Um pouquinho da Califórnia, com Kika Atassio

Kika Atassio mora na Califórnia há três anos. Pela primeira vez desfrutando de um estilo de vida diferente de tudo que já viveu no Brasil. Após ter conhecido muito bem o País de onde veio, a consultora de moda e figurinista decidiu respirar novos ares. Mirou o destino e foi: deixou que a sincronicidade dos fatos fizesse o restante do trabalho. Desde então, vive surpresas a cada dia, em um life style bastante aconchegante e inusitado.

Kika Atassio descobriu um novo estilo de vida na Califórnia. Viver com menos coisas e mais experiências

A vida na Califórnia

O sol nasce todos os dias e, junto com ele, novidades incansáveis, que acompanham Kika. Junto com Evan, seu “namorido”, como gosta de se referir ao amado, construíram um relacionamento sólido. Eles desbravam, juntos, cada pedacinho de lugares incrivelmente encantadores. A vida está aí para ser vivida e, essa escorpiana, sabe fazer jus à essa citação. Respire um pouco dos ares californianos, com Kika Atassio:

Por que San Francisco?

Eu não escolhi San Francisco, acho que San Francisco me escolheu. Na verdade, a gente se achou! Há três anos, eu resolvi que precisava de um break, um tempo pra mim. Foi quando decidi vender meu carro e estudar inglês em algum lugar novo. Tenho uma amiga maravilhosa aqui em SF, a Marcellinha. Ela me ofereceu teto por quanto tempo eu quisesse ficar. Vim para ficar dois meses. Quando esse tempo passou (na verdade voou), eu percebi que não estava pronta pra voltar. Estendi minha estadia para mais cinco meses. No meu último mês, conheci meu “namorido” (não sou muito fã desse termo, mas representa bem o momento). Fui embora para o Brasil com uma promessa de visita dele, em breve. E não é que ele foi!? Além disso, me convidou para voltar com ele. Oito meses depois eu estava de volta e, dessa vez, era pra ficar.”

Kika e seu "namorido" Evan

Kika e Evan na festa junina, em grande estilo.

Menos coisas, mais experiências

“Nossa… minha vida aqui na Califórnia é muito diferente da vida que eu levava no Brasil. Nos meus últimos anos em Goiânia, trabalhei como figurinista, especialmente para publicidade. Uma loucura, correria demais! Aqui, levo uma vida simples, tenho poucas coisas, pois decidi que não queria ser uma acumuladora. Na Califórnia, há uma facilidade em obter coisas. Eu posso ter quase tudo o que quero, mas quero muito menos. Coisas têm menos valor na minha vida atual. Hoje em dia, valorizo muito mais as experiências. Viajo muito, pelo menos, uma vez por mês. A cada viagem, fico mais convencida de que a vida é muito curta para acumularmos coisas.”

Independência ou morte

“Cresci numa família, em que sempre tivemos ajudantes em casa, nunca tinha lavado um banheiro. Aqui, eu faço todo o trabalho doméstico. Limpo minha casa, lavo minhas roupas, cozinho… E sabe o que penso sobre isso? Eu ADOOORO! Faço todas as tarefas diárias com o sentimento de que estou cuidando de mim. Quando falei para o meu namorado que nunca havia lavado minhas roupas, ele não acreditou. Ele teve que me ensinar como usar a máquina de lavar e o fez, morrendo de rir do meu amadorismo.”

Que carro, que nada!

Trabalho na Califórnia

Restaurante e garçonete super brasileiros

“Sempre tive carro em Goiânia, morei quase a vida toda no Setor Jaó. Por ser um bairro mais distante da cidade, era dificílimo depender de ônibus, que passa de hora em hora. Dirigia demais nesse trânsito caótico e sequer percebia o quanto aquilo era estressante. Aqui, continuo morando longe. Mesmo São Francisco sendo uma cidade super pequena, moro do outro lado dela. Eu sai do Setor Jaó, mas ele não saiu de mim (risos).

Para ir para área “central”, pedalo diariamente 20 quilômetros, dez quilômetros para ir e outro tanto para voltar. Não tenho carro e nem quero ter e essa foi a melhor opção que eu fiz. A sensação de liberdade que tenho ao andar de bike é indescritível. Às vezes, volto do trabalho à 1 hora da manhã, sozinha, tranquila e sem medo. Isso é algo que faz toda a diferença na minha vida. Ter a oportunidade de andar de bicicleta, a qualquer hora e em qualquer lugar, me faz muito feliz. A simplicidade da minha vida, agregada à qualidade de vida que tenho é o que mais me agrada aqui.

Trampo

“Para morar em San Francisco é necessário ter, pelo menos, dois empregos. O aluguel aqui é caríssimo! Sou freelancer, produtora, figurinista e também tenho feito a produção de alguns objetos (Sendo Benedita). Estou me jogando nesse meio e o que aparecer eu topo.

Não é nada fácil entrar nesse mercado por aqui, por isso, essa minha inserção é gradual. E como só isso não paga as minhas contas, também trabalho como garçonete em um restaurante brasileiro muito legal. Gosto demais de lidar com gente, me dei muito bem nesse emprego. Funciona assim: recebo $13 dólares por hora, mais a gorjeta. Se a pessoa gosta do serviço, ela paga 20% do valor da conta, só de gorjeta. É uma questão cultural.

Como eu sou “faladeira demais”, sempre tenho boas tips, nunca ganho menos do que 20%. Não posso reclamar, servindo mesas . Por três noites na semana já garanto minhas despesas do mês. Então posso dedicar o resto do meu tempo paras minhas paixões.

Curso

Ninguém aqui nos olha feio ou nos julga por trabalhar como garçonete, é um trabalho muito respeitado. Eu, por exemplo, volto a estudar em Outubro. Vou precisar de tempo para me dedicar a esse curso de dois anos, na área de Comunicação Visual. Por isso esse trabalho é perfeito para a fase em que me encontro.”

Brasileiros no exterior

Há três anos, Kika escolheu a Califórnia como morada

Dia a dia

“Minha rotina é ir para aula de inglês pela manhã e, logo após, voltar para casa para cozinhar. Tento correr na praia todos os dias, vou à academia e pratico yoga duas vezes por semana. A yoga, aliás, tem me ajudado muito com minhas inquietudes). Encontro minhas amigas toda semana e gosto de tomar café nos meus coffeeshops favoritos. O meu bairro é bem tranquilo. Tenho meus amigos por aqui, mas em alguns dias nem dou as caras fora da minha casa. Faço compras no mercadinho orgânico local, tomo meu café, corro, cuido da minha casa e cuido de mim.

Recentemente descobri o mundo das plantas. Sempre tive plantas na casa da minha mãe, mas eu nunca cuidei delas de perto, nunca tive as minhas plantinhas. Agora as tenho e as amo! Acompanho o crescimento, converso, cuido, e é incrível como elas respondem amorosamente ao meu amor.”

A palavra saudade só existe na Língua Portuguesa

“Morro de saudades da minha família e dos meus amigos. Morro! Por isso decidi que preciso ir, pelo menos, duas vezes por ano ao Brasil. Já já eu tô na área, de novo.”

Conhecendo um pouco da ‘Califa’

“Uma coisa que eu descobri é que uma metade da Califórnia é costa e a outra é fazenda. Dessa forma, fica muito fácil se alimentar bem. Os produtos são super frescos e deliciosos. Isso cria uma alimentação saudável e muito mais saborosa. Além disso, eles fazem saladas super elaboradas, o que me fez amar as folhinhas e vegetais. Antes eu apenas gostava.

Apesar da vida de bike aqui ser totalmente viável, as pessoas costumam usá-las para curtas distâncias ou para se exercitar. A maioria das pessoas se assusta, quando falo que moro na praia e vou de bike para todo lado.

Surf aqui é mato! Da minha janela vejo um pico com ondas enormes. Durante o inverno, chegam a quase 20 pés (equivalente a mais de 5 metros). Isso, dentro de San Francisco, é mágico! O único problema é que tubarão aqui não é lenda, mas disso, eu prefiro nem falar.

Outra curiosidade daqui é que, devido à uma placa tectônica gigantesca, San Francisco é passível de terremotos, a todo momento. Quase toda hora tem terremotos de pequena intensidade, que mesmo quase imperceptíveis, ainda são reais. A cada 20 anos acontece um terremoto de forte intensidade. O último foi há 21 anos, ou seja, melhor mudar de assunto de novo… (risos)“. 

Maconha Medicinal

“Não sei exatamente a estatística sobre incidência de usuários, mas sei que o uso se intensifica para a direção certa. Usa-se muito a cannabis para amenizar sintomas de doenças que a idade traz, como Alzeimer e demência. Aqui, quem fuma maconha não é visto com maus olhos. Ninguém se incomoda com um pessoa fumando maconha do lado de fora de um restaurante, por exemplo. Já o cigarro… esse sim faz as pessoas ficarem desconfortáveis”.

Uso medicinal da maconha

A maconha vista por um ângulo mais leve

“Na Califórnia, a maconha é legal apenas para uso medicinal, e somente para residentes californianos. Ou seja, você precisa provar que mora aqui para poder fazer parte de todo o processo. É preciso ir ao médico, relatar quais são seus problemas e então, o médico recomenda o uso de cannabis. Primeiro, o teste é feito com a cannabis. Caso não funcione, visto que os efeitos da maconha não são iguais para todo mundo, eles prescrevem remédios de farmácia. Com a carteirinha, é possível ir a uma dispensary e comprar a maconha que lhe for mais atrativa.

Apesar de existir vários tipos de maconha, elas se dividem em duas espécies: Sativa e Indica. A Sativa o mantém ativo e não o deixa tão “retardado”. Por isso é mais usada para o dia e para projetos criativos. A Indica funciona mais para a noite e para ficar em casa. Isso porque além de relaxar a cabeça, também descontrai todo o corpo. Sabendo o que se está usando, fica mais fácil saber o que lhe serve melhor e para qual ocasião.

Uso recreativo

Em outros estados, como o Oregon, a maconha é liberada também para uso recreativo. É permitido o uso por qualquer pessoa. Curiosamente, nem por isso o uso é desenfreado. Não se vê doidões jogados pelas esquinas, como muitos devem imaginar. Isso não existe, pura lenda!

Eu acredito que a maconha me salvou da chatice e da raiva. Eu era extremamente raivosa, perdia a paciência com muita facilidade. Depois que comecei a fumar, minha vida mudou, tornei-me mais tranquila. Eu não fumo para ficar chapada, meu intuito é apenas o relaxamento. Felizmente, posso dizer que funciona muito bem. Melhor que calmante, com certeza.

Leia mais sobre a maconha medicinal

Acredito que legalizar a maconha no Brasil poderia trazer mais benefícios do que malefícios

“Isso seria bom para todas as pessoas! Tanta para algum tratamento agressivo, para o comerciante da erva e até para Governo. Com o dinheiro dos impostos, poderiam cuidar melhor das questões sociais. O único problema seria para empresas farmacêuticas. E, é daí que vem o problema todo né”?

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Califórnia

Uma curiosidade: metade da Califórnia é costa e a outra é fazenda

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