Menopausa, com o Ginecologista e Obstetra João Luiz Tarlé Rosa

 
“Quantas dúvidas rondam o universo feminino, quando o assunto é a Menopausa. Todos os dias, em consultório, recebo mulheres passando por essa transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. Precisamos esclarecer que essa é a fase do Climatério. A Menopausa se inicia a partir da última menstruação da vida.
Vamos explicar melhor o funcionamento de toda essa engenharia reprodutiva:

Dr. João Luiz Tarlé Rosa, Ginecologista e Obstetra, CRM – GO 7014

As meninas nascem com cerca de um a dois milhões de células germinativas nos ovários. Todos os óvulos têm sua origem nessas células germinativas, também conhecidas como folículos. Enquanto um homem produz milhões de espermatozoides em cada ejaculação, as mulheres produzem apenas um óvulo por mês. Trata-se de um complexo sistema hormonal que, a cada ciclo menstrual, se utiliza de um grupo de folículos para produzir o óvulo daquele mês. Todos os outros folículos em luta para formar óvulos não terão nova oportunidade, caso percam essa seleção natural irão morrer fatalmente. São os folículos, os grandes produtores de hormônios sexuais femininos, como o estrogênio e a progesterona. E assim, a cada nova menstruação, milhares de folículos vão morrendo, sem que a mulher seja capaz de repor o que está sendo perdido. Ao final desse estoque, como não há folículos para a produção dos hormônios, os ovários entram em falência e as taxas de estrogênio e progesterona caem para sempre. Esse é um processo irreversível.

Durante esse tempo, já começaram os sintomas tão queixosos das mulheres. A maioria delas experimenta as ondas de calor sufocante; o rubor facial, consequência de um aumento da temperatura; sudorese; ansiedade; palpitações, durante tantas vezes por dia. Quando elas me chegam assim, no consultório, posso calcular tamanho sofrimento.
Não bastassem esses sintomas, quando cai a quantidade de estrogênio e de progesterona produzida pela mulher, sua vagina, uretra e as fibras do tecido de sustentação do assoalho pélvico perdem consistência, com riscos de incontinência urinária, queda de bexiga e de útero, flacidez, com perda da elasticidade e rugosidade do canal vaginal. As relações sexuais podem se tornar doloridas à penetração. A libido é diminuída, há secura vaginal, com menor resposta à estimulação clitoriana.
Quem pensa que os sintomas se acabaram, se engana. O organismo perde colágeno com a interrupção ou baixa do estrogênio; a pele fica mais ressecada, com tendência ao afinamento, se torna mais enrugada, menos elástica e as unhas frágeis.
Nas mamas, os sinais são de envelhecimento e atrofia, acúmulo de gordura, flacidez. Porém, essa perda de consistência acontece de forma generalizada. Além disso, a perda de massa óssea, a cada ano se torna mais evidente, com riscos de osteoporose.
Quando o estilo de vida é ruim, com alimentação pobre, sedentarismo, tabagismo, carência de vitamina D, excesso de álcool e uso de certos medicamentos, o problema se acentua ainda mais.
Os danos provocados pela baixa produção de estrogênio chegam ao cérebro, modificando os níveis de dopamina, noradrenalina e serotonina com tendência à quadros depressivos, dificuldade de memorização, irritabilidade, melancolia, crises de choro, humor flutuante e labilidade emocional.
A menopausa anuncia também, um tempo de maiores cuidados cardíacos, pois as doenças cardiovasculares encontram espaço com essa baixa hormonal.

Portanto, é importante buscar maiores informações durante essa fase da vida feminina. Há diversas formas de repor os hormônios que estão sendo perdidos. Procure um especialista e viva a maturidade com plenitude!”

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