Rotavírus, com o Pediatra Fernando Pacéli

 

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Contaminação por vírus, bactérias e parasitas podem levar a um quadro de diarréia que, dependendo da gravidade, pode colocar em risco a vida dos pequenos. Entenda o mecanismo de atuação do Rotavírus no organismo, com o Pediatra Fernando Pacéli:

Dr. Fernando Pacéli, Pediatra, CRM-GO 3881- 0

Boa Vida Online – O Rotavírus é mesmo o principal causador dos episódios de diarréia aguda?

Dr. Fernando Pacéli – As doenças diarréicas agudas permanecem como um dos principais problemas da saúde pública e segunda causa de morte em crianças menores de cinco anos. Elas determinam cerca de 1,8 milhões de óbitos a cada ano, quase 600 mil destes atribuíveis ao rotavírus, que pode ser considerado a causa mais comum de gastrenterite grave em lactentes e crianças jovens em todo o mundo. A maioria das mortes secundárias ao rotavírus ocorre em regiões menos desenvolvidas, mas o vírus tem distribuição universal, e infecta adultos e crianças em todo o mundo.

Boa Vida Online – Como ele é transmitido?

Dr. Fernando Pacéli – Os Rotavírus são eliminados em altas concentrações nas fezes . A eliminação viral ocorre antes do início da diarréia e se mantém por vários dias após a doença clínica. São necessários poucos vírus para causar doença no hospedeiro suscetível. A transmissão fecal-oral é a rota primária de contaminação.

Boa Vida Online – Como se faz a confirmação diagnóstica desse vírus?

Dr. Fernando Pacéli – O diagnóstico etiológico de certeza é feito pela investigação do vírus nas fezes do paciente, de preferência nos primeiros 2 a 5 dias do início dos sintomas, período de maior excreção viral. O teste imunoenzimático (ELISA) é o método de escolha para detecção do antígeno viral dos rotavírus do grupo A. Trata-se de um procedimento facilmente executado e acessível.

Boa Vida Online – Quais as consequências mais temidas da diarréia por Rotavírus?

Dr. Fernando Pacéli – As infecções por rotavírus se caracterizam por apresentar início abrupto de vômitos, seguidos de febre alta e diarréia intensa, que acarretam desidratação grave (tipo isotônica), considerada a principal causa de óbito. Formas inaparentes podem ainda ocorrer entre recém-nascidos e lactentes até os 3-4 meses, em decorrência da proteção conferida pelos anticorpos maternos ou pela circulação de amostras atenuadas em berçário. Adultos e crianças com idade superior a dois anos podem apresentar evolução clínica branda ou ter reinfecções inaparentes, via de regra decorrentes de contacto intrafamiliar e ou institucional (ex: asilos e creches). A diarréia, em geral, é profusa, com fezes aquosas, de caráter explosivo, não sanguinolenta, acompanhada ou não de cólicas abdominais de leve intensidade. Em geral dura 5 a 8 dias.

Boa Vida Online – É verdade que quanto menor for a criança mais vulnerável ela é?

Dr. Fernando Pacéli – Verdade. A vulnerabilidade está no fato já descrito acima, da criança possuir somente a imunização passiva.

Boa Vida Online – Qual o tratamento?

Dr. Fernando Pacéli – Considerando-se que a doença é geralmente auto-limitada, deve-se fazer a reposição oral e/ou parenteral de fluidos e eletrólitos bem precocemente. O aleitamento materno deve ser mantido em livre demanda e, no caso de alimentação mista, deve-se manter a dieta habitual com correção dos erros alimentares, visando preservar o estado nutricional e impedir a instalação ou agravamento da desnutrição. Não se recomenda o uso de antimicrobianos ou antidiarréicos no tratamento.

Boa Vida – Há algum medicamento que realmente seja importante na regeneração da mucosa intestinal?

Dr. Fernando Pacéli – Em verdade, não há um medicamento específico que contemple as reações ocasionadas pela Infecção pelo Rotavírus. Deve ser providenciada a prevenção através da vacinação.

 

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