Guarda compartilhada de pets

Barbára Melo, Robinho e Taylor

Bárbara Melo e seus filhos, Robinho e Taylor. Amor para mais de “metro”

Os animais de estimação ganharam o status de filhos e, os “pais” cuidam da prole com todos os mimos; até terapia canina já existe para os peludos com problemas emocionais. Em muitos lares, a família está completa, com os pais e os pets. É o caso da advogada e coach Bárbara, Lu, Robinho, 7, e Taylor, 5. Eles formam uma família feliz. Mas Bárbara e seus filhos, por algum tempo, passaram por um processo de separação afetiva, com o fim de seu antigo casamento. E, essa é a questão: De quem é a guarda dos pets?

Guarda compartilhada de animais_Robinho

O pinscher Robinho fica atento quando a mamãe está chegando.

Guarda compartilhada ou unilateral? Como os casamentos atuais não são tão consistentes e se dissolvem com os conflitos, a justiça precisou criar uma Lei (7196/10), que assegure os direitos dos cônjuges, em uma disputa pelos animais. Felizmente, Bárbara e sua ex, conseguiram entrar em um acordo. Hoje, com sua vida refeita, ela nos conta, como foi esse período de transição:

“Tive um casamento de sete anos e, nesse tempo, adotamos dois cãezinhos. Robinho, 7 e Taylor, 5. Rapidamente, eles foram tomados de amor e se tornaram nossos filhos. O casamento acabou e, com todos os conflitos de um fim de romance, havia o maior deles. Quem ficaria com Robinho e Taylor? Talvez, este tenha sido o maior sofrimento dessa separação. Resolvi passar seis meses em Belo Horizonte, para estudar e eles ficaram com ela. Quando voltei para Goiânia, passamos a compartilhar a guarda e, durante um ano, paguei pensão, para contribuir nas custas de veterinário, ração, vacinas, banhos, etc. Durante uma semana, eles iam para minha casa e na outra semana, ficavam com ela.

Até que resolvi me mudar para BH e eles vieram comigo. A decisão de leva-los comigo foi minha e, não houve necessidade de partirmos para uma decisão judicial. Mas, se precisasse, o faria. Jamais abriria mão deles. A separação é sempre triste para os animais. Eu percebia o quanto eles sentiam a falta dela. Nunca mais ela os viu e sequer nos falamos. Mas foi muito difícil para eles, eu sei. O amor que eles têm é incrível, puro, sincero; por isso, não há como não cuidar deles, com toda responsabilidade e comprometimento que merecem.

Esse clique do caçula lhasa apso Taylor bebezinho é um escândalo!

Mas, o tempo sempre se encarrega de curar as feridas e, imagino que, com Robinho e Taylor também seja assim. Hoje, com minha vida totalmente reconstruída, somos novamente uma família feliz. Minha noiva, Lu, os adotou e desenvolveu uma relação de extremo carinho e amor com eles que, é claro, retribuem com a conhecida lealdade canina. Robinho e Taylor são completamente apaixonados ela. Temos uma relação de cumplicidade e respeito. Aqui em casa, nós quatro nos amamos integralmente.

Nossa rotina é como a de qualquer outra família. Sou advogada, coach de carreira. Trabalho dois dias no escritório e dois dias em casa; minha noiva é médica psiquiatra, tem consultório todos os dias e, quem pode dar mais atenção a eles sou eu. Mas, durante a noite e aos finais de semana, estamos sempre os quatro juntinhos. Saímos, passeamos nos parques, nos divertimos; eles são tranquilos e sociáveis. Quando viajamos, os deixamos com a Ubalda, nossa querida diarista, que também desenvolveu uma relação de muito afeto com eles.

Hoje, posso dizer que tenho uma família de verdade. A Lu é do “meu planeta”. Temos a mesma forma de ver a vida em todos os sentidos. Ela é companheira de verdade, íntegra, super bem humorada, humana e uma psiquiatra diferenciada. Estamos nos mudando para Goiânia e, os pacientes dela estão enlouquecidos com essa decisão. Eu morro de orgulho do trabalho que ela faz. Somos Zen Budistas, vegetarianas, protetora dos animais e fazemos uma leitura da vida da forma mais tranquila possível. É isso o que nos faz um casal completo. Em nossa vida não cabe brigas, ciúmes ou coisas do tipo. Temos respeito e diálogo. Gostaria muito de publicar uma foto de toda a família reunida, mas a Lú é tímida e eu acho isso lindo!

Não sei como seria, se tivesse passado por uma disputa pela guarda dos meus filhos com a ex. Jamais aceitaria me separar deles. Com certeza, partiria para uma briga judicial, que felizmente não foi necessária. Mas, penso que, nesses casos, o juiz deve julgar as condições de sustento, de espaço para cria-los e de equilíbrio emocional e, isso eu tenho. Certamente seria uma briga de cachorro grande!”

Para se informar:

O que diz a Lei nº 7196/10?

A Lei nº 7196/10 tem como tema, um ordenamento jurídico de proteção e guarda dos animais de estimação, envolvidos em disputas em processo de divórcio. Os magistrados devem se posicionar, levando em conta, a concessão da guarda e do direito de visita dos cônjuges, com a obrigação de pagamento de pensão alimentícia aos tutores.

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