Hérnia de disco, com o Ortopedista e Traumatologista Luiz Carlos Milazzo Netto

Hérnia de disco Ortopedista e Traumatologista Luiz Carlos Milazzo Netto Goiânia

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Ortopedista e Traumatologista – CRM – GO 15968 / TEOT – 14630

Os discos invertebrais da nossa coluna exercem o papel de verdadeiros amortecedores de impacto, afinal, eles têm como função evitar o atrito entre as vértebras cervicais, torácicas e lombares. No entanto, quando parte desta estrutura se desloca do seu lugar de origem e, consequentemente, passa a comprimir os nervos da coluna, está se formando um problema com nome e sobrenome, a famosa hérnia de disco. A seguir, o Ortopedista e Traumatologista Luiz Carlos Milazzo Netto, responde a 8 questões importantes sobre o assunto. Confira:

Hérnia de discoAurélia Guilherme – Quando e como a hérnia de disco se forma?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Um episódio agudo traumático pode ocasionar o deslocamento do conteúdo discal. Mas, em geral isso ocorre no disco previamente degenerado, no ponto de menor resistência do ânulo fibroso. O ânulo é a camada mais espessa, externa do disco, que resiste as forças transmitidas pelo núcleo pulposo, porção mais fluida, central, que absorve e transmite inicialmente as forças submetidas pelas cargas e movimentos impostos àquele segmento. Com a ruptura do ânulo, o núcleo pode ser pressionado para fora, ou seja, herniar.

Aurélia Guilherme – Que peso a predisposição genética tem na formação das hérnias de disco?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Estudos mais recentes demonstram a contribuição genética para a doença degenerativa discal, uma das principais causas das hérnias discais. Alguns componentes da matriz extracelular do disco e os genes que os codificam têm sido relacionados com uma maior prevalência da doença, contudo, ainda não conseguimos quantificar esta contribuição.

Aurélia Guilherme – Além da predisposição genética, quais são os outros fatores relacionados ao surgimento desse problema?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Existem fatores ocupacionais que estão relacionados com o surgimento do problema como por exemplo, no caso dos condutores de veículos submetidos a vibração veicular frequente. Também temos a prática não supervisionada de algumas atividades esportivas que submetem o indivíduo a altas cargas e a movimentos desfavoráveis. Além disso, alguns hábitos nocivos, como o tabagismo e sedentarismo, também têm sido relacionados a doença.

Aurélia Guilherme – O levantamento de peso e a sobrecarga da coluna, durante a prática de atividades físicas de alto impacto, como o crossfit, por exemplo, sem o devido preparo, colaboram para o surgimento da hérnia de disco?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Podem colaborar. Não sou a favor de estigmatizar nenhuma modalidade esportiva em específico, porém, acredito que toda prática deva ser individualizada, respeitando o momento biológico de cada um, supervisionada por um bom profissional para que a execução dos movimentos e a quantidade de carga seja adequada, e, analisada previamente por profissionais qualificados que possam descartar patologias, cardiovasculares, ortopédicas, entre outras, que possam colocar em risco o praticante.

Por outro lado, algumas modalidades esportivas, como pilates, yoga, natação e hidroginástica, promovem um alongamento e fortalecimento da musculatura paravertebral, proporcionando um efeito protetor e, no caso dos portadores do problema, reduzindo os sintomas. Mas atenção, para que surtam efeito, essas modalidades devem ser praticadas de maneira regular e orientada.

Hérnia de discoAurélia Guilherme – Em alguns casos, a hérnia de disco é assintomática e silenciosa. Em outros, há relatos de uma dor extremamente forte e incapacitante. Em linhas gerais, quando há presença de dor, quais as suas características?

 Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Aproximadamente 30% das pessoas possuem alterações na ressonância e são assintomáticas. O tratamento surgirá da correlação clínica com os achados de exames. A dor, quando presente, dependerá da localização da hérnia. A apresentação típica é o paciente com algum grau de dor axial no segmento da coluna afetado, associada a uma dor radicular (por isquemia ou compressão de uma raiz nervosa específica), irradiada pelo dermátomo subsequente, geralmente, em membros superiores, quando o problema afeta a região cervical e, em membros inferiores, quando o problema é lombar.

Aurélia Guilherme – A cirurgia é a única maneira de dar fim a hérnia de disco? Quais são as possibilidades de tratamento?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – A literatura nos mostra que 90% das hérnias discais se resolvem sem a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Esta será necessária quando diagnosticada a síndrome da cauda equina (uma urgência ortopédica que se apresenta com paraplegia súbita, associada a alterações vesicais e intestinais), em caso de déficit neurológico progressivo ou quando o paciente não responde ao tratamento conservador por pelo menos 6 semanas.

No tratamento conservador, não cirúrgico, podemos abrir mão de práticas adjuvantes a terapia medicamentosa, como a prática de atividades físicas e fisioterápicas voltadas a reabilitação funcional do paciente, acupuntura, meios físicos como o calor local, terapia cognitivo comportamental, entre diversas outras possibilidades de controle dos sintomas.

Em casos mais específicos, quando houver indicação, também podem ser realizados bloqueios anestésicos, procedimentos menos invasivos que um procedimento cirúrgico, que, além de proporcionar alívio dos sintomas, podem nos ajudam a avaliar melhor a abordagem e até mesmo o prognóstico de uma cirurgia futura.

Aurélia Guilherme – Uma vez operada, a hérnia de disco pode voltar?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – A hérnia discal possui uma taxa de recidiva em torno de 2 a 5%, de acordo com a literatura. O que muitas vezes ocorre e que faz muitos confundirem com uma recidiva é a degeneração de um outro nível adjacente.

Aurélia Guilherme – Que cuidados devemos adotar para prevenir a formação de uma hérnia de disco?

Dr. Luiz Carlos Milazzo Netto – Evitar os fatores ocupacionais, mecânicos e os hábitos nocivos relacionados ao surgimento da doença que comentamos, e, no aparecimento dos sintomas, procurar bons profissionais que possam oferecer um diagnóstico e uma terapêutica adequada.

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