Histerectomia – A cirurgia de retirada do útero, com a ginecologista e obstetra Clarissa Japiassú

As mulheres ficam muito inseguras, quando precisam fazer uma histerectomia. A cirurgia de retirada do útero parece tirar o chão da maioria delas. Associa o útero à questões subjetivas. Elas relatam se sentir, como se perdessem a sexualidade, ou a feminilidade, por exemplo. Definitivamente, elas precisam entender que a única finalidade do útero está ligada à sua função biológica. Ou seja, uma vezos filhos nascidos, o útero perde sua função.

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Histerectomia  

Todos os dias inúmeras mulheres precisam ser submetidas a uma histerectomia, a cirurgia de retirada do útero. Muitas, ficam desnorteadas e se deixam levar por tabus e preconceitos. Há conflito de entendimento sobre o assunto. A maioria dessas mulheres misturando um mero problema físico à um fantasma emocional. Definitivamente, uma mulher sem o útero não é menos feminina e sexualizada do que outra que o possua. Vamos desmistificar esse assunto. Convidamos a ginecologista e obstetra Clarissa Japiassú para esclarecer um assunto de tanta importância.

 

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Dra. Clarissa Japiassú – Ginecologista e Obstetra – CRM – GO 11468

Aurélia Guilherme – Para que serve o útero?

Dra. Clarissa Japiassú – O útero é um órgão do sistema reprodutor feminino. Tem forma de pera e é constituído por espessa camada de musculatura lisa. Sua função é basicamente a reprodução.

Aurélia Guilherme – Que fatores motivam uma cirurgia de retirada do útero?

Dra. Clarissa Japiassú – Patologias como miomas, adenomiose, endometriose, pólipos, sangramento uterino anormal, câncer ou doenças pré-cancerígenas.

Aurélia Guilherme – Além das chances reais de doenças, essa cirurgia pode ser usada com uma medida preventiva?

Dra. Clarissa Japiassú – Este é um questionamento frequente, mas sugere – se que a cirurgia deva ser feita para tratar uma patologia.

Aurélia Guilherme – Qual é a realidade de consultório, com relação ao emocional de uma mulher, quando se sabe ser necessária a retirada de seu útero?

Dra. Clarissa Japiassú – A maioria lida bem com esta situação por estar apresentando uma doença que interfere na sua qualidade de vida e, portanto, vê a cirurgia como a solução do seu problema, o que de fato é.

Aurélia Guilherme – O que acontece quando o espaço do útero fica vazio? Há deslocamentos de outros órgãos? O que acontece nesse vazio?

Dra. Clarissa Japiassú – Na verdade, os órgãos pélvicos (reprodutores, intestino e bexiga) estão bem próximos. Na retirada do útero, permanecem as trompas (em alguns casos) e os ovários. Estes e demais órgãos passam a ocupar este espaço. Não fica vazio.

Aurélia Guilherme – Mesmo sendo uma das cirurgias ginecológicas mais realizadas pelo mundo, há alguma complexidade na Histerectomia?

Dra. Clarissa Japiassú – É uma cirurgia de média complexidade que, como qualquer outra, tem seus riscos e consequências.

Aurélia Guilherme – Quais as formas de Histerectomia, suas vias de acesso e o tempo de cirurgia? Qual o tipo de Anestesia usado?

Dra. Clarissa Japiassú – Abdominal, vaginal e videolaparoscópica. A duração é, em média, de 1 a 2h e a anestesia pode ser a raque ou geral. A histerectomia abdominal ainda pode ser total ou subtotal (na qual não se remove o colo do útero).

Aurélia Guilherme – Como é o pós – operatório dessa cirurgia? Internação? Qual é tempo de recuperação?

Dra. Clarissa Japiassú – As cirurgias videolaparoscópicas e vaginais são consideradas minimamente invasivas, portanto, têm um tempo menor de recuperação (varia de 15 a 30 dias) e um pós-operatório menos doloroso.   Já a cirurgia abdominal varia de 30 a 40 dias . Mas, o  tipo  de cirurgia  depende de fatores pessoais (limiar de dor de cada paciente), do tamanho do útero, presença de aderências e do tipo de patologia.

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Na ilustração, variações da Histerectomia Abdominal, com e sem a retirada do colo do útero.

Aurélia Guilherme – Algumas mulheres que passaram pela histerectomia se queixam de ganho de peso, uma espécie de “efeito colateral” pós cirurgia. Essa queixa tem, de fato, alguma relação com a histerectomia?

 

Dra. Clarissa Japiassú – Até o momento não há estudos que comprovem que o ganho de peso está diretamente associado à histerectomia. Porém,  se são retirados os ovários durante a cirurgia, pode ocorrer essa queixa pelo início da menopausa e diminuição de hormônios.

Aurélia Guilherme – A mulher que passa por uma histerectomia precisa fazer reposição hormonal?

Dra. Clarissa Japiassú – Não. A reposição hormonal será avaliada se necessária quando a paciente entrar na menopausa ou se forem retirados os ovários concomitantemente.

Aurélia Guilherme – E quanto a vida sexual, como fica o sexo depois da histerectomia?

Dra. Clarissa Japiassú –  Para a maioria das pacientes que tinham sua qualidade de vida comprometida por uma patologia (sangramento anormal ou dor pélvica por exemplo) a vida sexual melhora após a cirurgia. Porém, o útero pode representar a feminilidade para algumas pacientes e sua retirada pode trazer algum impacto na vida sexual, muito mais por mitos e preconceitos do que por explicação fisiológica. Portanto, há que se conversar e esclarecer todas as dúvidas antes desta e qualquer cirurgia.

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