Vila São Cotolengo promove II Semana de Atenção à Disfagia

Vila São Cotolengo promove II Semana de Atenção à Disfagia

Ao longo de toda essa semana, a Vila São Cottolengo, instituição beneficente localizada em Trindade que presta atendimento especializado a pacientes com deficiências físicas e mentais, promove a II Semana de Atenção à Disfagia.

Segundo a Fonoaudióloga Geana Alves Tomaz Oliveira, especialista à frente do evento, a Disfagia é caracterizada pela alteração ou dificuldade de deglutição, processo pelo qual o alimento é transportado da boca até o estômago. Consequentemente, o paciente pode apresentar desidratação, desnutrição, alterações respiratórias e, se não for tratado de forma adequada, ir a óbito.

Para compreender melhor esse mal e saber mais detalhes a respeito desta ação educativa da Vila São Cottolengo, convidamos Geana Alves Tomaz Oliveira para a seguinte entrevista:

Aurélia Guilherme – Por que a Disfagia foi escolhida como tema do evento? 

Geana Alves Tomaz Oliveira – A Vila São Cottolengo, referência em reabilitação física e auditiva, atende e acolhe diversos pacientes com sequelas variadas  de doenças neurológicas, mentais, sensoriais, motoras e cognitivas, em onze unidades de internação de longa permanência e uma unidade de reabilitação.

Estima – se que 68% dos nossos pacientes apresentem Disfagia. Um mal altamente frequente e que, apesar de ser confundindo como uma doença é, na verdade, uma consequência de várias delas: AVC, TCE, Doenças Degenerativas, Câncer, Encefalopatia Crônica não Evolutiva (P.C), Lesões Medulares, Doença e Deficiência Mental, Fissuras, Entubação Prolongada, Envelhecimento, entre outras.

Vila São Cotolengo promove II Semana de Atenção à Disfagia Fonoaudióloga Geana Alves Tomaz Oliveira

Geana Alves Tomaz Oliveira – Fonoaudióloga, com Especialização em Fonoaudiologia Hospitalar e Disfagia. Responsável Técnica da Equipe de Fonoaudiologia e do Programa de Medicina Auditiva. Responsável da Equipe de Prevenção e Tratamento das Disfagias e Complicações Respiratórias.

Aurélia Guilherme – Essa é a segunda edição do evento. Como ele se iniciou? Qual é o seu objetivo?

Geana Alves Tomaz Oliveira – A principal complicação da Disfagia é a pneumonia aspirativa, um risco durante a alimentação, ou, em casos mais graves, a própria saliva ou o refluxo do conteúdo gástrico leva ao problema. As pneumonias em pacientes crônicos e idosos aumentam o índice de óbitos. Sendo assim, é importante a Educação Continuada para toda a nossa Equipe Multiprofissional, como forma de reciclagem e de obtenção de novos conhecimentos. A II Semana de Atenção à Disfagia, esse ano, com o tema: Disfagia e Envelhecimento, faz parte do nosso calendário de educação permanente.

Com o envelhecimento, pacientes com as sequelas já citadas, terão o processo de deglutição cada vez mais prejudicado pela Disfagia. Por isso, nosso olhar deve ser diferenciado e treinando para um atendimento cada vez mais eficaz. Os maiores desafios do Fonoaudiólogo, no âmbito hospitalar e no atendimento aos pacientes disfágicos são evitar as intercorrências respiratórias. Além disso, busca-se retirar o mais rápido possível as vias alternativas de alimentação, diminuir os custos hospitalares com a atuação multidisciplinar e o trabalho especializado em disfagia.

Aurélia Guilherme – Quem pode participar?

Geana Alves Tomaz Oliveira – O evento é voltado para os colaboradores da Instituição, em suas diversas especialidades: Fonoaudiólogos, Médicos, Fisioterapeutas, Enfermeiros, Técnicos de enfermagem, Cuidadores, Nutricionistas, Copeiras, Dietistas, Terapeutas Ocupacionais, Odontólogos, Psicólogos, Assistentes Sociais, Professores, Irmãs Filhas da Caridade, Estagiários de Enfermagem e Nutrição.

Aurélia Guilherme – Considerações finais:

Geana Alves Tomaz Oliveira – A disfagia pode levar a morte! Qualquer um de nós, da nossa família ou do nosso círculo social poderá ter essa alteração de deglutição. Na nossa cultura os eventos sociais e familiares sempre envolvem o alimento. As pessoas disfágicas, nos quadros mais graves, não terão mais esse prazer e poderão vir a usar uma via alternativa de alimentação (SNG, SNE, Gastrostomia). Em outros casos, uma simples mudança de consistência permitirá a manutenção da via oral, com segurança e prazer, evitando desnutrição, desidratação e complicações pulmonares.

Por isso, fiquemos atentos para alguns sinais da Disfagia:

-Recusa alimentar
-Tosse (durante e após a alimentação)
Engasgos frequentes
-Náusea
-Vômito
-Estado de alerta alterado (sonolento)
-Alteração salivar (sialorreia ou xerostomia)
-Alterações respiratórias (excesso de secreção, respiração ruidosa, cansaço)
-Alteração da voz após alimentação (molhada)
-Ingestão reduzida dos alimentos
-Mudança dos hábitos alimentares
-Tempo de ingestão superior a 30 minutos
-Febre de causa desconhecida

Consequências da Disfagia

-Desidratação
-Desnutrição
-Alterações respiratórias (gripes, bronquites, sinusites, dispneia, roncos)
-Pneumonias de repetição
-Doença do Refluxo Gastroesofágico
-Refluxo nasal
-Otites
-Perda de peso
-Úlceras de contato
-Alterações clínicas constantes

Confira a programação: 

A Vila São Cottolengo é uma instituição beneficente mantida por recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e doações. Para se informar sobre como contribuir ligue: (62) 3506 9051 / 9222 / 9251 / 9253 ou clique AQUI

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