Morre Luiz Melodia – O deus ebano partiu

Quando estou amando, é parecido com o sofrer… Que tristeza saber da morte do cantor e compositor Luiz Melodia. Câncer na medula óssea, que perda irreparável. O negro gato, que desceu do morro e colocou seu swing na MPB, se foi com apenas 66 anos. O problema é que ele fez o transplante, mas não respondeu bem à quimioterapia.

Luiz Melodia ou Ébano

Luiz Melodia tinha o diagnóstico de mieloma múltiplo. Assim que soube da notícia, entrei em contato com o Oncologista clínico, doutor Marcus Sampaio, uma das referências em quimioterapia mais respeitadas do país, para saber mais sobre a doença:

Marcus Sampaio

Marcus Magnus Sampaio – Oncologista clínico – CRM-GO 7378

Aurélia Guilherme – Do que se trata o mieloma múltiplo?

Dr. Marcus Sampaio – Essa é uma doença que afeta a medula óssea e pode causar lesões ósseas e interferir no bom funcionamento dos rins e da medula óssea, entre outras complicações. É uma doença para a qual buscamos o controle da evolução, já que não é uma doença curável com os tratamentos atuais.

Aurélia Guilherme – Como é o tratamento?

Dr. Marcus Sampaio – O tratamento envolve quimioterapia em doses convencionais, quimioterapia em doses altas com resgate autólogo, que é o transplante de medula óssea autólogo que o Luiz melodia fez. Neste tipo de transplante, o doador é o próprio paciente. As células transplantadas foram cedidas pelo próprio doador, em determinado estágio da doença. Depois de estimuladas com medicamentos, são colhidas e armazenadas em congelamento para um transplante, em momento propício.

 Aurélia Guilherme – Há alguma classe de novos medicamentos no tratamento do Mieloma múltiplo?

Dr. Marcus Sampaio – Sim, há medicamentos mais novos no mercado. São medicamentos que estão no grupo dos tratamentos biológicos, dentre os quais os anticorpos monoclonais. As respostas têm sido muito positivas, com controle mais prolongado da doença.

 Aurélia Guilherme – Porém, para muitos pacientes, não há resposta…

 Dr Marcus Sampaio – O transplante de medula autólogo é feito nos pacientes mais jovens e em melhor estado geral de saúde. Busca-se um controle maior em longo prazo. Entretanto alguns pacientes apresentam células tutorais com alterações genéticas que conferem resistência ao tratamento. São pacientes que podem ter uma evolução mais agressiva da doença. Esses, podem não ter uma resposta adequada ao tratamento.
Existem exames moleculares que ajudam nesse diagnóstico da presença de células potencialmente resistentes. São exames que avaliam alterações genéticas nas células tumorais.

Aurélia Guilherme – A esses pacientes resistentes, nada mais pode ser feito?

Dr Marcus Sampaio – Vai depender de como se encontra o paciente e do tempo entre o último tratamento e o ressurgimento da doença. Intervalos muito curtos prenunciam uma pior evolução. Mas podemos usar tipos de quimioterapias diferentes. Os anticorpos monoclonais estão entre as alternativas.

“Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão debaixo do braço
Em qualquer esquina, eu paro
Em qualquer botequim, eu entro
E se houver motivo é mais um samba que eu faço
Se quiseres saber se eu volto diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim

Eu tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Eu tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói no meu peito me rói
Eu estou na cidade eu estou na favela
Eu estou por aí sempre pensando nela

Pensando nela… Pensando…”

Luiz Melodia – 1951 – 2017

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Luiz Melodia, cantor e compositor

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