Birras de crianças: 3 situações interpretadas pela psicóloga Raquel Magalhães

Alguns pais realmente se sentem impotentes diante das birras das crianças. “Chiliques”constantes transformam o cenário familiar em um caos total. Mas, certamente, a criança reage ao descontentamento de acordo com a permissão  que ela tem à respeito de seus limites.

Birras de crianças: 3 situações interpretadas pela psicóloga Raquel Magalhães

As birras das crianças são pontuadas de significados. Pais preparados devem saber interpretar esses sinais. Assim, os pequenos crescem com a noção de que a conquista do que se quer exige mais do que a simples vontade própria

Birras das crianças – 3 exemplos clássicos

Crianças são seres adoráveis, puros, inocentes e que merecem toda a nossa atenção. Porém, é preciso direciona-las da melhor maneira, para que elas possam lidar com todo tipo de situação na vida. O mundo exige uma inteligência emocional apurada. Assim, no futuro, elas resolvem, da melhor maneira, as situações desfavoráveis da vida. Portanto, dar à criança tudo o que ela quer é um desserviço à sua boa formação humana.

A psicóloga Raquel Magalhães, faz a sua análise diante de 3 situações de birras de crianças. Mas, antes, ela decifra as funções dos diferentes tipos de comportamento inadequado dos pequenos.

Interpretação dos significados das Birras de crianças

“Toda criança pode emitir comportamentos inadequados, por vários motivos: cansaço, fome, dor, frustração, aborrecimento, desocupação, excitação, ou em uma situação nova ou difícil para ela. Para lidar adequadamente com comportamentos, é preciso observar e entender as suas funções. O sucesso da intervenção do manejo do comportamento depende da função que ele tem para cada criança em particular.

É valido lembrar ainda que, se um comportamento está ocorrendo, é porque ele tem alguma função, ou seja, está sendo reforçado. Somos ‘formados’ pelas consequências dos nossos comportamentos e pelos contextos em que eles ocorrem. Nossos comportamentos, que foram reforçados, passam a ocorrer com mais frequência e, aqueles que foram colocados em extinção, vão deixando de ocorrer.

Birras de crianças: 3 situações interpretadas pela psicóloga Raquel Magalhães

Raquel Magalhães (CRP 09/3469) é Psicóloga, Neuropsicóloga, Psicóloga Escolar e Pós graduada em Análise do Comportamento Aplicado aos Transtornos do Espectro Autista e outros transtornos do desenvolvimento

Modificar comportamentos então, significa modificar as relações consequentes. Ou seja, o que acontece depois das birras de crianças e também o que acontece, antes desse tipo de comportamento. São as relações antecedentes”.

Vamos entender melhor as funções entre essas relações:

“Geralmente as birras de crianças emitem comportamentos inadequados, por alguns motivos ou funções. Vejamos duas das principais delas:

1 – Reforçamento social positivo ou busca de atenção:

Esse tipo de função é proporcionado por uma outra pessoa. É quando, uma criança emite um comportamento de birra e recebe a atenção desejada ou um brinquedo que se queira. Aqui, o comportamento das birras de crianças, é sequenciado pelo o que elas desejam. Atenção ou o objeto de seu desejo. Por isso, a função da birras de crianças, nesse caso, tem estes objetivos.

2- Reforçamento social negativo ou fuga de demanda:

Esse reforçamento também é mediado por outra pessoa. Aqui, o responsável interrompe uma atividade aversiva da criança, quando esta emite um comportamento de birra. Por exemplo: uma criança que está fazendo uma tarefa escolar, pode começar a chorar e a se jogar no chão. O adulto permite que ela pare de fazer a tarefa.

Neste caso, o comportamento de chorar e de se jogar no chão, foi sequenciado por se livrar da atividade. Há algo muito importante para se observar. O mesmo comportamento (chorar e se jogar no chão), pode ser usado para funções diferentes. Ela pode receber algo (que seria reforçamento social positivo) e pode se livrar de algo (reforçamento social negativo).

Identificar a função do comportamento é de extrema importância para fazer uma intervenção correta. Caso contrário, ao invés de diminuir a frequência de um comportamento problema, o profissional ou os familiares, pode estar reforçando, o que aumentaria a sua frequência”.

Depois de ler essa matéria, clique aqui e veja os conselhos da Psicóloga Maria Luiza Carvalho de como lidar com as birras

3 situações de birras das crianças, com a psicóloga Raquel Magalhães

Se os pais cedem, as crianças aprendem que a birra é um dos caminhos para a conquista dos desejos. Porém, é preciso ouvir não com firmeza, educação e amor. Assim, promove-se a inteligência emocional dos pequenos e forma-se adultos equilibrados e resilientes

Apresentando os casos:

Caso 1- Criança dá birra em shopping. A mãe diz para ela parar, ela intensifica o “show”. Depois de 3 tentativas firmes, porém, em baixo tom de voz, a mãe tenta contê-la em vão. A criança mantém a atitude inconveniente. A mãe deixa a criança, mesmo pequena para trás e segue em frente. O shopping está cheio. E a criança fica atônita, sem acreditar no que vê, e corre arrependida na direção da mãe.

“Possivelmente a criança estava sendo mantida por reforçamento social positivo. Enquanto a mãe lhe pedia para ela parar de chorar e ela mantinha essa atitude. Este fato é um frequente relato das famílias, em consultório. Os pais dizem: ‘mas eu não estava dando atenção, eu estava brigando com ela’. Há uma busca de atenção social nas birras das crianças. Elas querem atenção de qualquer maneira. Muitas vezes, a repreensão dos pais, também é uma forma de dar atenção. Os pais geralmente falam muito e agem pouco. Veja a razão das birras das crianças. Isso dificulta o entendimento das crianças em seguir instruções.”

Caso 2 – A criança de cinco anos quer um brinquedo que é caro. O pai diz que não pode comprar. O menino dá birra, faz escândalo e sapateia. O pai, constrangido, pede para ela parar. Em vão, o menino aumenta o grau de escândalo. O pai, nervoso, bate na criança, que já está aos berros. A loja inteira observa a cena. Bater adianta?

“O pai bate na criança. Para nós, analistas do comportamento, isso é o mesmo que punição a algum comportamento, seguido de um estímulo aversivo. Não somos a favor de comportamentos punitivos e agressivos por vários motivos. A punição pode ter efeitos colaterais indesejáveis, como o de suprimir a resposta, enquanto o agente punidor estiver presente. Seus efeitos emocionais aversivos, que foram provocados, podem ter consequências. Exemplo: respostas de fuga, aumento da tendência de agressividade ou dela se tornar destrutiva. Ou ainda, uma redução do repertório comportamental da criança que sofreu a punição. Além disso, o ato punitivo é incompatível com a aprendizagem de novos repertórios. Ou seja, ensina-se apenas o que não deve ser feito, e não ensina-se o que deve ser feito. A culpa não é da criança. Com cinco anos de idade, com certeza, ela já se utilizou desses comportamentos para ser beneficiada em outras ocasiões. E, nesses casos, ela foi beneficiada. Caso contrário, ela não teria a mesma atitude novamente. As birras das crianças têm este respaldo”.

Caso 3 – Meninos gêmeos de 11 anos dão escândalo por causa de um gibi. Eles falam de forma infantilizada e choram alto, um puxando o gibi do outro. A mãe, parecia uma tonta com a birra das crianças. Ela não sabia a quem atender. Quase implorava para eles pararem. Imagine o inferno na casa desses meninos. E o casal, qual será a última vez que namoraram?

Como nos outros dois casos anteriores, as birras das crianças também são fundamentadas para a obtenção de algo. O problema, é que essas crianças precisam aprender a se comportar de maneira adequada para conseguir o que desejam. Cabe aos pais, mais uma vez, impor limites e deixar  as regras impostas esclarecidas. No caso dos gêmeos, se eles têm somente um gibi, poderia se estabelecer um tempo para cada um ficar com o gibi. Mas vale ressaltar que, para ter acesso ao gibi, é preciso haver o comportamento adequado, inclusive ao falar. O que geralmente presencio são pais com sentimentos de culpa. Vejo que esses pais trabalham demais, estão cansados demais e, consequentemente, cedem muito facilmente. Para criar filhos, é preciso estar atento à todas as contingências.

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Birras de crianças: 3 situações interpretadas pela psicóloga Raquel Magalhães

Birras das crianças mimadas e voluntariosas são fruto de uma educação excessivamente permissiva. Os limites devem estar bem esclarecidos

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