Medo e Fobia – Quando esses sentimentos aprisionam e paralisam, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu medo, pelo menos uma vez na vida. Este é um sentimento comum a todos. Apesar de nem sempre ter uma justificativa racional, como no caso do medo das assombrações,  na dose certa, o medo é essencial para a nossa própria proteção. Ou seja, é normal sentir medo! Não é normal sentir fobia. Mas qual o limiar entre esses dois sentimentos tão intensos e, quando procurar ajuda?

Medo e Fobia - Quando esses sentimentos aprisionam e paralisam, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Há pessoas que sentem tanto medo, que paralisam diante de certas situações. Elas têm medo de tomar decisões, de se colocarem diante da vida, de reagir, quando discordam de algo. Elas têm medo de desagradar o outro e de dizer NÃO; tem medo de amar… 

Prisioneiros do Medo

Vamos combinar, que há perigos por todo os lugares. Realmente, as armadilhas estão em todas as esquinas. Mas, não podemos parar de viver. Há quem se esconda e faça do medo, um motivo limitante para não agir, não ir, não realizar metas. A partir do momento em que isso passa a ser um agente limitante na vida de alguém, é preciso acender o sinal de alerta. Dependendo do caso, essa forma exagerada de terror, pode estar se transformando em um quadro patológico, carregado de consequências.

Medo e Fobia - Quando esses sentimentos aprisionam e paralisam, com a Psiquiatra Valéria Avilla

A psiquiatra Valéria Avilla acredita na associação de medicamentos e psicoterapia em um tratamento mais efetivo das fobias.

A seguir, nossa consultora em Psiquiatria, doutora Valéria Avilla, responde a uma série de questões sobre o  assunto. Confira:

Aurélia Guilherme – Como a Psiquiatria define o medo?

Dra. Valéria Avilla – O medo, como você já disse bem, é uma emoção natural. Mas, vou um pouco além. Ele traz uma emoção útil, se bem utilizada. Porém, quando isso ultrapassa a reação adequada para um perigo real, torna-se uma fobia. Ou seja, um medo sem razão.

Por exemplo, a maioria das pessoas que, de repente passa a ter horror de elevador, sem jamais ter ficado presa num elevador. Estranho, não é? Geralmente esse medo é deslocado de outro que o paciente não pode ter consciência, pois ter consciência disso, lhe parece ser mais ameaçador do que a própria fobia.

Depois de ler esta entrevista, faça uma visita ao perfil da dra. Valéria Avilla

 Aurélia Guilherme – De que forma o nosso cérebro arquiteta e reage ao medo? 

Dra. Valéria Avilla – Ele é um alerta de proteção para um evento perigoso. O que acontece em seguida à percepção do medo, é uma série de reações fisiológicas. O início se dá por uma descarga brutal de adrenalina, que prepara o corpo para uma ação eficaz de luta ou fuga. O coração dispara para bombear mais sangue para os músculos, a respiração aumenta sua frequência para o corpo entrar em ação e mais uma série de efeitos em outros órgãos acontece.

Aurélia Guilherme – O medo pode ser entendido como uma armadilha da nossa própria mente? 

Dra. Valéria Avilla – No pânico, sim. Esta é uma situação que eu diria ser uma desorganização do medo por uma situação qualquer. Espontaneamente,  algumas regiões do cérebro disparam aquele alarme de luta e fuga, sem qualquer estímulo real.

Quando a pessoa percebe a súbita taquicardia e a respiração acelerada, pensa estar enfartando ou tendo um derrame e geralmente procura um pronto socorro. Para esses pacientes, é difícil entender, quando recebem a notícia de que eles não têm problema algum. Sem a devida orientação para a necessidade de buscar outros tratamentos, esses pacientes se mantêm alheios de que têm pânico.

Saiba o quanto uma ajuda psiquiátrica pode trazer a qualidade de vida, nesta outra entrevista da dra. Valéria Avilla

Medo e Fobia - Quando esses sentimentos aprisionam e paralisam, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Quando há um medo intenso e exagerado de algo e que paralisa e que causa grande sofrimento, procure ajuda psicoterápica. 

 Aurélia Guilherme – Que doenças psiquiátricas estão ligadas a esse sentimento? 

Dra. Valéria Avilla – Transtorno de Pânico, que nada mais do que uma reposta adrenérgica em pacientes que já vêm sofrendo, há longo tempo, de ansiedade generalizada.

A Agorafobia, que está muitas vezes associada ao Transtorno de Pânico  e trata-se de um medo de lugares abertos ou muito cheios. A pessoa vai se recolhendo e, em alguns casos, passam a sair de casa só acompanhada. Quando isso se agrava ainda mais, não saem mais de casa. Já vi casos de pacientes enclausurados em casa por mais de 2 anos.

E ainda a Fobia social ou Ansiedade Social, que é o medo das relações sociais comuns no cotidiano. São pacientes que têm medo de falar ou de comer ou até de assinar qualquer documento em público.

Aurélia Guilherme – Qual a sua opinião sobre o enfrentamento do medo, como a melhor forma de vencê-lo? 

Dra. Valéria Avilla – Com certeza a melhor forma de vencer o medo é enfrenta-lo. Mas enfrenta-lo em condições ideais de enfrentamento. Se esse sentimento se tornou patológico é preciso usar algumas ferramentas de auxílio, como medicação, psicoterapia cognitiva ou psicanálise. Ou melhor, ainda, quando se associa a medicação com uma dessas psicoterapias.

Aurélia Guilherme – A partir de que momento o medo se torna uma patologia? Quais os sinais?

Dra. Valéria Avilla –   A partir do momento em que ele traz prejuízo nas  relações sociais, profissionais e afetivas. O medo patológico dificulta e, até impede, o crescimento e o sucesso em todas as áreas de atividades humanas.

Fobias 

Aurélia Guilherme – Qual é a diferença entre medo e fobia? 

Dra. Valéria Avilla – Para o medo, há um motivo objetivo. Para a fobia, há uma motivo inconsciente. O medo se reduz, com a percepção de um momento mais seguro. A fobia não passa, quando se percebe racionalmente que não há risco algum.

Medo e Fobia - Quando esses sentimentos aprisionam e paralisam, com a Psiquiatra Valéria Avilla

As fobias se manifestam em situações de estresse extremo ou de estresse crônico. E esse estresse também pode ser causado pela presença de uma doença clínica importante.

Aurélia Guilherme – Quais são os tipos de fobias? 

Dra. Valéria Avilla –   A Fobia Simples é aquele tipo em que o paciente só tem medo de um objeto ou de alguma situação. A Fobia Complexa é daquele tipo em que há mais de um objeto ou uma situação.

Aurélia Guilherme – É correto dizer que a fobia é um medo não superado? 

Dra. Valéria Avilla –  Sim. Isso pode ser consequência de algum evento traumático, como acidente, assalto, abuso, tortura. E, também pode se tratar de um medo inconsciente de algo que ficou apagado da memória. Em psicanálise, chamamos a isto de “recalque”.

Aurélia Guilherme – As fobias podem vir acompanhadas de outras doenças mentais?

Dra. Valéria Avilla –  Ansiedade, depressão e transtorno obsessivos vêm frequentemente acompanhados das fobias. E se as fobias surgem em pacientes que nunca tiveram qualquer tipo de problema psíquico, há predisposição à depressão e à ansiedade.

Aurélia Guilherme – Em que momento da vida as fobias costumam se manifestar?

Dra. Valéria Avilla –  Com certeza em situações de estresse extremo ou de estresse crônico. E esse estresse também pode ser causado pela presença de uma doença clínica importante.

Aurélia Guilherme – Quando procurar ajuda médica?

Dra. Valéria Avilla – Quando essa fobia causar prejuízo. Caso alguém que tenha medo de voar de avião, mas seu padrão de vida não exige que ele precise viajar de avião, haveria, a princípio, a necessidade de um tratamento. Embora, eu penso que isso já fecharia possibilidades de alguém querer crescer e também demonstre que tem algo já não saudável mentalmente se aproximando.

Aurélia Guilherme – Quais são as opções de tratamento para quem manifesta algum tipo de fobia?

Dra. Valéria Avilla – Tratamento psiquiátrico à base de antidepressivos. Esses são medicamentos que tratam várias doenças e não, apenas a depressão. Não causam dependência como alguns ansiolíticos que são benzo diazepínicos (aqueles de tarja preta).

Psicoterapia cognitiva age mais especificamente no foco da fobia atual e também é muito útil associada à medicação. Mas, a minha opção pessoal é por medicação associada à psicanálise. A psicanálise é um tratamento mais definitivo e vai até osso da questão. Embora, em alguns pacientes possa ser um tratamento um pouco mais lento para surtir efeito, a psicanálise faz uma excelente parceria com a medicação, que tem um efeito mais imediato. Portanto, psicanálise e medicação têm efeito mais duradouro e mais completo.

Medo e Fobia - Quando esses sentimentos aprisionam e paralisam, com a Psiquiatra Valéria Avilla

Não deixe que o medo excessivo cause sofrimento. Procure ajuda especializada! 

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