Mãe – Um funeral com honras e glórias

Nunca acreditei que fosse ficar órfã um dia. A gente não fica pensando nisso. A gente pensa que esse colo será para sempre, até que… um tombo idiota, põe tudo a perder. Perdemos nossa mãe. Ela se foi de forma estúpida e inacreditável. Deixou 2 filhas que guardam seu DNA mais puro, um orgulho para nós. Deixou 6 netos e 1 bisneta, todos incríveis. Deixou saudades e uma profunda dor causada pela impotência em ajuda-la. Seu calvário teve início no dia 19 de Março de 2018. Mamãe entrou em 1 longo mês de luta física. Muitos medicamentos, toda a infraestrutura da medicina e alcance dos profissionais que a atenderam, a manteriam viva, não fosse ela decidir ir embora. Com muito pesar, vou contar essa historia…

Mãe – Um funeral com honras e glórias

Embora ela estivesse com o olhar distante e visivelmente cansada, não esperava que mamãe se fosse naquela madrugada de quarta feira. Ela havia passado 1 longo mês de luta física contra intercorrências terríveis de uma obstipação intestinal. Nossa mãe ficou mais de 15 dias sem ir ao banheiro. As 7 horas da manhã, de uma quarta feira, uma ligação da minha irmã, cortou como a uma navalha os meus ouvidos. Mamãe, depois de longos 30 dias de luta, havia deixado o corpo. Morrer é algo natural. Porém, como se morre, faz a diferença. No caso de nossa mãe, houve muito sofrimento e dor. Ela pôs o ponto final, quando desistiu da luta e fechou os olhos. Depois de tudo o que passou, ela desistiu.

Agora restava seu corpo, embora destruído por medicamentos e procedimentos. Aquele corpo frio e inerte ainda mostrava a beleza plástica que ela sempre teve. Ela estava linda, envolta em flores brancas. Inacreditavelmente serena. Passamos a noite juntas naquela sala fria do cemitério Jardim das Palmeiras. Apenas ela, eu e a espiritualidade. A noite inteira juntas. Aproveitei para escolher as fotos e músicas de sua cerimônia do dia seguinte, momentos antes da cremação. Essa música ainda ecoa em meus ouvidos, como a um mantra. Foi a cerimônia mais intensa de despedida que tive na vida.

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Ninho partido

Seu funeral não poderia ser qualquer um. E, não foi. Nossa mãe teve um funeral com todas as honras e glórias da mulher e mãe que sempre foi. Nessa despedida, deixamos que toda essa emoção viesse, lavando nossa alma de uma tristeza infinda por essa perda. Em seu velório, recebemos alguns familiares e amigos mais íntimos e nos reservamos a esse momento de dor.

Mãe - Um funeral com honras e glórias

Mãe não deveria morrer nunca. Onde foi parar o nosso útero? Não conheci ninguém com tamanha capacidade de cuidados com a família. Agora estamos órfãs, minha irmã e eu 

A sensação do ninho se partindo parece latente, uma semana depois de sua partida. A volta para a casa que nós curtíamos tanto… Nossas plantas, nossas conversas… A mulher mais amada subitamente se foi, sem dizer adeus. Vontade de voltar no tempo, no dia de sua queda e mudar esse seu trágico destino. Tudo passa pela cabeça, um turbilhão de emoções invadindo o coração dilacerado pela dor de sua partida. Nós havíamos combinado que uma seria o suporte e proteção da outra. A impotência gerou forte estresse. Ainda estamos vazios, desentendidos dessa sorte. 

Essa música também fez parte do repertório da cerimônia de cremação.

DNA de guerreira

Essa dor que dilacera nossos corações vai seguir para sempre. Será impossível não nos lembrarmos com dor de tudo o que ela passou. Mas seu legado maior, teremos sempre orgulho de trazer conosco. Seu DNA veio de mulheres fortes e acima de seu tempo. Nossa geração e as próximas têm esse sangue guerreiro. Siga em paz e firme, mamãezinha, no propósito maior, que ainda mal sabemos qual seja. Nós, seguimos daqui, mancos com sua falta, mas profundamente agradecidos com sua presença nessa existência. 

Em breve, a magia há de acontecer novamente. A jornada é curta. Vamos descer nas próximas paradas. Nós voltaremos a nos abraçar, como sempre. Como não somos de origem católica, oferecemos toda honra e glória à Eugênia Guilherme de Souza, nessa singela homenagem. 

Aos amigos e familiares, elevemos nossos pensamentos aos céus, em substituição à missa de sétimo dia. Peçamos ao senhor a proteção do pai, o acolhimento da mãe e todo amor do espírito santo àquela que é única em nossos corações.

Essa terceira canção, a última tocada na cerimônia de cremação de nossa mãe, para sempre em nossa memória:

“Quando me sinto só, a faço mais presente.

Eu fecho os olhos e enxergo a gente

Em questão de segundos, voo para outro mundo,

outra constelação, não dá para explicar, ao ver você chegando, qual é a sensação.

A gente não precisa estar colada para estarmos juntas, nossa alma é capaz de conversar por horas,

Sem palavras, dissemos a todo o instante, uma para a outra, o quanto nos adoramos.

Nós não precisamos tocar em você para tê-la em nosso mundo porque aonde quer que nós formos, 

Você vai estar em tudo, em tudo o que precisamos. 

Nós a vivemos”!

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