Saiba reconhecer um ataque de pânico, com Janine Mota

A ansiedade é uma questão de suma importância e, de incidência cada vez mais alta, na sociedade em que vivemos. Com uma rotina estressante ou na busca incessante de preencher o vazio existencial, a ansiedade aparece nos colocando, muitas vezes, em situações extremamente descontroladoras. É nesse momento, que se torna altamente necessário identificar o início de um ataque de pânico, que se ignorado ou não tratado, pode evoluir para a Síndrome do Pânico. Quem nos inteira melhor desse assunto importante, é a psicóloga Janine Mota, confira:

Dra. Janine de Melo Borges Mota (CRP-09/6479) é Psicóloga Comportamental/ Cognitivo; Psicopatologista Clínica; Neuropsicóloga; Psicopedagoga

Entenda o processo do ataque de pânico

“O pânico é um tipo de transtorno de ansiedade, no qual ocorrem crises inesperadas de medo agudo, de modo recorrente, mesmo que não exista um motivo aparente. No momento do ataque de pânico, a adrenalina é liberada em quantidades abundantes, onde o corpo é preparado para grandes esforços físicos. Geralmente, o ataque de pânico é desencadeado depois de um evento traumático, mas também, pode ser resultado de acúmulos de eventos ansiosos. Assim, depois da primeira crise, os pacientes ficam traumatizados, já que a sensação que a crise irá voltar a qualquer momento, torna-se uma preocupação constante; também pode ocorrer a sensação de incapacidade frente aos sintomas. De uma forma geral, pode-se dizer que a pessoa fica com “medo de sentir medo”. O indivíduo que passa por um ataque de pânico, de certa maneira, compromete a sua rotina e a relação com a família, pois o paciente tende a se isolar, evitando suas funções naturais básicas, como ir ao trabalho ou sair de casa, para interações e eventos sociais”.

O que sinaliza um ataque de pânico

“Alguns sinais podem identificar o início de um ataque de pânico, embora um conjunto de comportamentos e sintomas, também possa ser confundido com outros transtornos, motivo pelo qual, talvez, o diagnóstico seja tão demorado. No primeiro ataque de pânico, os sintomas físicos são extremamente impactantes e, junto deles, os sentimentos e pensamentos negativos (ou impregnados de falsas crenças), em relação a esse exato momento vivido, é que leva ao trauma. O pensamento fixo de que este momento, pode se repetir novamente e, com a mesma intensidade, pode ser perturbador e desencadear um novo ataque. Veja alguns sintomas:

  • Estímulos ao coração (palpitações);
  • Aumento da pressão arterial;
  • Contração muscular;
  • Dilatação da pupila;
  • Sudorese;
  • Tremores;
  • Dor no estômago ou diarreia;
  • Sensação de irrealidade e estranheza;
  • Calafrios;
  • Medo de morrer ou de perder o controle de si;
  • Dificuldade para respirar;
  • Associação negativa a lugares fechados e fobia de aglomerações de pessoas”.

Saiba como lidar com um ataque de pânico

“Inicialmente, o paciente precisa ter a noção e a consciência, do que realmente é a ansiedade e, como esta, evolui para a crise de pânico. Se caracteriza como um aprendizado, que denominamos de psicoeducação, em terapia. Depois, é necessário interpretar os sintomas e tentar mudar os pensamentos, que intensificam a crise.

A terapia Comportamental/Cognitiva ensina o paciente a identificar os sintomas físicos e psicológicos, assim, pode perceber, imediatamente, os fatores ou gatilhos desencadeantes. Nesse momento, também há a opção do uso de medicamentos para abortar a crise, além de técnicas de respiração e relaxamento progressivo. Com o tempo, o paciente aprende a selecionar e evocar pensamentos em conjunto com sentimentos, que vão ajudá-lo a perceber suas crenças e a eliminar os pensamentos catastróficos. Essa conscientização, é imprescindível no controle da sintomatologia.

Aprender a lidar com a crise, é muito importante para o controle comportamental do transtorno. Atualmente, existem muitas técnicas de manejo comportamental para o momento de pânico. O mais importante, no instante da crise, é tentar manter a calma; quando necessário, usar a medicação indicada pelo especialista; buscar a companhia de alguém que confie; realizar a técnica de respiração diafragmática e tentar relaxar ao máximo, para interpretar e modificar os pensamentos e sentimentos. Em um primeiro momento, buscar a ajuda de profissionais da área da saúde é fundamental para que o ataque de pânico não evolua para o Transtorno de Pânico e, junto com ele, outras comorbidades instaladas, com o agravamento dos sintomas físicos e psíquicos”.

 

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