Lúpus, com o Reumatologista Glaydson Jerônimo da Silva

“Muitos pacientes entram em desespero, quando são diagnosticados com Lúpus. Esta é, realmente, uma doença que se confunde com inúmeras outras e, por isso, muitos passam por diversos especialistas e investem tempo atrás de um diagnóstico. A literatura médica, recentemente, revisou seus critérios que indicam a existência da doença e que guiam a nós, reumatologistas, para a presença de sinais, sintomas e de dados específicos de exames laboratoriais. Atualmente, trabalhamos com 17 critérios indicativos da doença, estando estes divididos em critérios clínicos e imunológicos. O encontro de pelo menos 4 destes critérios, nos permite aventar o diagnóstico de lúpus. Mas, mais uma vez, a clínica é soberana, nos norteando para o diagnóstico correto e, consequentemente, para o tratamento adequado de cada caso.

lúpus cutâneo manchas avermelhadas na pele

Manchas avermelhadas na pele são lesões clássicas desencadeadas pelo Lúpus Cutâneo, uma das principais formas do Lúpus. 

Lúpus é uma doença inflamatória autoimune, em que nosso sistema de defesa entra em colapso e confunde, como inimigo, nosso próprio organismo, autodestruindo nossas células, nossos órgãos e tecidos. Uma autodestruição que pode levar a muitos sintomas diferentes, a depender do local inicialmente acometido, como lesões cutâneas e/ou de mucosas; alterações neurológicas,  como convulsões; problemas hematológicos, como anemia, queda do número de plaquetas;  alterações músculo-esqueléticas, como artrites ou dores musculares; alterações pulmonares ou cardíacas; achados de alterações de anticorpos.

Este é um problema que tem sempre a característica multissistêmica, porém, ocasionalmente pode surgir, acometendo somente um órgão ou tecido, como a pele, por exemplo (lúpus cutâneo subagudo, nefrite lúpica). Isso quer dizer que esta é uma doença de múltiplos sinais e sintomas. Sendo assim, há exigência de acompanhamento constante do especialista, para controle da doença, evitando ao máximo a sua gravidade.

Preferencialmente, a doença acomete mulheres jovens, em seu período reprodutivo, o que torna a doença ainda mais prejudicial, pois interfere na qualidade de vida dos pacientes em seu auge produtivo.

Há casos de amputações, por necrose, devido a um forte comprometimento vascular e, há casos de morte, por insuficiência renal; por sangramento, pela queda das plaquetas;  por derrames secundários a sangramento no sistema nervoso central e por hemorragias digestivas. Felizmente, casos graves são parte de uma minoria. Geralmente, o paciente, obedecendo ao tratamento e as recomendações médicas, pode ter uma vida praticamente normal.

Porém, ocasionalmente, o que se vê, são pacientes que não seguem as orientações médicas, haja visto que algumas são desconfortáveis, como evitar a exposição à luz solar. Cada caso deve ser individualizado, Lúpus apresenta diferentes níveis de gravidade e de sintomas.

lúpus famosos portadores de lúpus

A Apresentadora Astrid Fontenelle faz parte do time de famosos que convive com o Lúpus. Lady Gaga e Selena Gomez também estão na lista. 

Por essa razão, pacientes com Lúpus devem ter rigor ao evitar a exposição solar, com o uso constante de protetor solar. Também é altamente recomendável um estilo de vida saudável. Eu diria até, ser fundamental, em um controle e manejo certos da doença.

Quando o Lúpus se encontra em atividade, a medicação se torna indispensável, a depender da gravidade da doença e dos órgãos acometidos. Analgésicos, anti-inflamatórios, antimaláricos, até o uso de imunossupressores podem ser usados, objetivando o bom controle da doença. Atualmente contamos com medicações mais recentes, as chamadas imunobiológicas, que podem ser usadas nas manifestações mais graves da doença ou em situações clínicas específicas.

Medicações imunodepressoras ou imunossupressoras diminuem a defesa do organismo, que se torna mais suscetível às infecções e, esta era uma causa comum de morte nos anos passados. Aqui, vemos o paradoxo do tratamento, mesmo os medicamentos baixando a imunidade do paciente, deixando-o mais exposto às infecções, não há como conduzir um tratamento de Lúpus em atividade, sem a ingestão dessas drogas. Por isso, a importância do especialista para o adequado manejo destes medicamentos.

Atividades físicas são permitidas e recomendadas, dentro do limite de cada paciente e, claro, longe dos raios ultravioletas. Exercícios físicos são sempre bem vindos  e, até, auxiliam no bem estar do paciente e em sua melhora clínica.

Qualquer pessoa deve evitar o tabagismo e o alcoolismo, sabemos disso. Porém, pacientes com Lúpus estão proibidos de cultivar tais vícios, que entram para a lista de contra indicações. Apesar da doença, bem como de qualquer outra, deve-se aproveitar a vida, com moderação.”

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