Morar no exterior: conheça a história da carioca que vive fora do Brasil há 15 anos

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Caroline Augusta Miranda saiu do Brasil aos 19 anos. Morou cinco anos na Dinamarca e há dez, mora na Suécia. Por lá construiu sua família e encontrou uma nova cultura para agregar a si mesma. Aprendeu várias línguas e desbravou lugares que nem imaginara percorrer. Fora a saudade da família que ficou, do sol, do agrião e do jiló, Carol gosta muito da vida que leva. Hoje, a carioca de 35 anos, mãe de dois meninos, exerce um exímio trabalho de pesquisa sobre Diabetes na Universidade de Gotemburgo.

A seguir, Carol nos conta um pouco de sua experiência de sair de seu país de origem e Boa Vida Online compartilha com vocês:

A ideia de sair do país

“Eu tive síndrome do pânico aos 18 anos, cheguei a ficar três meses em casa, presa no apartamento. Falar com pessoas pela internet virou minha única atividade social e sem surpresa alguma, conheci um dinamarquês. Ele foi ao Brasil me visitar na época e nos apaixonamos. Eu fiquei grávida alguns meses depois e resolvi me mudar para a Dinamarca. Cinco anos depois, me mudei para a Suécia, pois ingressei  em uma faculdade e migrei para continuar meus estudos e experiências”

No começo, todo desgarrar é difícil

“O início foi muito difícil. Eu queria estudar, mas para isso tive de e esperar o visto. Enquanto isso, não podia começar a me integrar na sociedade, nem mesmo ir à escola de línguas. Comecei a estudar sozinha em casa. Esta mudança atrasou todos os passos na minha vida, o que permitiu que iniciasse meus estudos e trabalhos mais tarde. Houve benefícios também, aprendi quatro línguas e consegui entrar em uma faculdade muito conceituada aqui”.

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Carol, seu pai e o primogênito

Exercendo os trabalhos

“Sempre trabalhai com pesquisa científica. Quando me formei, trabalhava em um laboratório de pesquisa de Leucemia, depois fui trabalhar com outros tipos de câncer. Hoje, faço pesquisa científica em diabetes tipo 2”.

Meio brasileira, meio estrangeira também

“Sou brasileira, sempre fui, mas me integrei muito bem aqui. Há muitas pessoas de outras nacionalidades que vêm para o exterior e ficam segregadas da sociedade, muitas nem aprendem a língua. Acho importante sabermos viver na sociedade que nos acolheu”.

Criando os filhos em culturas tão distintas

“Tento buscar os elementos de cada cultura com os quais eu mais concordo para educar meus filhos. Aqui na Suécia, os filhos ditam quase todas as regras de como as famílias funcionam. Comigo não é assim, quem manda sou eu. Eles não podem me chamar de nomes ruins, porque eu também não chamo assim. Aqui na Suécia, as crianças chamam os pais de coisas feias. Tento levá-los ao Brasil uma vez, a cada dois anos, mas é caro. Ainda assim, eles falam um pouco de português e têm contato com a família do lado brasileiro”.

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Carol e o caçula

Prazeres e desgostos de Gotemburgo, Suécia

“Adoro a autenticidade deste lugar, das pessoas. A honestidade das pessoas, dos políticos e a confiança de uns nos outros. Se você perder uma sacola no mercado, pode voltar lá que vai encontrar. Não gosto da escuridão nos meses frios, causa melancolia ”.

Aterrada e aventureira

“Por causa dos meus filhos, que ainda estão na escola e da minha carreira não finalizada, não pretendo sair daqui agora, mas quem sabe em uma década. Sou muito aventureira”.

Conselho de quem foi

“Acredito que morar fora do país de origem é uma experiência muito enriquecedora. Acho que todos deveriam almejar uma experiência de estudar/trabalhar no exterior. Conhecer outras pessoas, outras culturas, outros sistemas. Isso abre os horizontes, desperta a mente, além de aprender outras línguas, o que transforma nossa maneira de pensar – algo cientificamente comprovado”.

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