Hormônios e ansiedade, com a ginecologista Marcella Brasil

Hormônios e ansiedade são palavras diretamente ligadas a oscilações. Em todas as etapas da vida os hormônios oscilam durante um ciclo, isso é normal. Porém, alguns fatores podem provocar um desequilíbrio na produção dessas substâncias. E assim começam os problemas, que são diversos. Entre eles, uma ansiedade angustiante e que não tem justificativa. E o pior, que essa ansiedade parece interferir permanentemente na rotina. Qual a relação entre hormônios e ansiedade?
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As mulheres convivem por toda a vida com as oscilações hormonais. Hormônios e ansiedade podem ser tratados com responsabilidade. Isso significa que a mulher moderna está coberta de segurança nos tratamentos de reposição hormonal. Sentir qualquer transtorno hormonal é tão ultrapassado!

Descartado qualquer transtorno mental, a razão dessa ansiedade aflitiva pode ser um desequilíbrio hormonal. Sabemos que hormônios e ansiedade têm muito a ver. Nossa consultora, quando o assunto é hormônios, é a ginecologista Marcela Brasil. Ela traz o tema hormônios e ansiedade ao Boa Vida Online:

Hormônios e ansiedade com quem entende do assunto

Marcella Brasil – ginecologista – CRM – GO 9345 / RQE – 5457. Nossa consultora Boa Vida Online se torna uma importante estudiosa dos implantes hormonais 

Hormônios e ansiedade

Aurélia Guilherme – A mulher desde menina está sujeita aos efeitos das oscilações hormonais durante o mês. A liberação de estrogênio e de progesterona durante o ciclo menstrual pode levar à ansiedade?

Marcella Brasil – Sim , acontece desde bem cedo. Na verdade, a oscilação hormonal, principalmente sua queda (no período pré-menstrual) acarreta, na maioria das mulheres, alterações variadas de humor. Desde tristeza e irritabilidade à ansiedade propriamente dita.

Aurélia Guilherme – A mulher moderna tem excesso de atividades que geram constante estresse. Há alguma relação entre estresse, hormônios e ansiedade?

Marcella Brasil – Sim, o estresse e o ritmo de vida estão trazendo uma nova epidemia para todos, a ansiedade. As pessoas estão sempre mais aceleradas do que a realidade. Nós temos em nosso corpo, duas glândulas adrenais, que mediante à situação de estresse, produzem um hormônio chamado cortisol. Este hormônio pode ter ação em várias outras partes  do corpo. O desequilíbrio entre o cortisol e os outros hormônios (princialmente DHEA) pode resultar em efeitos devastadores no corpo. Tanto o excesso, quanto a falta do cortisol, podem promover doenças. Quando falamos em hormônios, temos uma vasta quantidade de moléculas, que estão interligadas intimamente. O equilíbrio é essencial para a manutenção da perfeita saúde.

Aurélia Guilherme – Hormônios em desequilíbrio são capazes de enlouquecer qualquer pessoa. A ansiedade pode ser fruto de uma TPM?

Marcella Brasil – Sim, claro. Tensão pré-menstrual é uma síndrome, em que temos um cortejo de sintomas relacionados ao desequilíbrio hormonal fisiológico. Isso acontece todo o mês que não engravidamos e então menstruamos. Ansiedade é um sintoma muito comum. Além deste sintoma, também há tristeza, irritabilidade, inchaço, dor nas mamas, cólicas intensas, dor em membros inferiores entre outros.

Aurélia Guilherme – Desequilíbrios hormonais podem ser responsáveis pela mudança da personalidade de uma mulher?

Marcella Brasil – Por incrível que pareça, a maior parte das mulheres que sofre de sintomas psíquicos de TPM sabe disso. Elas têm plena consciência de que algo não está normal. Elas sabem que aquelas reações explosivas não são delas, na verdade. Pessoas extremamente controladas podem perder o equilíbrio e ter comportamentos alterados nesse período. E com isso, todos que convivem com ela sofrem: filhos, parceiros, colegas de trabalho, funcionários, e principalmente, ela mesma. Não raramente escuto a frase: “Nem eu estou me aguentando, doutora. Me ajude!”

Aurélia Guilherme –  Em casos de grave desequilíbrio hormonal, há como desenvolver transtornos de personalidade, como o pânico, por exemplo?

Marcella Brasil – Não se tem causa definida para a Síndrome do Pânico. Porém, acredita-se que fatores socioculturais, históricos e ambientais estejam envolvidos. Há o fato de que mulheres têm duas vezes mais a incidência de pânico do que homens (principalmente  entre 18 e 35 anos). E ainda, em vários casos, as crises apresentam exacerbação no período pré-menstrual. Portanto, acredito sim, que possa haver influência do desequilíbrio hormonal.

Hormônios e ansiedade, com a ginecologista Marcella Brasil

Veja na ilustração o que acontce, quando os ovários entram em falência. A maioria das mulheres pode escolher entre ter ou não ter esses sintomas

Aurélia Guilherme – A ansiedade pode ter causa em algum desequilíbrio da tireoide?

Marcella Brasil –  Há uma teoria de que as glândulas tireoide, pâncreas e adrenais formem uma tríade e trabalhem em conjunto. Já é fato determinado que doenças auto-imunes (tireoidites estão entre elas) acometem mais as pessoas que têm ansiedade. Notamos também que o paciente diabético ansioso tem um controle glicêmico mais difícil do que outros pacientes. Então, tudo pode estar interligado. Nosso corpo é uma máquina única. A ansiedade pode não ser causada por distúrbio de tireoide, mas é capaz de piorar quadros de tireoidites.

Aurélia Guilherme – A falência dos ovários pode vir de forma precoce. Há como reconhecer, mesmo em idade mais jovem, o início do climatério, através dos sintomas da ansiedade?

Marcella Brasil – Em muitas vezes, a ansiedade é um sintoma tanto da fase reprodutiva, quanto da fase da menopausa. O que acontece é uma piora do perfil emocional, quando a menopausa chega de fato à vida desta paciente. E temos outro ponto importante. A menopausa propriamente dita acontece quando há falha total dos ovários em produzir hormônios. Dessa forma, a mulher cessa os ciclos menstruais (ocorre a elevação do hormônio cerebral – FSH em contrapartida). Porém, temos antes deste evento, falhas incompletas da produção hormonal, já a partir dos 30-35 anos de idade. A gestação pode tornar-se mais difícil e os ciclos menstruais (e suas “TPMs”) mais sofridos. Então ansiedade em excesso, principalmente com piora ao passar dos anos, em mulheres neste período, pode estar relacionada à falta de harmonia entre hormônios.

Visite o perfil da ginecologista Marcella Brasil e se informe sobre a reposição dos nossos hormônios

Aurélia Guilherme – Atualmente, seu nome está entre os mais conceituados especialistas em implantes hormonais no Brasil. Como é o tratamento que restabelece o equilíbrio dos hormônios, através dos implantes?

Marcella Brasil –  Os implantes hormonais são tubetes de silicone de 4-5 cm que através de seus microporos permitem a passagem de pequena quantidade de hormônios para a corrente sanguínea, quando colocados no tecido subcutâneo. Há vários hormônios que podem ser manipulados neste tubetes, em várias quantidades. O esquema posológico depende da paciente, do que seus exames demonstram e do que ela precisa. A baixa dose e a possibilidade de individualizar o tratamento são as maiores vantagens dessa via de administração.

Aurélia Guilherme – Os implantes conseguem harmonizar o  organismo e mudar o estado de ansiedade de uma mulher?

Marcella Brasil –  Ansiedade é um problema complexo e, por isso, sua resolução também é complexa. Como eu disse, hormônios sexuais (estrógenos, progesterona e testosterona) às vezes são a ponta do iceberg. O equilíbrio hormonal deve ser completo, de todos os hormônios do corpo (cortisol, insulina, melatonina, DHEA, hormônios tireoidianos…). Os implantes conseguem ajudar bastante na reorganização hormonal. Porém, sozinhos não são suficientes na maioria das vezes. Vários aspectos são avaliados individualmente, pela anamnese e por exames laboratoriais.

Hormônios e ansiedade, com a ginecologista Marcella Brasil

Homens também sofrem oscilações hormonais durante a vida. À partir dos 45 anos, é bem interessante um check up mais detalhado das taxas hormonais

Aurélia Guilherme – Os homens parecem não sofrer tantas oscilações hormonais. Há algum tipo de desequilíbrio hormonal masculino que seja sinalizado com algum excesso de ansiedade?

Marcella Brasil – Sim! Ao contrário do que se pensa, homens também sofrem com a queda de seu principal hormônio sexual, a testosterona. Há um questionário aceito pela comunidade médica da urologia, em que se prevê queda de testosterona através de algumas perguntas. Por exemplo: “Você tem notado mudança ou tem dificuldade na ereção?”. Você tem notado piora na performance das atividades físicas?”. “Você tem notado mudanças de humor frequentemente?”.

Hormônios e ansiedade, com a ginecologista Marcella Brasil

Na fota,Marcella Brasil nos apresenta seu lindo bambu da sorte. Ela é uma defensora da qualidade de vida. Uma conquista que pode ser adquirida através de profunda investigação sobre as falhas na produção de nossos hormônios.  

Então, o homem também passa por isso, mas de forma mais branda. A queda hormonal da mulher é mais abrupta e os sintomas, mais intensos. Basta questionar a população masculina a partir dos 35-40 anos. Em boa parte deles, já é verificado sintomas relacionados à andropausa. A presença de xenoestrógenos (estrógenos produzidos em laboratórios e presentes na composição de diversos produtos do nosso cotidiano), vem colaborando muito para agravar ainda mais esta situação.

Aurélia Guilherme – Há algum tempo, equilibrar os hormônios era uma tarefa muito difícil. Esbarrava-se na falta de conhecimento e em hormônios sintéticos, não tão inocentes. E, muitas vezes, ligados ao desenvolvimento de tumores. Qual a leitura que você faz da reposição hormonal que se faz hoje em dia?

Marcella Brasil – Hoje em dia, temos mais opções. Antes, hormônios que não eram compatíveis com o corpo humano (estrógenos equinos) eram dados em mesmas dosagens para qualquer que fosse a paciente. As pessoas não são iguais, bioquimica e biologicamente falando. Nosso corpo se dá melhor com moléculas que já estejam presentes nele. Moléculas hormonais isômeras ao corpo humano, e que ainda têm a possibilidade de se adequar a dose em cada paciente, foram o grande avanço em conseguirmos qualidade de vida. Afinal, ter muitos anos de vida é importante. Mas ter vida nesses anos, para mim e para meus pacientes, é essencial!

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