Guerrilha dos Coelhos Mutantes e a cena de rock independente em Goiânia

Quebrar a associação equivocada de que Goiânia “só tem música sertaneja” é uma constante entre as bandas de rock independente da Capital. Na prática, isso significa fazer um som original, livre daquela típica repetição artificial voltada exclusivamente para o comércio. Em meio a tudo isso, entra em cena a mistura de qualquer vertente musical que some aos ouvidos para uma produção autoral. Seja ela qual for.

No Dia do Rock,  Boa Vida Online mostra a história de um desses grupos, que nasceu de repente, trazendo um barulho do bom: Guerrilha dos Coelhos Mutantes, vulgo GCM137. Confira:

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Danilo Brito,  Yorrans Miranda, Ângela Vitorette e Gabriel Vitorette compõem a Guerrilha dos Coelhos Mutantes. 

Guerrilha dos Coelhos Mutantes

Um certo dia, três amigos, sem muita técnica ou conhecimento musical, se uniram para tocar em uma apresentação do colégio. Gabriel pegou o baixo, Renan abraçou a guitarra e Yorrans juntou um bongo, uma meia lua e um surdo, improvisando uma bateria. Tocaram alguns covers de Garotos Podres e desenvolveram versões de Ramones, que renderam várias risadas e uma boa aceitação do público. Ali estava nascendo a Guerrilha dos Coelhos Mutantes…

Significado

No final de 2007, quando a banda começou, tocávamos (não sei por qual motivo) com umas orelhas de coelho. Isso fez com que as pessoas nos chamassem de ‘coelhinhos’. Logicamente, adolescentes 15 anos não queriam um apelido tão meigo assim. ‘Tem que ter guerrilha no meio’, eu insisti. ‘Se é guerrilha de coelho, tem que ser mutante’, completou o Renan.

Como estávamos na cidade de um dos maiores acidentes radiológicos do mundo, o Césio137 – uma ferida que ainda não cicatrizou – fizemos uma associação rápida e chegamos ao nome: Guerrilha dos Coelhos Mutantes do Césio 137. Mais tarde , esse nome foi reduzido apenas para Guerrilha dos Coelhos Mutantes ou  GCM137.

Acabou que o nome agressivo, cômico e exótico, se incorporou à essência da banda. A agressividade, reflete o cunho de crítica social que abordamos em nossas letras.  O cômico, mostra nossa abordagem descontraída e cheia de piadas. O exótico, representa nosso experimentalismo musical. Já a ligação com o Césio mostra o nosso regionalismo. Sendo assim, somos todos coelhos mutantes”, conta Gabriel.

Os coelhos mutantes

A formação atual da banda conta com quatro coelhos mutantes: dois do agrupamento original, Gabriel Vitorette (baixo e voz) e Yorrans Miranda (bateria). Danilo Brito (Guitarra), começou a fazer parte da família da Guerrilha dos Coelhos Mutantes em 2013, depois de um convite de Gabriel para participar dos ensaios. “Por estar em outros projetos não me dedicava totalmente à banda. Hoje, sou coelho mutante por inteiro”, afirma Danilo. O charme então tomou conta quando a vocalista Ângela Vitorette entrou para a banda, em 2015, colaborando com suas composições e performances ao vivo.

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Ângela Vitorette, a voz feminina a frente dos guerrilheiros.

Música para quem quiser

“Na verdade, não temos intenção de atingir um público em especifico. Nossa proposta musical é muito abrangente. Misturamos vários ritmos – tanto brasileiros, quanto internacionais. Fazemos o que gostamos, sem nos prender a nada. Se tivesse que definir o nosso público, diria que ele é feito de pessoas que se identificam com nossas letras e experimentações musicais”, explica Gabriel.

 Conteúdo

“Temos diversas músicas, de vários ritmos e contextos sociais. Nossas letras têm uma carga crítica pesada. Há aquelas que tratam do regionalismo, como Sol Escaldante. Essa música é uma mistura de baião com moda de viola e sua letra não se trata só de pequi, mas também denuncia a cultura coronelista de nosso Estado. A repressão, as injustiças e o sonho destruído de mais um indivíduo.

Há também aquelas com uma mensagem mais universalizada, como Às Flores do Cerrado. Uma mistura de new wave com pós-punk, destinada a todas as mulheres injustiçadas do nosso país. Mais precisamente as daqui do Cerrado. Trata-se também da cultura do estupro. Essa composição foi feita por mim, na semana em que ocorreu o estupro coletivo no Rio de Janeiro, uma notícia de cunho nacional. Havia tempo que escrevia sobre e contra o machismo, mas nesse dia, precisava dar meu grito de protesto.

Nós entendemos a música não só como um entretenimento, arte ou profissão, mas também como uma estratégia de luta. A música como mensagem, sendo uma plataforma para expormos nossos ideais e criticarmos a conjuntura do nosso país e do mundo”, conta Ângela.

A ideia é propagar

“Certa vez fizemos uma apresentação em um bairro periférico Goiânia Viva. A receptividade e a energia do público foram incríveis. Tocar para a periferia sempre é motivador, pelo fato de que entretenimento e eventos culturais chegam ali com mais dificuldade. No final dessa apresentação, algumas pessoas vieram nos procurar, dizendo que haviam gostado muito da proposta das músicas. Isso nos motiva, nos deixando imensamente felizes e nos faz crer que estamos no caminho certo”, afirma Danilo.

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Cena goiana independente

“A cena do rock em Goiânia é extremamente forte. Existem muitas bandas independentes com som de qualidade.

Batalhamos muito para conseguir fazer nosso som e colher o devido reconhecimento por isso. A galera daqui é massa e bem aberta às descobertas. Acredito que o problema seja a falta de incentivo do Estado e do Município, já que é muito difícil conseguir ajuda de custo. Infelizmente, a verba para cultura é escassa e mal administrada. Realmente não é fácil, mas estamos aí na batalha. Particularmente, eu,  por ser mulher e estar presente na cena underground, vejo dificuldades, às vezes por questão de respeito e reconhecimento. Mas isso só me dá mais ânimo para continuar de pé e resistir!”,  conta a guerrilheira Ângela.

Saindo do forno

O EP da banda ainda está em fase de pré-produção, arrecadando fundos para viabilizar o resultado final. Uma das ferramentas que os integrantes utilizam é o financiamento coletivo. Uma forma de arrecadar capital por meio de uma campanha, através dos fãs e apreciadores da banda. Ao final, quem ajudou recebe todo o material produzido pela banda. Além de shows pela cidade, a Guerrilha dos Coelhos Mutantes também está criando um arsenal de camisetas e produtos personalizados, para que todo o trabalho do grupo seja visto e propagado.

Conheça GCM137 

Para fortalecer o primeiro EP da guerrilha, através de doações, navegue pelas redes sociais da GCM137 ou entre em contato pelo email: [email protected]

FACEBOOK: https://www.facebook.com/gcmc137/

YOUTUBE: https://www.youtube.com/channel/UCo3VKe6m4F3SRkj-Ob6-bAw

INSTAGRAM: https://www.instagram.com/gcm137/

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