idade madura está no preparo emocional da mulher, que tem maior facilidade de seguir as orientações médicas do que uma mulher muito jovem. Além disso, hoje em dia, assistimos a uma geração de mulheres maduras em que a idade cronológica não corresponde com a idade biológica. São mulheres que se cuidam, que se alimentam melhor, que praticam atividade física, que fazem check ups regularmente, que possuem situação financeira mais equilibrada, o bebê é muito desejado, o casal está mais seguro diante das modificações na rotina com a vinda de um bebê, enfim todos esses fatores e um bom acompanhamento médico contribuem para uma gestação tranquila e sadia.”

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