Nem Paris! Se na sua mala não contém você

Férias! A melhor pode ser Paris, mas não arriscaria tanto. A melhor é quando se está amando. Amando a si mesmo! Portanto, não faça a besteira de ir para Paris sem a alegria de ser quem é. – Nossa! Como se pode ir a algum lugar sem levar a si mesmo? Pode, e é a pior viagem.

Passear para se esquecer de si mesmo – é isso que muita gente faz. Uma amiga foi à Cidade Luz. Ela estava deprimida e pensou que seria uma ótima solução – sem estresse, num lugar très chic. Juro que avisei, mas se alguém não escutou é porque precisa viver a experiência para se convencer. Lá foi ela, com um grupo super animado. Não deu outra! Logo no primeiro dia, enquanto os outros passeavam flutuando, sem se preocupar se ainda possuíam pés, ficou apavorada com o tanto que tinham que andar e assim machucou seus pés. No segundo dia, apesar de inexplicavelmente Paris estar num azul irreal, ela conseguiu fechar o tempo. O grupo queria continuar o roteiro até mais tarde e ela queria voltar para o hotel para tomar banho.  Quando ninguém topou, simplesmente fez um pampeiro e sem saber falar nenhuma língua, sumiu pela cidade. O melhor amigo preocupado foi atrás e isso não melhorou em nada. À noite pegou todos os seus euros para compras e voltou para o Brasil – quinze dias antes da data de retorno.

Jamais é tarde! Mas, como demora para algumas pessoas descobrirem que: se não está bem, se está insatisfeita e incomodada, se vive adoecendo, ou mal-humorada, o melhor roteiro é um trecho para uma viagem interna – de preferencia sem o trecho de retorno. Volte quando valer à pena. Interessa-se por esse roteiro? Que ótimo! Então, já embarcou. Fácil assim? Não tão fácil, na verdade.

A depressão, a angústia ou a ansiedade intensa são milhas para um trecho interno se você souber usar. Não é por acaso que elas bateram no seu corpo. Não seria na sua mente? Não! Corpo é o tudo que é, inclusive a mente. Não ignore os alarmes: taquicardia, falta de ar, sensação de estrangulamento, e dores sem razão – aliás, não existe dor sem razão – dores emocionais são o extremo do real. Choro fácil, medos irracionais, irritação e mais alguns, não podem ser extraditados do seu corpo indo para outro país. É necessária a viagem mais doméstica que há – a viagem para dentro. É preciso gastar um tanto bom de dinheiro, mas não será torrado em compras de objetos que você mal sabe escolher, pois está mal… Invista em outro itinerário, um que futuramente lhe fará usufruir de qualquer lugar no mundo, de Aparecida à Paris. E ainda aproveitar do melhor, lhe ensinar a viajar consigo mesmo e se divertir até sem precisar sair do lugar.

Freud e Lacan e o berço da psicanálise de fato estão em Paris, mas com certeza seu divã se encontra bem mais próximo.

Garanto! Paris depois de um tanto de análise é bem mais linda e deliciosa. Os franceses não valorizam tanto o banho. Minha amiga: continuo como brasileira, gostando muito de banho – mas não me escravizo a ele – prefiro banhar-me de alegria. Afinal, quando estamos bem , tudo cheira bem.  À bientot!

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