Intolerância Alimentar, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

Ninguém merece sofrer de Intolerância alimentar. Distensão abdominal, cólicas, flatulência, diarreia toda vez que há  a presença de certos alimentos no organismo. Mas, o que fazer com esse problema. Sempre que precisamos falar de assuntos ligados à digestão e ao trato gastro-intestinal, recorremos ao nosso consultor em Gastroenterologia, Rômulo Pereira:

Intolerância Alimentar, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

Dr. Rômulo Gustavo Pereira, Gastroenterologista e Nutrólogo, CRM-GO – 8829

Intolerância alimentar

Lactose, glúten, camarão, chocolate, alimentos com conservantes e corantes… Algumas pessoas não se dão bem com certos alimentos e se sentem muito desconfortáveis. São pessoas com Intolerância alimentar. Quando ingerem esses alimentos, elas sentem cólicas, enxaqueca, urticária, eczema, tontura, náuseas, aftas, prisão de ventre, arritmia cardíaca, conjuntivite, fadiga, inchaço pelo corpo, dores abdominais, psoríase, acne, diarreia, dentre outros sinais. Vamos à entrevista do nosso consultor em Gastroenterologista, doutor Rômulo Pereira, para esclarecer o assunto:

Aurélia Guilherme – Frequentemente, ouvimos falar de pessoas que sofrem reações físicas a algum tipo de alimento. O que acontece com o organismo ao rejeitar a comida?

Dr. Rômulo Pereira – Você deve estar falando da Intolerância alimentar. Nessa situação, ocorre a fermentação de alguns nutrientes, devido a uma digestão e/ou absorção inadequada, associada ao aumento da sensibilidade e dos movimentos intestinais, produzindo um maior acúmulo de gases e líquidos dentro do intestino, com efeito osmótico, acelerando os movimentos intestinais, levando a apresentar diversos sintomas, como distensão, cólicas, flatulência e diarreia.

Aurélia Guilherme – Tem a ver com alergia?

Dr. Rômulo Pereira – Não. São situações diferentes. As alergias, em geral, são reações imunes com produção de anticorpos e células específicas contra antígenos presentes em alimentos ou outras substâncias. Manifestam-se, geralmente, com urticária, asma, edema de glote e outros. Já as intolerâncias não. O alimento têm dificuldades de absorção e permanece retido no organismo.

intolerância alimentar, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

A intolerância à lactose figura como uma das hipersensibilidades mais frequentes. 

Aurélia Guilherme – O leite ainda é o maior vilão? Por que?

Dr. Rômulo Pereira – Não diria que o leite seja o maior vilão. Trata-se, provavelmente, do mais frequente, já que a produção da enzima que digere a lactose (açúcar do leite), tende a diminuir à medida que envelhecemos e algumas pessoas diminuem em um nível crítico que manifesta sintomas. Porém, as intolerâncias se manifestam com diversos outros nutrientes, principalmente alguns carboidratos, os quais são mal digeridos ou absorvidos no intestino. No caso do leite, esse carboidrato é a lactose. Nas pessoas sensíveis, a lactose não é digerida, nem absorvida adequadamente, levando à produção de sintomas.

Aurélia Guilherme – Quais os outros alimentos estariam envolvidos?

Dr. Rômulo Pereira – Como eu disse, há uma forte evidência do envolvimento principalmente de carboidratos mais fermentáveis, os chamados FODMAPS (sigla em inglês), que seriam a lactose, frutose, frutanas, galactanos e polióis. Eles estão presentes em diversos alimentos, como verduras, legumes, grãos, lácteos, bebidas e adoçantes. Porém, pode haver piora dos sintomas com alimentos muito gordurosos e alguns produtos químicos presentes em diversos alimentos processados ou não, como bebidas, condimentos, molhos e outros.

Aurélia Guilherme – O que dizer em relação ao glúten?

Dr. Rômulo Pereira – Há muita controvérsia em relação ao glúten. O principal e mais grave problema digestivo em se tratando do glúten é a doença celíaca. Isso é diferente das intolerâncias alimentares. Porém, algumas pessoas têm mostrado algum benefício com a limitação do consumo do glúten, com melhora dos sintomas. Isso tem sido descrito como sensibilidade ao glúten não celíaca. Porém, não há um explicação clara para essa entidade.

Aurélia Guilherme – A ausência da enzima necessária para metabolizar de forma saudável pode ser reposta naqueles com deficiência dessa substância?

Dr. Rômulo Pereira – Isso é possível, principalmente com a lactase, que é a enzima que digere a lactose. Sua reposição adequada geralmente melhora os sintomas ligados ao consumo de lácteos.

Aurélia Guilherme – O q

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Cólicas, enxaqueca, urticária, eczema, tontura, náuseas e muitos outros sintomas se manifestam em pessoas com intolerância alimentar!

ue acontece quando o paciente insiste em comer aquilo que o organismo não tolera?

Dr. Rômulo Pereira – Importante salientar que o fato de uma pessoa ser intolerante, não necessariamente há a necessidade de restrição alimentar total daquele nutriente. Boa parte das intolerâncias são parciais. Quero dizer que muitas pessoas intolerantes a lactose, por exemplo, toleram pequenas quantidades de lácteos. Importante cada um saber até onde pode ir. Porém, quando esse limite é persistentemente ultrapassado, os sintomas ficam mais frequentes, mais intensos, com maior desconforto e piora na qualidade de vida.

Aurélia Guilherme – Pode-se considerar os conservantes, os intensificadores de sabor, os corantes e os antioxidantes substâncias relacionadas com a intolerância?

Dr. Rômulo Pereira – Podemos considerar sim. Como eu disse, diversos componentes da dieta podem sem o “gatilho” dos sintomas apresentados. Os salicilatos, histamina, glutamatos, a cafeína estão presentes em diversos condimentos, alimentos e bebidas processadas.

Aurélia Guilherme – Podemos dizer que a intolerância alimentar deixa a pessoa com a sensação de indigestão, na presença do alimento?

Dr. Rômulo Pereira – Com certeza. Indigestão pode ser umas das manifestações das intolerâncias alimentares.

Aurélia Guilherme – Há alguma dificuldade no diagnóstico? Como ele é feito?

Dr. Rômulo Pereira – Sim. O diagnóstico nem sempre é fácil. Importante a pessoa tentar correlacionar os sintomas com a ingesta de determinados alimentos como prováveis causadores. Há alguns testes laboratoriais podem ser feitos para avaliar a absorção de alguns deles, basicamente a lactose e a frutose. Como alternativa, pode-se fazer o teste diagnóstico com a exclusão dos alimentos prováveis e re-introdução dos grupos, avaliando os sintomas.

Aurélia Guilherme – Como é o tratamento da intolerância alimentar?

Dr. Rômulo Pereira – O tratamento consiste em limitar o consumo do nutriente mal-absorvido. Pode-se usar a reposição de enzimas (no caso da lactose), anti-espamódicos para aliviar a dor. Tem-se mostrado também algum resultado com o uso de probióticos, visto que esse atua na modulação da microbiota (ou flora) intestinal, diminuindo a fermentação dos nutrientes. Importante sempre tem uma avaliação de um especialista para ter uma orientação adequada quando a dieta, visto que uma dieta muito restritiva pode levar a alguma deficiência nutricional e até a algum problema mais grave de saúde.

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