Mesentério, o reconhecimento desse ‘novo’ órgão, com o Gastroenterologista Rômulo Pereira

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Dr. Rômulo Gustavo Pereira , Gastroentereologista e Nutrólogo, CRM-GO – 8829

Algumas descobertas da medicina são mesmo incríveis. Veja o mesentério, um revestimento da parede abdominal, que protege o intestino, por exemplo, há pouco tempo foi promovido a órgão de grande importância no bom funcionamento do corpo humano. Mas, que doenças digestivas estão ligadas ao mesentério? Em que a descoberta desse novo órgão pode auxiliar na medicina que busca a cura para problemas do aparelho digestivo? Pautas para um estudioso no assunto, o Gastroenterologista Rômulo Pereira:

mesenterio-intestino-mesocolon-transversal-direto-sigmoide-meseretoAurélia Guilherme – Qual a sua opinião sobre essa recente descoberta?

Dr. Rômulo Pereira – O mesentério é uma estrutura cuja descrição data de tempos remotos, desde Leonardo da Vinci no seculo XVI. Era tratado, até recentemente, como uma simples ligação entre o intestino e a parede abdominal. Essa mudança de categoria faz com que a ciência olhe para essa estrutura com mais atenção, melhorando tratamentos de diversas doenças em que ele está envolvido, levando ainda à novas pesquisas sobre doenças e à melhoria de técnicas cirúrgicas, tornando-as menos invasivas, com mais segurança e melhor recuperação no pós-operatório.

Aurélia Guilherme – Nos explique o que é o mesentério?

Dr. Rômulo Pereira – Trata-se de uma estrutura de tecido conjuntivo e gorduroso que liga o tubo digestivo, desde o intestino delgado até o reto, à parede abdominal posterior. Ele tem uma intensa rede de vasos sanguíneos (artérias e veias), linfáticos, gânglios e nervos.

Aurélia Guilherme – Quais são as funções do mesentério?

Dr. Rômulo Pereira – A função clássica do órgão é a ligação do intestino à parede do abdome, sustentando-o e evitando que ele “caia” e se cole na pelve. No entanto vai muito além disso, pois ele é encarregado do suprimento e drenagem de sangue de linfa dos intestinos, transportando os nutrientes absorvidos, além de ter ainda funções imunológicas. Também parece ter relação importante com o metabolismo, pois está diretamente relacionado com o acúmulo de gordura visceral, aquela mesma relacionada a distúrbios com HAS e DM, onde há grande produção de substâncias (citocinas), que estariam relacionadas ao metabolismo de açúcares e gorduras no corpo humano.

Aurélia Guilherme – Quais as doenças estão relacionadas a este órgão?

Dr. Rômulo Pereira – Doenças vasculares (trombose mesentérica), tumores (primários e metástases), hérnias, vólvulos (ou torções), doenças congênitas, aderências e cistos.

Aurélia Guilherme –  O senhor considera que essa descoberta possa abrir caminhos para o tratamento da obesidade, do excesso de gordura no sangue e do diabetes?

Dr. Rômulo Pereira – Como nele se acumula boa parte da chamada gordura visceral, pode sim, abrir portas para novos tratamentos, visto que ali ocorre a produção de várias substâncias (citocinas), que estão relacionadas a doenças metabólicas, como diabetes, hipertensão, alterações em colesterol e triglicerídeos, entre outras. Porém essa informação ainda carece de evidência científica mais forte.

Aurélia Guilherme – Atualmente, a medicina do aparelho digestivo levanta a polêmica sobre a real eficiência da interposição ileal para algumas doenças importantes do aparelho digestivo. As cirurgias do mesentério poderiam substituir a técnica criada pelo doutor Áureo Ludovico?

Dr. Rômulo Pereira – Essa função do mesentério em doenças metabólicas é ainda carregada de perguntas a serem respondidas. Como tal, ainda há de haver muitos estudos para se ver na prática clinica algum tratamento ou cirurgia nesse sentido. Em um primeiro momento, não creio que haveria uma cirurgia em mesentério que substituísse a técnica a que se referiu. Até porque, a gordura visceral, que se acumula no mesentério, é fruto mais de uma ingesta calórica excessiva e do sedentarismo tão evidente em nossos dias. Mas é possível que, no futuro, com novos estudos, se desenvolva alguma técnica cirúrgica com esse fim.

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