Parto humanizado, com a Obstetra Ana Cristina de Castro

Há um grande número de mulheres interessadas no parto humanizado. Com isso, cresce o número de especialistas preparados para assegurar todos os cuidados necessários à mulher e ao bebê!

Parto humanizado, com a Ginecologista e Obstetra Ana Cristina de Castro

Parto humanizado

O Parto Humanizado vai muito além das banheiras ou da ausência da cesária. Seu próprio nome já define como todo o processo será conduzido. Esse tipo de parto, prioriza a mulher, que é tratada com respeito e de forma carinhosa. Além disso, a mulher pode desfrutar da companhia da família, caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores. As intervenções com medicamentos, a aceleração do parto ou até mesmo o tradicional corte vaginal (episiotomia), acontecem somente quando é estritamente necessário. A seguir, Boa Vida Online destaca uma entrevista completa sobre o assunto, com a Obstetra Ana Cristina de Castro, referência no assunto. Veja:

Parto humanizado, com a Ginecologista e Obstetra Ana Cristina de Castro

Ana Cristina de Castro – Ginecologista, Obstetra – Defensora do Parto Humanizado – CRM-GO 8255

Aurélia Guilherme – Como deve ser realizado um Parto Humanizado?

Dra. Ana Cristina de Castro – No Parto Humanizado, as decisões da mulher/casal são respeitadas. Evitamos as intervenções desnecessárias ou que não tragam benefícios ao binômio – mãe e bebê. As condutas são baseadas em evidências científicas com melhores resultados e existe um respeito ao tempo do parto.

A equipe, que trabalha com Parto Humanizado, tem que ter disponibilidade, não ter pressa. Incentiva-se o uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor, tais como: massagens, respiração, banhos, aromaterapia. A analgesia de parto pode ser realizada, caso seja solicitada. A presença do acompanhante proporciona mais tranquilidade à parturiente e aumentam as chances de sucesso com o parto vaginal.

Além disso, incentivamos o contato entre mãe e bebê de forma precoce, sem a pressa em realizar o clampeamento do cordão umbilical. A mamada é garantida na primeira hora de vida. É comprovada a importância dessa mamada para imunidade do bebê e para a formação de vínculos. Neste tipo de parto, a ação é toda da mulher, que segue o processo fisiológico do nascimento. O médico acompanha, observa e interfere se houver algum problema.

Aurélia Guilherme – O que as mães devem procurar se tiverem interesse em realizar um parto humanizado?

Dra. Ana Cristina de Castro – O principal ponto é ter acesso às informações – verdadeiras e claras – sobre as vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de parto. Também é essencial realizar o pré-natal regularmente. Assim, são identificados fatores de riscos e a gestação é conduzida da maneira mais adequada. Boa preparação física e emocional faz muita diferença nesse tipo de parto.

Sempre recomendo livros e documentários, a fim de trazer mais esclarecimentos. Além disso, o trabalho com fisioterapeuta e doulas é essencial no parto humanizado. Mas, talvez o passo mais importante seja a escolha da equipe! A mulher tem que ter empatia e confiar nos profissionais que a assistem.

Saiba mais sobre SHANTALA, uma massagem perfeita para bebês!

3 Passos importantes

A primeira coisa que a mãe precisa é, realmente, querer o parto humanizado, com suas emoções e desconfortos. Isto vai além de querer provar algo para os outros. É acreditar nos benefícios deste tipo de parto.

O segundo passo é fazer um bom pré-natal para saber se a saúde da mãe e a do bebê estão bem. Só assim, é possível realizar um parto sem intervenções.

Procurar um obstetra que goste e saiba conduzir um parto desta forma é o terceiro passo. Converse com o médico que lhe atende e com o qual você tem afinidade, sobre suas escolhas. Procure ajuda em grupos de apoio ao parto humanizado. Isso aumenta a chance de encontrar um profissional com o perfil desejado. Sem estrutura mínima para este tipo de parto, e sem um obstetra com uma equipe motivada e treinada para fazê-lo, não é possível alcançar plenamente o objetivo.

Aurélia Guilherme – Quais são os tipos de Partos Humanizados?

Dra. Ana Cristina de Castro –  Acho que podemos resumir a humanização em três pilares: respeito, evidências científicas e disponibilidade. Sendo assim, existe a cesariana humanizada. Nesta, a mulher entra em trabalho de parto e a cirurgia é feita com indicações reais. O ambiente tem uma temperatura adequada, acompanhante na sala, o bebê é colocado de imediato em contato com a mãe e estimula-se a mamada na primeira hora de vida. Infelizmente, o parto normal pode acontecer com violência e desrespeito. Humanizar vai muito além do uso da banheira ou dos aromas.

Aurélia Guilherme – Qual o grande diferencial do Parto Humanizado para o Parto Normal?

Dra. Ana Cristina de Castro –  A diferença entre Parto Humanizado e o parto normal é justamente a maneira como o processo é conduzido. No parto humanizado, o atendimento é centrado na mulher. Respeito, carinho, companhia da família… A mulher pode caminhar, tomar banho de chuveiro ou de banheira para aliviar as dores. As intervenções com medicamentos, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal(episiotomia), acontecem somente quando é estritamente necessário. A parturiente precisa dar seu consentimento.

Aurélia Guilherme – Qual o maior benefício para o bebê?

Dra. Ana Cristina de Castro – No Parto Humanizado, os bebês têm menos complicações respiratórias. O trabalho de parto se inicia de forma espontânea (na maioria das vezes). Gostaria de ressaltar que o  pulmão do bebê maduro libera substâncias que irão desencadear o trabalho de parto. Além disto, a recuperação da mãe é mais rápida e isso facilita a amamentação. Sem falar no contato imediato, pele a pele, entre mãe e filho, que facilita a formação de vínculos. 

Aurélia Guilherme – No Brasil, a cesariana lidera os tipos de partos.  Qual a sua opinião sobre esse dado?

Dra. Ana Cristina de Castro – Não tem como simplificar e colocar uma única causa para a epidemia de cesarianas em nosso país. Acho que isso acontece, principalmente, pela questão da falta de disponibilidades dos profissionais (que não são bem remunerados pelos convênios). Há também falta de informações da sociedade, em geral, sobre os riscos da cirurgia cesariana. No Brasil, criou-se a cultura de que “a cesárea sempre salva”. As mulheres fazem escolhas, sem saber que correm mais riscos de hemorragias, trombose e infecções. Além disso, seus bebês têm chances maiores de problemas respiratórios.

Veja também:

Cuidados com recém-nascidos

#boavidaonline #boavida #aureliaguilherme #partohumanizado #partohumanizadoemgoiania #parto #tiposdeparto #draAnaCristinadeCastro

Parto humanizado, com a Ginecologista e Obstetra Ana Cristina de Castro

“Na minha opinião, muitos aspectos negativos da sociedade atual, como a violência, são frutos do desrespeito para com os outros. A falta de amor e de vínculos nos torna mais desesperançosos e infelizes. A humanização prima pelo respeito e formação de vínculos. Destaco o defensor da humanização, o obstetra francês Michel Odent, quando diz: ‘Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer,’”Ana Cristina de Castro

Comentários