Síndrome da Alienação Parental, com a Advogada Lorena Nascimento

Síndrome da Alienação Parental

Uma separação de casais pode trazer grande transtorno aos filhos, quando se tornam instrumentos para o outro.  As crianças são as maiores prejudicadas. Leia a entrevista a seguir:

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Síndrome da Alienação Parental – Muitas crianças estão se tornando vítimas da Síndrome da Alienação Parental, um grave erro que alguns pais cometem quando decidem se separar. Eles usam a criança, como instrumento de vingança. Ansiedade, medo, culpa, insegurança, isolamento, tristeza e depressão. Comportamento hostil, dificuldades em socializar, dificuldades na escola, transtorno de identidade ou de imagem, dupla personalidade, inclinação ao álcool e às drogas. Os casos mais extremos se tornam comportamentos suicidas, triste realidade, cada dia mais comuns!

A seguir, a Advogada Lorena Nascimento, esclarece o assunto. Ela nos mostra qual o papel da Justiça e como as atitudes dos pais e responsáveis podem trazer péssimas consequências psicológicas aos filhos.

Boa Vida Online – O que podemos chamar de “Síndrome da Alienação Parental?

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Lorena  Nascimento é especialista em Direito de Família e Sucessões – OAB-GO n° 39.565. 

Lorena Nascimento – A Síndrome da Alienação Parental vem, no decorrer do tempo, se tornando cada vez mais frequente na sociedade. Muitos casamentos, uniões estáveis e relacionamentos em geral não dão certo e acabam em divórcios e dissoluções conturbadas. Há muitos conflitos na hora de decidir a guarda e visita aos filhos.

Podemos afirmar que a Alienação Parental é a prática do pai ou da mãe, em afastar o outro genitor da vida da criança. Nestes casos, a criança ou adolescente é usada, como instrumento de vingança. Com o decorrer do tempo, essa prática pode acarretar vários problemas, como dificuldades em se relacionar, redução do rendimento escolar, dificuldades no emprego, problemas psiquiátricos e vários outros.

Boa Vida Online – Essa é uma Síndrome que ocorre com maior frequência em qual dos pais?

Lorena Nascimento – A síndrome manifesta-se com mais frequência junto à mãe. Ainda hoje, é a mãe quem tem a guarda ou reside com os filhos. E, pelo fato de passar mais tempo com as crianças, tem uma influência maior, levando-os a evitar o contato com o pai. Pode, também, no pior dos casos, acontecer com o pai e a mãe juntos.

Mas, há casos também, em que a Síndrome da Alienação Parental ocorre com avós, principalmente os maternos que criam os netos e dificultam a convivência com o genitor, ou vice-versa. Se a Síndrome da Alienação Parental não for descoberta e devidamente tratada, o mais rápido possível, as crianças podem levar essas experiências para a vida adulta. Isso, provavelmente as fará repetir os mesmos erros de seus pais, tratando os futuros maridos/esposas e seus futuros filhos da mesma maneira que foram tratados. É um ciclo sem fim.

Boa Vida Online – Quais são as atitudes que caracterizam um caso de alienação parental?

Lorena Nascimento – O alienador é aquele genitor ou parente próximo que controla e condiciona as crianças ou adolescentes, destruindo sua relação com o outro genitor. Para isso, seu comportamento costuma ser muito variado. Seu objetivo é manipular seus filhos. Proibe-se de falar ao telefone. Ignora-se as chamadas telefônicas do outro genitor. Chega-se, em muitos casos, ao ponto de impedir o direito de visita, quando propositalmente, organiza atividades para a criança no horário em que era designado o encontro com o outro genitor.

Veja outros exemplos:

Interceptar a correspondência dos filhos. Não informar sobre questões e avisos importantes da vida do filho (como compromissos médicos, escolares, sociais, etc.). Alguns chegam ao ponto de difamar o genitor para a criança, com comentários maldosos do tipo ‘‘ele(a) não presta”, “ele(a) não gosta de você” e palavras do gênero. Desqualifica – se e desvaloriza – se o outro cônjuge, perante terceiros e perante o próprio filho.

É o que eu podemos chamar de uma verdadeira “lavagem cerebral”, podendo até envolver outras pessoas, outros parentes.  Já houve relatos de alienantes que proíbem os filhos de usar as roupas que outro genitor deu. Há casos em que, até ameaçam os filhos, se tentarem se aproximar do outro cônjuge, usando chantagens emocionais. Em casos mais extremos, o alienador chega a se mudar de casa, de cidade, ou de País, sem deixar nenhum tipo de contato para o outro genitor. Faz-se um corte radical em qualquer tipo de comunicação com o filho.

Boa Vida Online – As atitudes dos pais, em casos de alienação parental, são apenas psicológicas, ou alguns casos, existem agressões?

Lorena Nascimento – Na verdade, podemos afirmar que a Síndrome da Alienação Parental é um transtorno psicológico, no qual um genitor (movido por frustração, sentimentos de raiva e vingança) tenta impedir o convívio e o vínculo dos filhos com o outro genitor.
O filho começa a absorver toda a negatividade. Cria-se um pacto de lealdade com o alienante, no qual a criança se vê no dever de “proteger”, ficar do seu lado de um e contra o outro genitor, imaginando que esse a fez sofrer. A criança se torna dependente emocionalmente.

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Boa Vida Online – Existe alguma lei para a alienação parental?

Lorena Nascimento – A disposição legal sobre o tema da Alienação Parental, embora seja recente, mas na prática das relações familiares já vem acontecendo há um certo tempo. No entanto, a doutrina somente se ocupou em discutir esse assunto recentemente, com a Lei n° 12.318/10, que dispõe sobre “A Alienação Parental“.

Boa Vida Online – Quais as penas para esses casos?

Lorena Nascimento –  Se for comprovado o caso de Alienação Parental, o juiz costuma fazer uma advertência advertir aos responsáveis. Pode-se determinar acompanhamento psicológico, terapia familiar, ou até a perda da guarda. É o que acontece com os casos mais graves. A criança é retirada do genitor alienador e entregue para o genitor alienado.

Boa  Vida Online – Vamos novamente alertar sobre as consequências negativas que a alienação parental pode provocar nas crianças?

Lorena Nascimento – A Síndrome da Alienação Parental é capaz de produzir diversas sequelas para todos os envolvidos. Para o alienador, para o cônjuge alienado e, principalmente, para os filhos. Sem o tratamento adequado, essas sequelas podem durar para o resto da vida. O psicológico é abalado ao extremo. As sequelas podem variar. Leva-se em conta a idade da criança, as características de sua personalidade, com o tipo de vínculo anteriormente estabelecido.

Os sintomas, podem aparecer na criança de diversas formas. Ela pode desenvolver ansiedade, medo, culpa, insegurança, isolamento, tristeza e depressão. Passa a ter comportamento hostil, dificuldades em socializar, dificuldades na escola, transtorno de identidade ou de imagem. Adquire dupla personalidade, inclinação ao álcool e às drogas e, em casos mais extremos, comportamentos suicidas.


“O alienador é aquele genitor ou parente próximo que controla e condiciona as crianças ou adolescentes. Ele destroi o relacionamento da criança com o outro genitor. Para isso, seu comportamento costuma ser muito variado. O objetivo é manipular seus filhos. Proíbe-se de falar ao telefone e ignora-se as chamadas telefônicas do outro genitor. Há casos em que o alienador organiza atividades para a criança, no horário do encontro com o outro genitor”.


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